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Por que a NRF 2027 já começou?

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Acabou a NRF2026, mas de uma coisa eu sei: quero estar na edição de 2027 para confirmar e refutar alguns pontos. Para quem vai a este evento com certa recorrência, provavelmente, esse é o exercício mais legal de se fazer. 

O que ficou latente nesta edição é que o varejo de 2026 não tolera mais o isolamento. O modelo de “cada um por si” na tecnologia foi substituído pela força dos ecossistemas integrados. Vimos que as marcas que mais crescem são aquelas que pararam de tentar construir estruturas bizarramente tecnológicas e proprietárias para se plugarem em redes de colaboração. 

Na Inventa, essa tem sido a forma como olhamos para frente: o futuro do B2B não é sobre ser o controlador de tudo, mas sobre ser o elo que une indústria, logística e varejo em uma malha de eficiência compartilhada. Onde os dados fluem sem barreiras, o risco diminui e a margem de todos aumenta.

Outro ponto que levo na bagagem é a transformação do papel do lojista. Saímos da era do “comprador de produtos” para a era do “curador de contextos”. Com o avanço do social commerce e das plataformas nativas de conteúdo, como o TikTok Shop, a execução impecável no back-end (que é o que fazemos) precisa dar suporte a uma competência quase editorial no front-end. A tecnologia que entregamos na ponta tem um objetivo final nobre: devolver ao lojista a liberdade criativa. Se a Inventa cuida da “ciência” do fulfillment e do crédito, por exemplo, o varejista pode voltar a focar na “arte” de encantar o cliente e a indústria a de desenvolver produtos que encantam e fecham esse círculo.

A NRF 2026 expôs a fragilidade da digitalização de fachada. Não basta ter um site bonito se o seu sistema de inventário é mais lento que o desejo do consumidor. 

O debate sobre a sincronização de milissegundos entre o que é prometido e o que é entregue mostrou que o “sucesso” no digital é, na verdade, uma vitória da logística. Esse choque de realidade operacional nos dá a certeza de que o caminho que escolhemos, de investir em infraestrutura pesada e integração sistêmica, é o único caminho para a longevidade. 

A elegância da IA só se sustenta quando a retaguarda é eficiente.

A evolução da nossa jornada: do hype à infraestrutura

Se olharmos para o retrovisor, a evolução da NRF nos últimos três anos conta a história da própria Inventa.

  • Em 2022, falávamos da Metaverso mas de forma distante e sem a real sensação de aplicabilidade para o varejo. Talvez um sonho do futuro;
  • Em 2024, falávamos da IA como uma promessa e, ainda, um pouco distante da operação real e sem tanta aplicabilidade;
  • Em 2025, vivemos a euforia da experimentação, onde todos queriam “brincar” com a tecnologia, muitas vezes sem olhar para o ROI;
  • Agora, em 2026, a mensagem foi uma só: o tempo de “testar” acabou. Entramos na era de “operar sobre” a tecnologia.

O motivo pelo qual a Inventa já garantiu seu lugar para 2027 é simples: o varejo global finalmente aterrissou na tese que defendemos desde o primeiro dia. 

O mercado parou de perseguir o “algoritmo mágico” de vendas para focar na infraestrutura invisível. Vimos gigantes como Adidas e Amazon admitirem que a tecnologia só brilha se o dado for preciso e o fulfillment for impecável. O varejo mundial está voltando para os fundamentos, mas agora esses fundamentos são turbinados por dados de alta frequência.

O que vamos para a NRF 2027 para confirmar (ou refutar)

Nossa presença anual vai para além do aprendizado; é para validação de hipóteses. 

Eu, particularmente, tenho algumas apostas claras que quero analisar no próximo ano.

  1. Confirmar: o agentic commerce como novo padrão operacional. Apostamos que, em 2027, não estaremos mais discutindo “como o consumidor pesquisa”, mas sim “como os agentes de IA decidem”. Se a Inventa hoje estrutura o dado e apoia na jornada para a indústria servir bem o varejo, em 2027 estaremos otimizando catálogos para as máquinas que compram. O varejo deixará de ser sobre “cliques” e passará a ser sobre “intenção e confiança de estoque”.
  2. Refutar: a tecnologia como dreno de margem. Este ano, muito se falou sobre o custo energético e financeiro de implementar IA. Na NRF 2027, queremos analisar que a tecnologia, quando aplicada na jornada do cliente, pode gerar deflação operacional real. Queremos refutar a ideia de que tecnologia é custo, mostrando que ela é uma ferramenta capaz de devolver margem para a indústria em um cenário de juros altos.
  3. Confirmar: a revanche do humano. Com a automação resolvendo o “trabalho sujo” da logística e dos dados, o que sobra? Acreditamos que a humanização e a empatia serão os maiores luxos do varejo em 2027, que já foi bem falado neste ano. Voltaremos para ver se as marcas usaram a IA para se tornarem robóticas ou se a usaram para liberar suas pessoas para serem, finalmente, humanas.

O compromisso com o micro em um mundo macro de incerteza 

Voltar para a NRF em 2027 é o nosso compromisso de que não seremos meros espectadores da evolução digital, mas uma marca que viabiliza o varejo de amanhã. 

A NRF tem oferecido o mapa, mas é a nossa capacidade de execução no Brasil que determina a velocidade da chegada. O ‘Next Now’ que tanto ouvimos por aqui já está em desenvolvimento em cada linha de código e em cada processo de fulfillment que desenhamos para os nossos parceiros. 

Encerramos esta edição com a certeza de que a maior inovação não é o que a IA pode dizer, mas o que ela pode fazer pela sua margem de lucro. O cronômetro para 2027 já está rodando, e nós já estamos em campo para garantir que o B2B brasileiro seja o protagonista dessa história.

Leia também: A IA deixa de ser promessa e vira critério de execução no varejo


*Omar Jarouche é CRO da Inventa, uma empresa de Full Service que conecta indústrias e fornecedores, unificando tecnologia, operação e inteligência de dados para transformar a forma como o B2B acontece. Formado em Estatística pela Unicamp e com mais de 15 anos de experiência no mercado B2B, Omar iniciou sua carreira na área de Data Science, mas sempre demonstrou-se um profissional curioso por inúmeros temas. Já teve passagens como Diretor de Marketing e Soluções na ClearSale e CMO na Cobli. Atualmente, considera-se um problem solver além de ser Mentor Endeavor.

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