Economia
Inadimplência atinge 8,48% em fevereiro
O varejo brasileiro segue enfrentando um cenário de maior risco no crédito ao consumidor. Dados do Índice de Inadimplência do Meu Crediário mostram que a taxa nacional alcançou 8,48% em fevereiro de 2026, mantendo-se praticamente estável em relação a janeiro (8,46%) e consolidando o início do ano em patamar elevado. O resultado confirma a interrupção da trajetória de queda observada ao longo de parte de 2025 e reforça o ambiente de maior cautela para o consumo parcelado no primeiro trimestre.
Na comparação anual, o indicador avançou 1,74 ponto percentual em relação a fevereiro de 2025, quando estava em 6,74%. Embora ainda abaixo do índice registrado em fevereiro de 2024 (9,72%), o nível atual evidencia um crescimento gradual da inadimplência.A tendência, de acordo com o histórico do indicador, é que o comportamento da inadimplência permaneça sob atenção ao longo do primeiro semestre.
A média do trimestre mais recente, considerando dezembro de 2025, janeiro e fevereiro de 2026, ficou em 8,51%, acima dos 7,12% observados no mesmo intervalo do ciclo anterior. O dado aponta deterioração no cenário de crédito do varejo e indica que, apesar de não haver aceleração abrupta, o indicador permanece estabilizado em um patamar elevado.
Entre os segmentos analisados, o setor de óticas passou a liderar o ranking de inadimplência, com 9,48%, superando a média nacional. Roupas e calçados aparecem na sequência, com 9,20%, enquanto móveis e eletrodomésticos registram 7,37%. O desempenho sugere pressão tanto em categorias ligadas a necessidades recorrentes quanto em itens de maior valor agregado e consumo discricionário.
O recorte regional mostra que o Sudeste continua concentrando os maiores índices do país, com 10,21%, mantendo-se como a única região acima de dois dígitos. Norte (9,01%) e Nordeste (8,78%) vêm na sequência, seguidos por Centro-Oeste (8,19%) e Sul (7,02%). A concentração urbana e o maior volume de consumo ajudam a explicar o peso do Sudeste no resultado consolidado.
A análise por faixa etária confirma que os consumidores mais jovens seguem mais expostos ao atraso nos pagamentos. Entre 18 e 25 anos, a inadimplência alcança 14,99%, praticamente o dobro da média nacional. Na faixa de 26 a 35 anos, o índice é de 11,48%. Entre 36 e 50 anos, o percentual cai para 8,48%, enquanto consumidores de 51 a 65 anos registram 5,86%, e aqueles acima de 66 anos, 5,64%. O comportamento reforça o impacto do consumo parcelado entre jovens adultos, especialmente em períodos de maior gasto sazonal.
O levantamento também aponta diferença relevante entre gêneros. A taxa de inadimplência entre homens chega a 10,37%, ante 7,89% entre mulheres, uma diferença de 2,48 pontos percentuais que indica maior exposição masculina ao risco no crediário.
Ao longo de 2025, o indicador apresentou oscilações importantes, com picos no meio do ano — quando superou 9,6% em maio e junho — seguido de recuo gradual no segundo semestre. Ainda assim, a manutenção dos índices acima de 8,5% no encerramento do ano ajuda a explicar o nível pressionado observado no início de 2026.
Imagem: Envato
