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Reforma tributária leva o varejo a rever onde instala filiais e centros de distribuição
No Universo TOTVS 2026, especialistas da empresa explicaram como a cobrança no destino desmonta o planejamento baseado em benefícios fiscais na origem
A reforma tributária vai obrigar varejistas a rever onde instalam filiais e centros de distribuição. A avaliação foi apresentada por Fernando Machado, gerente na TOTVS, nesta quarta-feira (14), no Universo TOTVS 2026.
Segundo Machado, as alíquotas hoje são definidas na origem da mercadoria. Com a reforma, passam a ser definidas no local de consumo, o que afeta o planejamento de expansão das empresas.
A palestra foi realizada no Palco Fiscal do evento, no Expo Center Norte, em São Paulo, ao lado de Isabela Carneiro de Araujo Vidal, analista na TOTVS.
Reforma tributária muda a lógica da origem
Isabela afirmou que muitas empresas tratam a reforma como uma simples troca de impostos, com a saída de ICMS, PIS e Cofins e a entrada de novos tributos. Segundo ela, a mudança alcança o desenho da operação.
Hoje, a logística e o planejamento tributário do varejo consideram onde a comercialização começa. É ali que a empresa obtém benefícios fiscais ou alíquotas menores.
Com a cobrança no destino, a escolha do local de um centro de distribuição para reduzir custo tributário perde efeito, segundo a analista.
O fim do DIFAL
Isabela lembrou que o modelo atual criou mecanismos como o diferencial de alíquota (DIFAL), usado para dividir o ICMS entre o estado de origem e o estado onde o produto é consumido.
Com a reforma, a arrecadação passa a ser destinada integralmente ao local de consumo. O DIFAL deixa de existir com a extinção do ICMS, prevista para 2033.
Cronograma até 2033
A reforma está em fase de testes desde janeiro, com alíquotas de 0,9% de CBS e 0,1% de IBS, segundo o cronograma da Lei Complementar 214/2025.
Em 2027, PIS e Cofins são extintos e a CBS passa a ser cobrada integralmente. Entre 2029 e 2032, o IBS substitui gradualmente o ICMS e o ISS, em etapas de 10% ao ano. O modelo entra em vigor pleno em 2033.
Poucas empresas preparadas
Pesquisa da Grant Thornton com a Anefac, divulgada em setembro, mostra que só 14% das empresas se consideram muito preparadas para a reforma. Outras 77% já concluíram ou estão fazendo simulações de impacto. O levantamento ouviu 115 empresas entre abril e junho.
A mesma pesquisa aponta que 22% das empresas não avaliaram se seus clientes conseguirão recuperar integralmente os créditos dos tributos.
No varejo, pesquisa da Zucchetti Brasil com a Central do Varejo, feita com 373 empresários e gestores em 21 estados e no Distrito Federal, mostra que 55% esperam que a reforma provoque grandes mudanças no dia a dia das empresas.
Segundo o mesmo levantamento, 41% dos varejistas apontam a carga tributária como o fator que mais limita o crescimento do setor.
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Imagem: Victor Cortez/Central do Varejo
