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Diagnóstico emocional em empresas vira estratégia para 2026 mais estável
O impacto da saúde emocional dos trabalhadores tem pressionado resultados, aumentado conflitos internos e elevado índices de afastamento nas empresas. Diante desse cenário, o diagnóstico emocional passou a ocupar lugar de destaque no planejamento estratégico de organizações que buscam iniciar 2026 com maior previsibilidade no clima organizacional.
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que transtornos como depressão e ansiedade resultam na perda de cerca de 12 bilhões de dias de trabalho por ano em todo o mundo, com um custo estimado de US$ 1 trilhão em produtividade. No Brasil, esse contexto tem levado empresas a adotar ferramentas mais estruturadas para mapear riscos psicossociais e antecipar decisões de gestão.
Segundo Jéssica Palin Martins, psicóloga e advogada especializada em saúde emocional no trabalho e fundadora da IntegraMente, o diagnóstico emocional deixou de ser um recurso complementar. “Não faz sentido começar o ano apenas revisando metas e processos sem entender como as pessoas estão emocionalmente. O diagnóstico emocional se tornou um ponto de partida para decisões mais consistentes”, afirma.
O movimento ganha força em um ambiente de maior pressão regulatória. A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), publicada pelo Ministério do Trabalho e Emprego em agosto de 2024, passou a exigir que o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais inclua fatores psicossociais relacionados ao trabalho. Após o período legal de adaptação, a norma entra em vigor plenamente, tornando 2026 um marco para a adequação das empresas às novas exigências.
Além da legislação, mudanças no perfil da força de trabalho também influenciam a agenda corporativa. O relatório Gen Z and Millennial Survey 2024, da Deloitte, aponta que cerca de 40% dos profissionais da geração Z relatam sentir estresse ou ansiedade sempre ou na maior parte do tempo, e muitos associam esse estado diretamente ao ambiente profissional.
Para Palin Martins, o diagnóstico emocional permite transformar percepções subjetivas em dados concretos. “Quando a empresa sistematiza essa leitura, ela sai do improviso e identifica com mais clareza onde estão os principais focos de desgaste emocional. Isso possibilita agir antes que o problema se traduza em conflitos, afastamentos ou queda de desempenho”, explica.
O impacto financeiro de um clima organizacional instável também pesa na conta. Estimativas da consultoria Gallup indicam que o custo de substituição de um profissional pode variar de aproximadamente 40% do salário anual em cargos operacionais a até 200% em posições de liderança, dependendo do nível de especialização e responsabilidade.
De acordo com a especialista, organizações que realizam o mapeamento emocional ainda no fim do ano tendem a começar o ciclo seguinte com mais estabilidade. “Janeiro costuma expor o que ficou mal resolvido no segundo semestre. Quem inicia o ano com diagnóstico feito, devolutiva clara e plano de ação ganha tempo e reduz desgaste”, avalia.
A tendência, segundo Palin Martins, é que o diagnóstico emocional deixe de ser uma ação pontual e passe a integrar a rotina de gestão. “Clima organizacional não se sustenta com uma pesquisa anual. É um acompanhamento contínuo, com decisões práticas para a liderança. Quando isso acontece, o emocional deixa de ser tratado apenas quando a crise já está instalada”, afirma.
Imagem: Envato
