Operação
Ações da Adidas caem após projeção de lucro para 2026 abaixo das expectativas
As ações da Adidas registraram queda de até 8% na manhã desta quarta-feira (4) após a divulgação das projeções da empresa para 2026. A companhia alemã de artigos esportivos informou que espera crescimento de receita em um dígito alto em relação ao faturamento de 24,8 bilhões de euros registrado em 2025.
A empresa projeta que o lucro operacional alcance cerca de 2,3 bilhões de euros em 2026, mesmo diante de um impacto negativo estimado em 400 milhões de euros decorrente de tarifas dos Estados Unidos e de variações cambiais desfavoráveis.
Analistas do RBC Capital Markets afirmaram que a projeção de rentabilidade ficará abaixo das expectativas do mercado. “A projeção de rentabilidade vai decepcionar os investidores”, disseram os analistas, acrescentando que o guidance divulgado ficou cerca de 15% abaixo das estimativas gerais. “A questão será o quão conservadora é a orientação de EBIT, considerando a abordagem preferida da Adidas de ser prudente no início do ano.”
Segundo o analista James Grzinic, da Jefferies, a margem implícita de aproximadamente 9% com base no lucro operacional projetado de 2,3 bilhões de euros está abaixo do que era esperado.
No quarto trimestre, as vendas e o lucro também ficaram levemente abaixo das projeções do mercado. A Adidas registrou receita de 6,1 bilhões de euros e lucro de 164 milhões de euros em moedas constantes, de acordo com estimativas da FactSet.
O CEO da empresa, Bjørn Gulden, destacou o desempenho da companhia no período. “Conseguir crescimento de dois dígitos no quarto trimestre apesar de toda a turbulência externa, e mais do que dobrar nosso lucro operacional no trimestre, fez com que o ano terminasse muito bem.”
A empresa também apresentou metas de médio prazo. A expectativa é de crescimento anual das vendas, em moedas constantes, em ritmo de um dígito alto entre 2026 e 2028, enquanto o lucro operacional deve avançar a uma taxa anual de crescimento na faixa média de dois dígitos no período.
Por volta do início da tarde na Europa, os papéis da Adidas registravam queda de 6,7%, atingindo uma nova mínima em 52 semanas.
Nos últimos 12 meses, as ações da companhia acumularam queda de aproximadamente 43%. Investidores demonstram cautela em relação às perspectivas futuras da empresa.
O setor global de artigos esportivos também enfrenta pressões relacionadas ao excesso de oferta e à mudança nas preferências dos consumidores na China. Empresas do mesmo segmento, como Puma e Nike, também passam por processos de reestruturação. Em outubro, o CEO da Nike afirmou à CNBC que “levará algum tempo” para que a companhia volte a apresentar crescimento lucrativo.
A Adidas também anunciou a extensão do contrato do CEO Bjørn Gulden até 2030. Gulden assumiu o comando da empresa em 2023 após a companhia encerrar a parceria com o rapper Ye, anteriormente conhecido como Kanye West, depois de declarações antissemitas que levaram ao rompimento do acordo e afetaram as vendas da linha de tênis Yeezy.
Imagem: Chuttersnap/Unsplash
Informações: Elsa Ohlen para CNBC
Tradução livre: Central do Varejo
