NRF2026

Pós-NRF ACIRP reúne empresários em Ribeirão Preto para debater IA, experiência de loja e futuro do varejo

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Pós-NRF ACIRP

Na última quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026, o auditório da ACIRP (Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto) recebeu centenas de empreendedores e associados para uma edição do Pós-NRF, com palestras e painéis conduzidos por curadores da delegação Central do Varejo.

Na abertura, José Fugice agradeceu o convite e explicou que o encontro reuniria um “compilado de conteúdo” do que foi acompanhado em Nova York durante a NRF, evento que descreveu como o “maior evento de varejo do mundo”, em formato que combina exposição e congresso.

Fugice também contextualizou a cobertura da delegação e os bastidores da programação, citando a participação de 230 pessoas na viagem deste ano e a presença de participantes de diferentes regiões do país, além de destacar que a Central do Varejo é “uma empresa de Ribeirão Preto”.

ACIRP


Segundo ele, a semana incluiu a visita à NRF, acompanhamento de conteúdo e uma agenda de visitas técnicas e experiências com empresas como Pinterest, Google, TikTok e um centro de distribuição da Amazon.

Ao detalhar aprendizados práticos, Fugice mencionou exemplos de aplicação de tecnologia para entender comportamento do consumidor no ponto de venda, como o uso de câmeras com inteligência artificial para mapear fluxo (heat map), medir conversão e identificar necessidade de reposição de produtos.

Ele também relacionou o tema à integração entre canais e ao desafio de equipar a linha de frente com informação sobre o cliente: “A gente entende que o consumidor hoje ele tem uma jornada única…”, disse, ao abordar omnicanalidade e o uso de dados para melhorar a experiência.

Na sequência, Bianca Murotani, sócia do ecossistema Goakira e responsável pela GDesign, vertical de arquitetura do grupo, apresentou um panorama da NRF e explicou o papel da curadoria na leitura de estratégias e bastidores das marcas, além de como o time se divide para cobrir trilhas paralelas do congresso.

Entre os destaques iniciais, Bianca apontou uma primeira tendência relacionada à evolução da busca e da compra mediada por IA, citando o movimento de ferramentas que permitem concluir a compra dentro do próprio ambiente conversacional, e os possíveis impactos na jornada e nos modelos de aquisição de tráfego.

Na lista de tendências, ela também destacou o avanço da IA aplicada à operação (“IA operacional”) e a leitura de que a tecnologia tende a atuar cada vez mais “nos bastidores”, além da necessidade de dados íntegros para treinar modelos e sustentar decisões.

Outro tema foi pagamentos como etapa de menor fricção na jornada, com menção a modelos como o Amazon Go e o uso de tecnologia para reduzir etapas no checkout.


Dando sequência à programação do Pós-NRF da ACIRP, o palco recebeu Gustavo Chapchap, CXO da JET, que apresentou um panorama sobre os principais movimentos do digital e os impactos no e-commerce a partir dos debates da NRF 2026.

Logo no início, Chapchap afirmou que “o digital é eixo”, destacando que tanto a inteligência artificial quanto o relacionamento com o consumidor “estão rodando no digital”. Segundo ele, independentemente de onde a jornada se conclua, o consumidor passa pelo ambiente digital antes da decisão de compra.

Ao tratar de tendências, o executivo ressaltou que, além de tecnologias avançadas, a NRF também evidenciou soluções simples aplicadas à experiência de loja. Como exemplo, citou a visita a uma unidade da Nespresso, onde, além de recursos digitais, havia a possibilidade de o cliente sentir o aroma do café por meio de um borrifador. “Isso pode ser dedicado também aos nossos negócios aqui”, afirmou.

Chapchap reforçou que o tema central da NRF 2026, “The Next Now”, esteve associado à aplicação prática das tecnologias já disponíveis. “A gente tá pronto para começar, a gente tá pronto para aplicar”, disse, ao defender que o momento é de execução e impacto real.

Jornada híbrida e influência digital

O executivo abordou o conceito de jornada híbrida, caracterizada por múltiplos pontos de contato e influência entre canais físicos e digitais. “Dificilmente a gente compra algo sem passar pelo digital”, afirmou. Segundo ele, a decisão de compra envolve pesquisa, comparação e interação em diferentes ambientes, o que altera a lógica linear tradicional.

Chapchap também destacou que o percentual de vendas online sobre o varejo total perde relevância quando se considera a influência do digital sobre toda a jornada. “Hoje esse número passa a ser uma bobagem, porque a gente está falando de uma jornada híbrida e da influência que tem no digital”, afirmou.

Entre os fatores que impulsionam o crescimento do e-commerce, ele citou a evolução das tecnologias e a consolidação da logística reversa como elemento de confiança. “A partir do momento que eu sei que eu posso comprar e se errar eu posso devolver, eu tenho garantia de que a minha jornada de compra vai dar certo”, declarou.

Google, IA generativa e IA agente

Um dos pontos centrais da apresentação foi a participação do CEO do Google na NRF. Chapchap destacou que a empresa apresentou uma mudança relevante na lógica de busca e descoberta de produtos.

