Inovação
96% do conteúdo online pode ser feito por IA até o fim de 2026
Em 2025, a inteligência artificial generativa (IA) já deixou de ser uma camada adicional para se tornar a linha de frente da experiência de navegação. Agora, dados levantados pelo Laboratório de Inovações da Europol (Agência da União Europeia para a Cooperação Policial) indicam que, até o final de 2026, entre 90% e 96% de todo o conteúdo disponível na web terá origem artificial. Esses números promovem uma reconfiguração na forma como as marcas disputam a atenção do consumidor.
O uso da IA para produção de conteúdo, no entanto, não tem diminuído o tráfego. A análise da liveSEO revela que o volume de buscas aumentou 10%, embora o destino do usuário tenha mudado. O impacto nos negócios foi surpreendente: a receita permaneceu estável apesar da drenagem de acessos para as interfaces de IA.
“Se antes o SEO era focado simplesmente em tráfego, hoje ele é sobre relevância de marca. Percebemos uma queda generalizada de acessos que não foi acompanhada por uma queda na receita do e-commerce. O usuário agora quer a resposta pronta, e a marca precisa ser a fonte dessa resposta”, explica Lorena Martins, CMO da agência.
Block Rank no SEO do Google
A forma como os buscadores funcionam mudou. Antes, o que mais importava era a quantidade de links apontando para um site. Agora, os algoritmos conseguem avaliar a profundidade e a relevância do próprio conteúdo. Um dos principais avanços nesse processo é o Block Rank, que permite que inteligências artificiais analisem trechos específicos de uma página de forma independente, entendendo exatamente o que cada parte do conteúdo entrega.
Na prática, isso muda completamente a lógica para as empresas. Repetir palavras-chave deixou de ser uma estratégia eficaz, já que o foco passou a ser o contexto. Para Henrique Zampronio, Head Técnico da liveSEO, a antiga lógica da palavra-chave informacional ficou para trás, dando espaço à multimodalidade. “Antigamente ranqueávamos documentos; hoje, ranqueamos contextos”, afirma.
Expertise humana é diferencial entre conteúdo sintético
Com a facilidade de gerar textos via IA, a internet foi inundada por conteúdos genéricos e superficiais. Em resposta, os algoritmos passaram a privilegiar o que chamam de People-First Content — informações baseadas em experiências reais e dados proprietários.
“O usuário busca pela dor, não pelo nome que a empresa deu ao produto”, afirma Laís Mikeyla, coordenadora de estratégias de SEO, sobre a necessidade de foco nas dores reais do usuário. “Se você vende moda para executivos com rotina corrida, o seu conteúdo precisa resolver o problema da falta de tempo, e não apenas listar peças de roupa. A IA do ChatGPT ou do Perplexity prioriza a entidade que demonstra essa expertise”.
Para o futuro, a agência de SEO aponta a projeção da “Web Agêntica”: conceito em que agentes de IA integrados a dispositivos vestíveis podem realizar tarefas de busca e transação de forma autônoma por seus usuários. Neste cenário, a infraestrutura técnica — como o uso de arquivos llms.txt — torna-se a linguagem de comunicação vital entre a empresa e os novos “consumidores robóticos”.
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