Operação
Walmart e Target iniciam nova fase em meio a trajetórias divergentes
As redes varejistas Walmart e Target divulgarão seus resultados do quarto trimestre fiscal em momentos distintos, mas o foco do mercado está direcionado para os novos CEOs e para as perspectivas de consumo nos Estados Unidos em 2026.
As duas companhias anunciaram mudanças na liderança neste mês. John Furner assumiu como CEO do Walmart e Michael Fiddelke passou a comandar a Target em 1º de fevereiro. Ambos são executivos com longa trajetória interna nas respectivas empresas.
Embora enfrentem desafios econômicos semelhantes, como inflação e tarifas que pressionam preços de alimentos e itens essenciais, as duas redes apresentam desempenhos distintos em vendas e no mercado acionário.
As ações do Walmart acumulam alta de aproximadamente 163% nos últimos cinco anos e avançaram cerca de 24% no último ano, até o fechamento de terça-feira, atingindo a máxima de 52 semanas. Já os papéis da Target recuaram cerca de 40% em cinco anos e caíram 9% no último ano.
O desempenho reflete os resultados operacionais. O Walmart tem ampliado a base de clientes em diferentes faixas de renda e registrado crescimento no comércio eletrônico e em negócios de maior margem, como publicidade. A empresa projeta alta anual de vendas líquidas entre 4,8% e 5,1%. A Target, por sua vez, caminha para registrar queda nas vendas anuais.
Segundo Neil Saunders, diretor-gerente e analista de varejo da GlobalData, Furner assumiu um negócio “fundamentalmente sólido” e “em uma ótima trajetória”. De acordo com ele, “em muitos aspectos, o trabalho dele é manter o navio estável e ver o que pode fazer para aumentar a velocidade”.
Já no caso da Target, Saunders afirma que Fiddelke precisa “vender a Target do futuro” após quatro anos de vendas anuais praticamente estáveis. “O que acho que ele vai querer fazer é injetar algum entusiasmo, dizer: ‘Olhem, estou muito animado com essa função. Estou muito animado com o rumo que a Target pode tomar. Vamos mudar coisas. Vamos nos tornar um negócio diferente. Vamos voltar ao que éramos antes’”, afirmou.
Walmart amplia foco em tecnologia e inteligência artificial
O Walmart divulgará seus resultados antes da abertura do mercado na quinta-feira. Nos últimos meses, a companhia ultrapassou US$ 1 trilhão em valor de mercado e transferiu sua listagem da Bolsa de Nova York para a Nasdaq 100 em janeiro.
Ao deixar o cargo, o ex-CEO Doug McMillon afirmou, em entrevista à CNBC, que estava passando a liderança para Furner em um momento em que a empresa acelera a adoção de inteligência artificial e reformula seu modelo de negócios e a forma como os consumidores compram.
O Walmart firmou acordos com as plataformas de chatbot ChatGPT, da OpenAI, e Gemini, do Google, para facilitar a busca e a compra de produtos. Furner comandava anteriormente a divisão Walmart U.S., maior segmento da companhia, e foi escolhido em parte pelo desempenho na expansão do negócio digital.
Em maio, a empresa registrou seu primeiro trimestre lucrativo no comércio eletrônico nos Estados Unidos e globalmente, impulsionada por entregas domiciliares, publicidade e marketplace de terceiros.
Corey Tarlowe, analista da Jefferies, afirmou que os investidores do Walmart “querem mais do mesmo” — crescimento no comércio eletrônico, desempenho no segmento de alimentos e ganho de participação de mercado entre consumidores de maior renda.
Saunders afirmou que a possível ultrapassagem do Walmart pela Amazon como maior varejista em receita anual seria “simbolicamente importante”, ainda que as empresas tenham modelos de negócios diferentes.
Como maior rede de supermercados em receita nos Estados Unidos, o Walmart também enfrenta a expansão da rede de descontos Aldi e a concorrência da Kroger, que contratou recentemente o ex-executivo do Walmart Greg Foran como CEO.
Em comunicado interno enviado aos funcionários, Furner afirmou que a empresa “está bem posicionada para liderar nesta próxima era do varejo”. Segundo ele, “essa próxima era vai desbloquear novas formas de dar vida à nossa visão liderada por pessoas e impulsionada por tecnologia”.
O executivo declarou ainda que “tecnologia e IA estão ajudando a reduzir atritos no nosso trabalho, simplificar decisões, melhorar o fluxo de estoques e liberar tempo para que vocês se concentrem no que mais importa: atender clientes e membros e uns aos outros”.
Target apresenta plano de reestruturação
A Target divulgará seus resultados em 3 de março, durante reunião financeira em sua sede em Minneapolis. A companhia enfrenta queda no tráfego de lojas e no site, além de questionamentos sobre estratégia e posicionamento.
A empresa reduziu 1.800 cargos corporativos no ano passado, na primeira demissão em larga escala em uma década, e anunciou cortes adicionais de cerca de 500 funções em centros de distribuição e escritórios regionais. Ao mesmo tempo, informou que aumentará o número de funcionários nas lojas.
Para Kate McShane, analista da Goldman Sachs, o relatório da Target é mais aguardado do que o do Walmart devido às dúvidas sobre a estratégia de recuperação e o prazo para retomada do crescimento. Segundo ela, o Walmart adotou uma agenda digital “muito mais agressiva” do que a Target em omnichannel, automação e marketplace.
“Eles precisam descobrir quem querem ser e como competir”, afirmou.
Em seu primeiro comunicado a funcionários e clientes, Fiddelke definiu quatro prioridades: aprimorar o sortimento de produtos, melhorar a experiência do cliente, acelerar tecnologia e fortalecer a força de trabalho e as comunidades onde a empresa atua.
Segundo Corey Tarlowe, da Jefferies, o próximo evento com investidores será “uma oportunidade para eles basicamente se comunicarem com todos e dizerem: ‘Nós ouvimos o que vocês querem. Aqui está como vamos entregar isso’”.
“Há mudanças acontecendo; a questão é se o mercado as percebe e as valoriza”, declarou.
Imagem gerada com auxílio de inteligência artificial
Informações: Melissa Repko para CNBC
Tradução livre: Central do Varejo
