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Faturamento das PMEs inicia 2026 em crescimento, aponta IODE-PMEs

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O faturamento das pequenas e médias empresas (PMEs) brasileiras iniciou 2026 em crescimento, segundo dados do Índice Omie de Desempenho Econômico das PMEs (IODE-PMEs). Em janeiro, a movimentação financeira média real das empresas avançou 1,3% na comparação com o mesmo mês de 2025.

Apesar do resultado positivo, o desempenho indica desaceleração em relação ao quarto trimestre de 2025, quando o índice registrou alta de 6,4% na comparação anual. O indicador passou a acumular oito meses consecutivos de crescimento, movimento iniciado em junho de 2025.

O IODE-PMEs funciona como um termômetro da atividade econômica das empresas com faturamento anual de até R$ 50 milhões, acompanhando 750 atividades econômicas distribuídas entre os setores de Comércio, Indústria, Infraestrutura e Serviços.

De acordo com os dados, o mercado de PMEs tem demonstrado sensibilidade às mudanças nas dinâmicas de renda e à confiança dos consumidores. Em janeiro, o Índice de Confiança do Consumidor da FGV (ICC-FGV) registrou o primeiro recuo em cinco meses, período que coincidiu com a fase de maior avanço do IODE-PMEs ao longo de 2025, reforçando o movimento de desaceleração observado no início deste ano.

No recorte setorial, a Indústria registrou crescimento de 3,3% em janeiro na comparação anual, reforçando o processo de recuperação iniciado em maio de 2025. O avanço, no entanto, não foi disseminado de forma homogênea: dos 23 subsetores da indústria de transformação acompanhados pelo índice, 11 apresentaram crescimento do faturamento real. Entre os destaques estão “confecção de peças do vestuário e acessórios” e “máquinas e equipamentos”.

O setor de Infraestrutura também voltou ao campo positivo, com avanço de 7,8% na comparação com janeiro de 2025. Ainda assim, segmentos ligados à construção civil permaneceram em retração, como construção de edifícios e serviços especializados para construção, refletindo a manutenção das taxas de juros em patamares elevados e a volatilidade da confiança.

Em sentido contrário, Comércio e Serviços registraram queda no período. No Comércio, o faturamento médio real recuou 4,4% na comparação anual, após ter avançado 2,8% no mês anterior. A retração foi observada tanto no atacado quanto no varejo, que registraram quedas de 2,6% e 3,0%, respectivamente. Apesar do resultado agregado negativo, alguns segmentos varejistas apresentaram crescimento, com destaque para “artigos fotográficos” e “plantas e flores naturais”.

No setor de Serviços, o faturamento real das PMEs recuou 2,2% em relação a janeiro de 2025, interrompendo uma sequência de sete meses consecutivos de crescimento. O resultado foi parcialmente sustentado por segmentos como alojamento e alimentação e saúde humana e serviços sociais.

Com a incorporação dos dados de janeiro, o IODE-PMEs mantém trajetória de crescimento acumulado desde meados de 2025. Entre os fundamentos observados nos últimos meses estão a manutenção do desemprego em níveis historicamente baixos e a redução das expectativas inflacionárias para 2026, fatores que influenciam o ambiente econômico. Também há expectativa de que o Banco Central inicie um novo ciclo de cortes de juros ainda no primeiro trimestre.

Para 2026, o cenário aponta para maior cautela por parte dos empresários, em um ambiente caracterizado por incerteza e volatilidade macroeconômica nos cenários doméstico e internacional. Historicamente, anos eleitorais não estão associados a retrações expressivas da atividade econômica, mas tendem a influenciar decisões de investimento diante de um contexto de maior prudência por parte dos agentes econômicos.

Imagem: Freepik

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