Economia

Varejo recua 3,0% em termos reais em abril, o pior resultado em 13 meses, diz ICVA

Pressão inflacionária, maior comprometimento de renda e efeito calendário da Páscoa derrubam o consumo; e-commerce avança 6,5% e segue como principal vetor de crescimento

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O varejo brasileiro recuou 3,0% em termos reais em abril de 2026, descontada a inflação, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, segundo o Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA). É o pior resultado em mais de um ano. Em março de 2025, o setor havia caído 3,8%.

O desempenho de abril foi influenciado por uma combinação de fatores. A Páscoa ocorreu no início do mês, antecipando parte das compras sazonais para março. Em 2025, além de a data ter caído mais tarde, houve emenda com o feriado de Tiradentes, favorecendo segmentos ligados a lazer, alimentação fora do lar e turismo, criando uma base de comparação mais exigente para abril deste ano. Somam-se a isso a inflação mais pressionada e o maior comprometimento da renda das famílias.

“O resultado de abril mostra um consumidor mais seletivo e atento ao orçamento. Em um ambiente de inflação mais elevada em itens essenciais, o varejo tende a sentir primeiro a desaceleração nas categorias discricionárias. Ao mesmo tempo, segmentos ligados a conveniência, saúde e eficiência de compra continuam demonstrando maior capacidade de adaptação”, afirma Carlos Alves, vice-presidente de Tecnologia e Negócios da Cielo.

A inflação também teve papel central no resultado. O IPCA-15 avançou 0,89% em abril, acima dos 0,43% registrados no mesmo mês de 2025. No acumulado de 12 meses, o índice chegou a 4,37%. Alimentação e transportes concentraram cerca de 65% da alta mensal, pressionados pela elevação dos preços de combustíveis e alimentos consumidos dentro do domicílio.

Canais

No recorte por canais, o e-commerce seguiu como principal vetor de crescimento, avançando 6,5% em termos nominais na comparação anual. O comércio físico apresentou estabilidade, com alta nominal de apenas 0,2%.

“A pressão inflacionária de abril não apenas comprimiu o resultado real do varejo, mas também alterou o perfil de consumo das famílias. Setores essenciais demonstraram maior resiliência, enquanto categorias mais discricionárias sentiram de forma mais intensa os efeitos do aperto no orçamento do consumidor. O ambiente econômico mais pressionado favorece decisões de compra mais racionais. O canal digital se beneficia justamente da facilidade de comparação de preços, da conveniência e da ampliação da oferta logística em diversas regiões do país”, diz Alves.

Macrossetores

Entre os macrossetores, o maior recuo real foi registrado por serviços (-5,5%), impactados pelo efeito calendário desfavorável em categorias como alimentação fora do lar, recreação, lazer e turismo. Bens duráveis e semiduráveis recuaram 4,9%, com vestuário e artigos esportivos como principais detratores, seguidos por móveis, eletro e departamentos. Bens não duráveis tiveram o desempenho menos negativo, com retração real de 1,6%, com drogarias e farmácias como principal destaque positivo do grupo.

Regiões

Todas as regiões do país registraram retração real em abril. O Nordeste teve o pior desempenho, com queda de 4,7%, seguido por Norte (-3,8%), Sudeste (-3,4%) e Sul (-2,7%). O Centro-Oeste apresentou o menor recuo, de 1,4%. Entre os estados, o Amapá liderou com crescimento real de 2,7%, enquanto Piauí (-7,7%), Rio Grande do Norte (-6,6%) e Pernambuco (-5,5%) registraram as maiores quedas.

Imagem: Envato

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