Ele explicou a transição da IA generativa para a chamada IA agente, na qual o sistema passa a executar tarefas com base em parâmetros definidos pelo usuário. “Você vai dar a ordem, você vai dar os parâmetros e ele vai fazer. Pode trocar o preço dos produtos desde que a margem atinja tal patamar. Pode comprar por mim desde que atinja tais critérios”, afirmou.

Segundo Chapchap, a mensagem apresentada pelo Google foi de que “o varejo já entrou em um novo ciclo tecnológico, no qual a personalização e agentes inteligentes passam a estruturar a forma como os consumidores descobrem produtos, tomam decisões e concluem compras”.

Ele também alertou para o impacto da padronização promovida por grandes plataformas. Ao comentar o protocolo universal de e-commerce anunciado, afirmou que a exibição de produtos tende a se tornar mais uniforme, o que pode reduzir diferenciação. “Fica todo mundo muito igual, pode ser bom, pode ser ruim, talvez a diferença seja só preço”, disse.

Discovery commerce e TikTok Shop

Outro destaque da apresentação foi o avanço do chamado discovery commerce, com ênfase no TikTok. Segundo Chapchap, a compra deixa de começar na vitrine e passa a iniciar no feed.

“O consumidor deixa de buscar e passa a descobrir. A compra acontece durante o entretenimento. O desejo vem antes da intenção”, afirmou. Ele citou dados segundo os quais usuários acessam a plataforma em média 15 vezes por dia, permanecendo cerca de 107 minutos.

Para o executivo, o modelo reduz fricção entre descoberta e conversão. “Quem captura atenção vende, quem interrompe perde”, declarou, ao defender a produção de conteúdo com contexto como estratégia de relevância.

Chapchap destacou ainda que o TikTok Shop integra descoberta, página de produto e pagamento em um fluxo contínuo. Segundo ele, a plataforma representa uma ameaça competitiva a marketplaces tradicionais por combinar audiência e jornada de compra integrada.

IA invisível e eficiência operacional

Ao tratar do uso da inteligência artificial nas empresas, Chapchap afirmou que a “boa inteligência artificial é o que o cliente não percebe que está sendo utilizado”, associando o recurso ao ganho de eficiência e à remoção de tarefas operacionais.

Ele citou exemplos na área médica para ilustrar o uso da IA como apoio à tomada de decisão, ressaltando que a responsabilidade final permanece com o humano. “A decisão final é dele”, disse, referindo-se ao profissional.

Também mencionou cases apresentados na NRF, como o assistente digital da Ralph Lauren, desenvolvido em parceria com a Microsoft, e o Rufus, ferramenta da Amazon que auxilia na recomendação de produtos. Segundo ele, o Rufus já contribuiu para incremento de receita na companhia.

Ao encerrar, Chapchap afirmou que a liderança humana é determinante no uso das tecnologias. “A gente precisa liderar a inteligência artificial para que ela nos sirva”, declarou.


Na sequência da programação, Graciane Santos e Julia Menin, coordenadoras de projetos da GDesign, conduziram o público por um panorama das lojas visitadas pela delegação em Nova York, conectando os conceitos discutidos ao longo do evento às aplicações práticas no varejo físico.

Graciane destacou o papel da equipe na implantação e expansão de projetos pelo país, enquanto Julia apresentou a perspectiva de criação e conceito das lojas. Ambas contextualizaram a análise a partir de insights da WGSN, empresa de pesquisa de comportamento e tendências, ressaltando temas recorrentes na NRF 2026, como “humano como luxo”, experiência sensorial, confiança e comunidade.

Humano como luxo e experiência sensorial

Entre os conceitos apresentados, Julia destacou o “humano como luxo”, associado à busca por conexão e redução do excesso de estímulos digitais. Segundo ela, o consumidor busca “sentir, tocar textura, sentir cheiros”, reforçando a importância da experiência sensorial nas lojas físicas.

Outro ponto abordado foi o “third place”, conceito que posiciona a loja como um terceiro espaço de convivência além da casa e do trabalho. As coordenadoras também trataram da construção de confiança por meio da transparência e da prova concreta do que a marca entrega, em contraposição a promessas.

Lojas como plataforma de comunidade

Entre os exemplos apresentados, a marca texana Tecovas foi citada como caso de empresa nascida no digital que investiu no ponto físico para fortalecer relacionamento e lealdade. A loja, segundo Julia, convida o cliente à permanência, com espaços de convivência e ambientação que reforçam identidade e comunidade.

A francesa Printemps foi apresentada como exemplo de construção narrativa no espaço físico. Em vez de setorização tradicional por gênero ou categoria, a loja organiza ambientes por contextos inspirados em apartamentos parisienses, priorizando a experiência e o percurso do cliente. As palestrantes também destacaram a importância de clareza na jornada, após identificarem que parte do público não acessava determinados ambientes por falta de sinalização adequada.

Já a nova flagship da Nespresso, inaugurada em dezembro, foi descrita como “templo do café”, com foco na imersão sensorial e no relacionamento. A loja integra degustação, aulas com baristas e experiências olfativas, conectando produto e narrativa de marca.

