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O vídeo como tradução do valor no e-commerce
O avanço do video commerce não é apenas mais um capítulo na longa história das tendências digitais. Ele responde a uma transformação mais profunda no comportamento do consumidor, que hoje exige contexto, clareza e segurança antes de tomar decisões de compra. Em um ambiente saturado por imagens estáticas e descrições padronizadas, o vídeo passa a cumprir uma função essencial: traduzir o produto para a vida real.
Fotos sempre foram parte central do e-commerce, mas têm limites evidentes. Elas mostram forma, cor e composição, mas raramente conseguem comunicar movimento, caimento, textura e uso cotidiano. O vídeo entra justamente nessa lacuna informacional, oferecendo ao consumidor algo que se aproxima da experiência física, ainda que mediada por uma tela. Ver uma peça em movimento, entender como ela se comporta no corpo ou em diferentes contextos ajuda o cliente a tomar decisões mais conscientes e reduz a distância entre expectativa e realidade.
Essa necessidade se torna ainda mais evidente no segmento premium. Marcas posicionadas em faixas de preço mais altas enfrentam um desafio recorrente no digital: como justificar valor sem o apoio do atendimento especializado da loja física. No online, o consumidor não pode tocar o tecido, ouvir a explicação do vendedor ou observar os detalhes com calma. Se essas informações não são traduzidas de forma clara, o preço parece desconectado do produto. O vídeo surge, então, como uma ferramenta estratégica para explicar o “porquê” por trás de cada peça, do acabamento ao design, do uso prático às combinações possíveis.
O video commerce representa uma virada de chave porque muda a lógica da navegação. Não se trata apenas de adicionar vídeos às páginas, mas de redesenhar a jornada de compra. Quando bem integrados, esses conteúdos deixam de ser acessórios e passam a orientar o consumidor. Vídeos em destaque na home ajudam a contextualizar coleções e campanhas; nas páginas de produto, esclarecem dúvidas e reduzem incertezas; em seções dedicadas, estimulam a descoberta, criando uma experiência próxima à das redes sociais, mas com foco em conversão.
Os impactos são claros. Marcas que adotam essa estratégia de forma consistente relatam aumento no ticket médio, melhora nas taxas de conversão, maior tempo de permanência no site e engajamento mais qualificado. Isso acontece porque o vídeo não apenas informa, mas constrói confiança. Quando o consumidor entende o produto, visualiza seu uso e percebe coerência entre discurso e entrega, a decisão de compra se torna menos arriscada.
Mais do que tecnologia, trata-se de uma estratégia de narrativa, que exige olhar atento para o comportamento do usuário, análise contínua de formatos e disposição para testar abordagens. Vídeos que explicam, contextualizam e conectam tendem a performar melhor do que conteúdos meramente estéticos. A evolução está em transformar cada vídeo em um ponto de descoberta, onde produtos se relacionam, inspiram combinações e ampliam a experiência de compra.
O vídeo deixa de ser apenas um recurso visual e se consolida como parte central da decisão de consumo. Ele humaniza o e-commerce, aproxima marcas e pessoas e devolve algo que o digital havia perdido: a capacidade de contar histórias que fazem sentido. Quando a qualidade do produto já existe, o verdadeiro diferencial está em como esse valor é traduzido e, hoje, poucas ferramentas fazem isso tão bem quanto o vídeo.
*Hygor Roque é Head of Revenue da Divibank, fintech brasileira de soluções de meios de pagamento e orquestração de pagamentos, com foco em eficiência, conversão e simplicidade operacional para o e-commerce.
