Comportamento

Metade dos brasileiros acha 2025 melhor que o esperado, e maioria tem expectativas de melhora

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A percepção dos brasileiros sobre 2025 foi mais positiva que negativa, com metade da população afirmando que o ano foi melhor que imaginava. Os dados são de uma pesquisa feita pelo Instituto Locomotiva, que aponta que 49% dos brasileiros avaliam 2025 no campo positivo. Do outro lado, 33% acham que 2025 foi pior que o esperado, e 17% afirmam que foi igual ao esperado. Além disso, 8 em cada 10 brasileiros têm expectativas para 2026 de melhora.

“Quando quase metade dos brasileiros diz que 2025 foi melhor do que imaginava, isso não significa ausência de dificuldades. Significa que as pessoas aprenderam a calibrar expectativas. Em um cenário duro, conseguir manter o emprego, melhorar a alimentação ou cuidar mais da saúde já é percebido como avanço. O brasileiro compara o ano menos com um ideal e mais com a própria sobrevivência”, analisa Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva.

Avaliação de 2025

Avaliando o ano passado, os mais jovens são os que mais consideram o período positivo, dado que se inverte entre os mais velhos. Além disso, os jovens também são os mais otimistas em relação às expectativas para 2026. Na faixa etária de 18 a 29 anos, 93% acreditam que 2026 será melhor, enquanto apenas 3% acreditam que será pior. Já entre o grupo de pessoas com mais de 50 anos, 73% têm expectativas de melhora, enquanto os que acreditam em uma piora do ano são 14%.

“Os jovens sempre tendem a ser mais otimistas, mas aqui há um elemento adicional. Eles enxergam mais possibilidades de mudança, especialmente na vida profissional e nos hábitos pessoais. Já os mais velhos carregam a experiência de frustrações acumuladas. O dado não fala de ingenuidade juvenil, mas de ciclos de vida e de horizontes percebidos”, afirma Meirelles.

Para os que viram melhora em 2025, as principais conquistas apontadas foram alimentação (72%), atividade física (63%), aparência física (62%) e guardar dinheiro ou fazer poupança (55%).

Expectativas para 2026

Imagem: Pexels

Em relação às expectativas para esse ano, 83% dos brasileiros acreditam que o ano será melhor que 2025, o que equivale a 135 milhões de pessoas — um aumento em comparação ao ano passado, quando 79% acreditavam que 2025 seria melhor que 2024. 

Assim como os jovens, as mulheres são um grupo que se destaca ao acreditar que o ano trará melhoras. Para 85% delas, a vida, de modo geral, vai melhorar em 2026. Esse número é de 77% entre os homens. “Esse otimismo feminino está muito ligado à ação. As mulheres aparecem como as que mais investem em saúde, aparência, alimentação e organização da vida. Em um contexto ainda desigual, elas estão dizendo que não vão esperar as condições ideais para melhorar”, explica Meirelles.

Para 2026, a maioria dos brasileiros pretende fazer resoluções (56%), o que corresponde a 91 milhões de pessoas. As promessas giram em torno, principalmente, da saúde e mudança de hábitos (63%), compra de bens de consumo (50%), tempo com a família (44%), estudos (42%), relacionamento amoroso (29%), abertura de negócio próprio (24%) e mudar ou conseguir emprego (23%).

O bem-estar é uma das áreas mais citadas como metas e realizações entre os brasileiros, por meio da alimentação, atividades físicas e tempo com a família. “O bem-estar virou uma forma concreta de autonomia. Cuidar da saúde, comer melhor e se movimentar são áreas onde o brasileiro sente que pode agir imediatamente, sem depender de grandes recursos ou decisões externas. É o projeto de vida possível em um país onde o futuro coletivo ainda gera insegurança”, avalia o presidente do Instituto Locomotiva.

Além disso, a vida financeira aparece como ponto central para o otimismo dos brasileiros. 80% dos entrevistados acredita que a vida financeira irá melhorar em 2026, e guardar dinheiro/fazer poupança é uma meta para 90% das pessoas. Inclusive, essa meta atinge todas as classes sociais: mesmo os brasileiros com menor renda (classes D e E) pretendem guardar dinheiro (85%).

Cenário político

Lula de terno, com mãos em prece e expressão pessimista, com fundo da bandeira nacional; taxação compras internacionais
Imagem: Valter Campanato/Agência Brasil.

Apesar do otimismo para 2026, a maioria dos brasileiros o direciona para a própria vida, e não para o cenário coletivo. Apenas 4 em cada 10 brasileiros acreditam que o país vai melhorar no novo ano; 33% acredita que o Brasil vai piorar. Economia, saúde e as três esferas do poder público (federal, estadual e municipal) são as principais esperanças de melhora, enquanto educação e segurança pública vêm por último.

Para os entrevistados, eles mesmos são os principais agentes de melhora e mudança no novo ano (52%). Apenas 4% acredita que o governo federal pode contribuir para que o ano melhore. “Os dados mostram um Brasil que confia mais no que controla do que no que depende das instituições. O brasileiro acredita que sua vida vai melhorar porque aposta em esforço próprio, na família e em decisões do cotidiano. Já o país é visto com mais cautela. O brasileiro não desistiu do país, mas passou a exigir mais para acreditar”, avalia Meirelles.

Esse cenário, porém, é dividido entre brasileiros de diferentes opiniões políticas. Entre os que se denominam “de esquerda”, o otimismo de melhora é maior (7%) que o índice geral. Entre os respondentes de “esquerda”, a expectativa de melhora na economia do país é de 70%, enquanto entre os “de direita” é de 25%; já a expectativa de melhora no governo federal é de 69% entre o polo “de esquerda”, e de 23% entre o “de direita”.

“A polarização funciona como uma lente. Quem se identifica com a esquerda tende a enxergar mais possibilidades de melhora nos próximos anos, especialmente nas esferas de governo. Quem se identifica com a direita é mais cético. Isso mostra que o futuro do país deixou de ser apenas uma expectativa coletiva e passou a ser interpretado a partir de posicionamentos políticos.”

Empreendedorismo no novo ano

Mulher loira de cabelo amarrado está de costas para a câmera, sentada em uma mesa de frente a uma janela, mexendo em computador em que há o desenho de um foguete e a palavra "startup", representando empreendedorismo feminino
Imagem: Envato

O empreendedorismo aparece expressivamente entre as realizações e metas dos brasileiros, assim como a mudança de emprego. Entre os respondentes, 12% afirma que uma de suas realizações de 2025 foi abrir um negócio, enquanto 23% realizou uma mudança ou entrada num novo emprego.

Para as metas de 2026, esse número é ainda mais expressivo: 24% dos brasileiros têm como meta abrir um negócio e 23% um novo emprego. Enquanto isso, as intenções de realização para 2025 contam com 33% querendo abrir um negócio e 38% querendo começar num emprego novo.

Para Renato Meirelles, o brasileiro quer mais empreender, mas também está insatisfeito com o mercado de trabalho. “As duas coisas caminham juntas. Há insatisfação, sim, mas ela se traduz em movimento. O brasileiro não está apenas reclamando do trabalho, está tentando redesenhar sua trajetória. Abrir um negócio ou buscar outra ocupação aparece como estratégia de sobrevivência e de sonho ao mesmo tempo.”

Imagem destacada: Freepik

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