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Governo renova isenção de impostos para importação de carros elétricos; Anfavea critica decisão e aponta risco para produção nacional
Comitê-Executivo do Gecex restabelece incentivos a veículos elétricos importados em kits CKD e SKD; setor automotivo alerta para impacto sobre R$ 140 bilhões em investimentos anunciados
O Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex) decidiu restabelecer incentivos à importação de veículos elétricos desmontados e semidesmontados, nas modalidades CKD (completely knocked down) e SKD (semi knocked down). A medida renova benefícios que haviam expirado em fevereiro, quando as cotas para importação de kits de veículos elétricos foram encerradas conforme cronograma estabelecido pelo próprio governo após negociação com o setor produtivo.
A decisão gerou reação imediata da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), que divulgou nota de repúdio à medida.
“A decisão, tomada sem consulta ao setor produtivo, altera de forma intempestiva uma política definida pelo próprio Governo Federal, que teve como objetivo combinar a expansão da eletromobilidade no Brasil com a atração de investimentos produtivos de longo prazo para o país”, afirma a entidade em nota.
A Anfavea destaca que nos últimos anos o setor respondeu aos estímulos da política pública com anúncios expressivos. As fabricantes comprometeram R$ 140 bilhões em investimentos no Brasil até 2033, destinados a novas formas de propulsão, pesquisa, engenharia, modernização industrial e ampliação da cadeia de fornecedores. Em 2025, os veículos eletrificados produzidos no país responderam por 25,9% das vendas do segmento. No acumulado até maio, o mercado atendido por veículos produzidos no Brasil cresceu 57% na comparação com o mesmo período de 2025.
“Ao prolongar benefícios que haviam sido criados como temporários, o governo coloca em xeque a confiança de empresas que ajustaram seus planos de investimento contando com as regras pactuadas”, destaca a nota da Anfavea.
A entidade também ressalta o impacto sobre trabalhadores e fornecedores. A decisão foi precedida por dezenas de manifestações públicas de sindicatos, centrais sindicais, federações empresariais e associações da indústria, segundo a Anfavea, contrários à renovação dos incentivos. A indústria automotiva brasileira está presente em nove estados do país.
O mercado de elétricos no Brasil cresceu de forma acelerada nos últimos anos. Os emplacamentos de veículos eletrificados importados cresceram 214% entre 2023 e 2025, segundo dados da própria Anfavea. Novas marcas chegaram ao mercado e a oferta de modelos disponíveis ao consumidor ampliou-se de forma significativa no período.
Para a Anfavea, o debate não é sobre a transição energética em si. “O que está em debate, com essa decisão, não é a transição energética, que já está em curso e não vai parar. O que está em debate é qual modelo de desenvolvimento o país pretende incentivar para a nova mobilidade e qual espaço será reservado à produção nacional nesse processo”, conclui a entidade.
A associação afirma que continuará defendendo a descarbonização e a eletrificação da frota, mas sustenta que benefícios destinados à importação cumprem papel mais relevante em fases iniciais de implantação industrial – e que a renovação, em um momento de expansão da produção local e de investimentos já anunciados, reduz os incentivos para a evolução produtiva esperada dessa nova etapa da indústria automotiva.
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