NRF2026
JD Sports detalha estratégia de crescimento baseada em curadoria, experiência e cultura sneaker na NRF 2026
No painel Playbook for Growth: Market Trends, Competitive Advantage & JD Sports’ Vision, o CEO da JD Sports Group, Régis Schultz, conversou com Phil Wahba, da Fortune, sobre a evolução do mercado global de sportswear e a estratégia do grupo para sustentar crescimento nos Estados Unidos e em outros mercados.
Com mais de 2.500 lojas na América do Norte (incluindo as bandeiras JD, DTLR, Shoe Palace e Hibbett), a região já representa cerca de 40% das vendas globais do grupo. Segundo Schultz, a estratégia combina foco em categorias-chave, curadoria de produtos, experiência de loja e integração omnichannel.
Cultura sneaker e mudança estrutural do mercado
Schultz destacou que a expansão do mercado de sneakers reflete uma mudança estrutural no consumo. “No momento em que o consumidor começa a usar sneaker, ele não volta para o sapato formal”, afirmou. “O mercado está cada vez mais ligado à moda, com mais cores, mais estilos e mais expressão pessoal.”
Segundo o executivo, a proposta da JD vai além da venda de produtos. “Nosso propósito é ser autoridade e curadoria. É simplificar a escolha do consumidor oferecendo o melhor do melhor”, disse.
Curadoria como diferencial competitivo nos EUA
Ao falar da entrada e expansão da JD nos Estados Unidos, Schultz explicou que o ponto central foi assumir um ponto de vista claro. “O mercado americano tem muitas opções e muitos SKUs. Não dá para ser só mais uma loja vendendo tênis”, afirmou. “É preciso selecionar, se diferenciar e ser fiel ao que você acredita como curadoria para o consumidor.”
Para o CEO, a curadoria não é apenas sortimento, mas posicionamento. “Não é vender tudo. É reduzir o que não é ‘hot’ e ampliar o que é relevante dentro de um escopo bem definido”, disse, citando categorias como basketball, running e football como focos prioritários.
Loja como palco de experiência e pertencimento
O investimento em lojas físicas aparece como um dos principais pilares da estratégia. “A loja precisa gerar engajamento, teatralidade e energia”, afirmou Schultz. Ele contrastou o modelo da JD com o de varejistas tradicionais. “Não somos lojas silenciosas como departamentos clássicos. Nossas lojas têm telas de LED gigantes, música alta, iluminação intensa e equipes que fazem parte da mesma subcultura dos clientes.”
Segundo o executivo, o time de loja é peça-chave. “Queremos pessoas que amem o que fazem e que se conectem genuinamente com o consumidor”, disse.
Performance, moda e ponto de vista
Schultz reforçou que a JD não trabalha apenas com performance esportiva. “Não é só sobre performance técnica, é sobre como essa performance fica bem com um moletom. É moda. É ponto de vista”, afirmou. “Manter relevância dentro desse ponto de vista é essencial.”
IA, comportamento do consumidor e novas jornadas
A inteligência artificial também entrou na discussão como vetor de mudança na jornada de compra. “Hoje, grande parte dos consumidores entra na loja, tira foto do produto e manda para amigos perguntando o que acham”, disse Schultz. “Com IA, essa interação fica mais fácil, mais rápida e integrada.”
Segundo ele, a tecnologia está alterando tanto a forma como o consumidor se relaciona com o produto quanto como as empresas se relacionam com o cliente. Schultz destacou ainda que a JD foi uma das primeiras grandes varejistas a permitir compras diretas em um clique dentro de plataformas de IA, integrando descoberta, decisão e conversão.
Crescimento com foco e identidade
Ao longo da conversa, o CEO reforçou que o crescimento da JD Sports passa por foco estratégico, identidade clara e experiências consistentes entre físico e digital. A combinação entre curadoria, cultura de marca, experiência de loja e novas tecnologias sustenta a vantagem competitiva do grupo em um mercado cada vez mais disputado.
Imagem: Patricia Cotti
Com colaboração de Patricia Cotti
(*) Jorge Inafuco é sócio-diretor da empresa LEADERS LAB TREINAMENTO & CONSULTORIA EMPRESARIAL, consultor, palestrante e professor da HSM Educação Executiva e do MBA FIA. Expert em Varejo com mais de 35 anos de experiência, foi diretor de Retail & Consumer da PwC, do Grupo Carrefour e do Grupo Pão de Açúcar.
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