Entretenimento, personalização e experimentação

As coordenadoras também apresentaram a LEGO como exemplo de loja que atua como “topo de funil físico”. Segundo dados mencionados, a visita ao ponto físico influencia a conversão no e-commerce. Entre os destaques estão áreas instagramáveis, personalização de produtos e programas de fidelização.

A britânica Gymshark (marca de roupas esportivas) foi citada como caso de marca digital que utiliza a loja física como mídia e plataforma de comunidade, com espaços para ativação e criação de conteúdo.

No campo da tecnologia, a Google foi apresentada com foco na Google Store, que busca demonstrar acessibilidade e aplicação prática dos produtos no cotidiano. Já a Meta foi mencionada pelo modelo Meta Lab, voltado à experimentação e educação do consumidor sobre seus dispositivos.

Outros cases incluíram a reformulação da Target, com exposição de produtos por contexto e pontos focais estratégicos; a política de recompra e remanufatura da Rimowa, associada à durabilidade e reuso; a imersão da The North Face em experiências ligadas à comunidade outdoor; e a personalização da Crocs, com produtos exclusivos para o mercado local.

Ao final, as palestrantes reforçaram que a loja física permanece relevante como espaço de relacionamento e experiência, complementando as discussões sobre tecnologia e inteligência artificial apresentadas anteriormente.


Encerrando o encontro, um painel reuniu Fabiana Borges, superintendente da Distrital Sul da ACIRP, José Fugice, Bianca Murotani, Graciane Santos, Julia Menin e Gustavo Chapchap para discutir aplicações práticas dos temas apresentados ao longo da noite.

Agentes de IA e aplicação prática no varejo

Uma das primeiras questões abordou o uso de agentes de inteligência artificial, além dos chatbots tradicionais, na automação da jornada do cliente. Chapchap afirmou que a aplicação deve estar vinculada a propósito e geração de valor real. Segundo ele, “desde que eles agreguem valor real a quem tá comprando, eles podem ser aplicados. Se eles forem um cotovelo, ou seja, for atrapalhar, é melhor que ele não seja aplicado”.

O executivo citou levantamento apresentado pelo Google na NRF, que analisou 25 grandes varejistas e identificou que apenas cinco conseguiam concluir a jornada de compra de ponta a ponta por meio de IA, sem falhas na transição entre etapas.

Ao longo da discussão, os painelistas reforçaram que a adoção de tecnologia deve partir da identificação de uma dor específica do negócio. “Qual que é a sua dor hoje? É atendimento? Como é que eu vou melhorar o atendimento e como eu posso usar a IA para melhorar o meu atendimento?”, questionou Bianca, ao defender diagnóstico prévio antes da implementação.

Jornada do consumidor brasileiro e loja física

O painel também tratou das mudanças na jornada do consumidor brasileiro. Julia destacou que o cliente busca cada vez mais contexto e curadoria no ponto de venda. Chapchap acrescentou que o consumidor brasileiro é altamente engajado em canais sociais e busca repertório para justificar suas escolhas.

Ao abordar o papel da loja física, os participantes afirmaram que o ponto de venda precisa oferecer um motivo claro para a visita. “O que que vai fazer você sair da sua casa e ir numa determinada loja? Tem que ter algum motivo para você ir lá”, afirmou um dos painelistas.

Entre as estratégias citadas estiveram eventos, serviços agregados, experiências e construção de comunidade. A loja física foi descrita como espaço de conexão, entretenimento e relacionamento, além de ponto de transação.

Dados, presença digital e ranqueamento

Na parte final do painel, o debate avançou para presença digital e ranqueamento em ambientes de busca e inteligência artificial. Os participantes defenderam atuação consistente em múltiplos canais, com produção de conteúdo estruturado.

“Todo mundo tem dados, mas poucos são analisados e cruzados”, afirmou Julia, ao sugerir que o primeiro passo é organizar e interpretar as bases de dados já disponíveis no negócio.

Chapchap relatou experiência pessoal sobre a importância de entender como o cliente pesquisa e consome conteúdo, ressaltando a necessidade de adaptar linguagem e formato aos canais utilizados.

O painel também discutiu a relevância de reputação digital, avaliações e presença ativa em diferentes plataformas. “Você vai ter que trabalhar isso aí”, afirmou Fugice ao comentar sobre ranqueamento e recomendação em sistemas de IA.

Com palestras e debate, o Pós-NRF da ACIRP reuniu empresários e representantes do comércio de Ribeirão Preto e região para discutir aplicações práticas das tendências apresentadas na NRF 2026, conectando tecnologia, experiência de loja e estratégia de negócios ao contexto local.

Os principais aprendizados da NRF 2026 também serão debatidos presencialmente em São Paulo no Pós-NRF da Central do Varejo. Serão duas edições, nos dias 10 e 12 de fevereiro, reunindo especialistas e curadores da delegação Central do Varejo para analisar tendências e aplicações práticas para o varejo. Clique abaixo e se inscreva, as vagas são limitadas:

10/02 – Auditório Santander (São Paulo)

12/02 – Auditório TOTVS (São Paulo)

Imagens: Central do Varejo

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