Inovação
South Summit Brazil: CEO da Renner apresenta como IA gera valor real no varejo
Durante o South Summit Brazil, em Porto Alegre, o CEO da Lojas Renner, Fabio Adegas Faccio, apresentou como a IA vem sendo aplicada de forma prática para gerar valor real no varejo — não como uma promessa futura, mas como uma ferramenta já integrada ao presente das operações da companhia.
Com mais de 20 milhões de clientes e cerca de 24 mil colaboradores distribuídos entre Brasil, Argentina e Uruguai, além de escritórios de sourcing e pesquisa na Ásia, a empresa utiliza a inteligência artificial para potencializar três grandes frentes: produtos, jornada do cliente e produtividade dos colaboradores.
Segundo o executivo, a IA deve ser entendida como uma tecnologia construída por humanos e para humanos, com o objetivo de ampliar capacidades, melhorar decisões e elevar a experiência do consumidor. Na Renner, o propósito de “encantar e superar expectativas” orienta o uso da tecnologia, que atua como suporte estratégico para equipes e clientes.

Uma das aplicações está na análise de tendências de moda. A empresa utiliza inteligência artificial para coletar e filtrar grandes volumes de informação — vindos de desfiles, ruas, redes sociais e publicações especializadas —, transformando dados em insights mais qualificados para as equipes de estilo e produto, melhorando a assertividade das coleções.
Outro uso importante está na gestão de estoques e distribuição. Por meio de algoritmos preditivos, a empresa consegue prever a demanda por item, cor, tamanho e localização, garantindo o produto certo, na loja certa, na hora certa. O resultado é uma operação mais eficiente, com aumento de vendas, maior margem, melhor giro de estoque e redução de desperdícios, contribuindo também para a sustentabilidade do negócio.
A IA também aparece de forma mais visível para o consumidor. Sistemas de recomendação personalizados vêm aumentando significativamente as taxas de conversão no e-commerce. Segundo dados apresentados, produtos recomendados por algoritmos tiveram aumento de 135% na conversão.
Outro exemplo é o uso de avatares virtuais gerados por inteligência artificial, principalmente na área infantil. Com modelos virtuais, a empresa conseguiu aumentar em 60% as visitas às páginas de produtos, já que a visualização das peças no corpo facilita a decisão de compra.
A empresa também iniciou o uso de provadores virtuais, permitindo que clientes visualizem roupas em seus próprios corpos por meio do aplicativo. Mesmo em peças básicas, a tecnologia já gerou aumento de 2,6% na conversão, com potencial de crescimento à medida que a tecnologia evolui para peças mais complexas.

O próximo passo, segundo o executivo, é a relação entre marcas e os “agentes de inteligência artificial” dos próprios consumidores — assistentes digitais que passam a interagir e tomar decisões junto com os clientes. Nesse cenário, as empresas precisarão aprender não apenas a se comunicar com pessoas, mas também com os assistentes digitais dessas pessoas.
A principal mensagem da palestra foi clara: a inteligência artificial não é um fim em si mesma, mas um meio para gerar valor real. Quando aplicada com propósito e com o ser humano no centro das decisões, ela aumenta a relevância, melhora a experiência, fortalece relacionamentos e gera impacto concreto para empresas, consumidores e sociedade.
