E-commerce
Brasil lidera avanço do social commerce, diz estudo da DHL
Relatório aponta o país como líder em conveniência digital e compras por redes sociais na América Latina, com forte demanda por produtos importados da China
O Brasil se destaca como um dos mercados mais avançados do mundo em conveniência digital e engajamento no comércio eletrônico, segundo o DHL eCommerce Trends Report 2026. O levantamento ouviu mil consumidores brasileiros dentro de uma amostra global de 29 mil pessoas e 5,8 mil empresas em seis regiões. De acordo com o estudo, 96% dos brasileiros entrevistados se identificam como compradores orientados por conveniência, e 94% se descrevem como caçadores de ofertas. O social commerce aparece como um dos principais vetores desse comportamento.
O relatório aponta que 69% dos brasileiros já compraram pelo TikTok, seguido por Instagram (67%) e Facebook (59%). Entre os usuários que compram pelo TikTok, 77% pertencem à Geração Z, 68% são millennials, 63% integram a Geração X e 61% são baby boomers.
Ofertas e descontos motivam 71% das compras feitas em redes sociais, segundo a pesquisa. O relatório também indica que 53% dos consumidores esperam ampliar as compras via aplicativos nos próximos cinco anos.
O avanço do social commerce no Brasil coloca o país entre os principais mercados do TikTok
Com esse desempenho, o Brasil ocupa a quarta posição entre os maiores mercados de compras pelo TikTok no mundo, atrás de Malásia, Arábia Saudita e Reino Unido, segundo o levantamento da DHL. Os Estados Unidos completam o top 5.
O estudo também mapeou a demanda por compras internacionais. Segundo a DHL, 82% dos brasileiros compram produtos da China, 56% dos Estados Unidos e 11% da Argentina. O dado posiciona o Brasil como terceiro maior importador de produtos chineses, atrás de Tailândia (95%) e Malásia (87%).
Preço competitivo é citado por 62% dos entrevistados como motivo para a compra internacional, enquanto 42% apontam baixa disponibilidade de produtos no mercado local, de acordo com o relatório.
O crescimento das compras cross-border enfrenta obstáculos. A pesquisa mostra que 58% dos consumidores citam taxas e impostos alfandegários como principal barreira, e 47% apontam custos ou prazos de entrega. Nos últimos três meses, 79% dos entrevistados abandonaram carrinhos de compra por cobranças inesperadas, segundo a DHL.
Frete grátis é apontado por 47% dos consumidores como fator decisivo para a conclusão da compra. Para os próximos cinco anos, 65% afirmam que comprariam mais internacionalmente com entrega gratuita, 58% citam clareza sobre prazos de entrega e 54% mencionam segurança nos pagamentos.
O relatório também identifica avanço do consumo sustentável. Segundo a DHL, 46% dos brasileiros já compraram produtos feitos com materiais reciclados.
Sobre o uso de inteligência artificial, a pesquisa aponta que 61% dos consumidores brasileiros priorizam recursos de detecção de fraudes, 59% valorizam informações de sustentabilidade e 59% citam interesse em reposição automática de produtos. Previsão de tendências de consumo é mencionada por 58% dos entrevistados. Apesar do interesse, 65% dos brasileiros relatam preocupações com privacidade e segurança no uso de IA, segundo o levantamento.
Pablo Ciano, CEO global da DHL eCommerce, afirma que o Brasil combina comportamento orientado à conveniência com adoção digital acelerada. “Do crescimento do social commerce à demanda cross-border, os consumidores brasileiros estão moldando o futuro do varejo online em toda a América Latina”, diz.
Segundo Ciano, os varejistas que reduzirem as lacunas identificadas pelo relatório, como atrito em compras internacionais e falta de transparência em prazos, estarão mais bem posicionados para captar crescimento no mercado latino-americano de e-commerce.
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