Economia
Chilli Beans pede recuperação extrajudicial para renegociar R$ 340 milhões em dívidas bancárias
Rede de óculos e relógios com cerca de 900 franquias no Brasil projeta faturamento de R$ 940 milhões em 2026, queda de 6% sobre 2025
A Chilli Beans protocolou na sexta-feira (30/10) um pedido de recuperação extrajudicial para renegociar R$ 340 milhões em dívidas com bancos, segundo a empresa. O plano prevê aporte de até R$ 50 milhões, financiado pelos próprios credores.
O Itaú, a Akron Capital e a Vega Asset atuam como financiadores âncora e coordenam a entrada dos novos recursos, conforme a rede. A renegociação alcança apenas as dívidas financeiras. Fornecedores, funcionários e demais parceiros ficam fora do processo, de acordo com a companhia.
Na recuperação extrajudicial, a empresa negocia o plano diretamente com os credores e submete o acordo à homologação da Justiça, descreve a Exame.
Em entrevista à Exame, o fundador e CEO, Caito Maia, atribuiu o endividamento a dois fatores. O primeiro foi a alta dos juros, que atingiu os franqueados e encareceu a dívida da companhia. Segundo ele, o movimento “pressionou o caixa e criou uma bola de neve”.
O segundo foi a inadimplência de parte da rede franqueada, que, de acordo com Maia, saiu de cerca de 3% para cerca de 22% no período pós-pandemia. Hoje, segundo o executivo, o índice está na faixa de 4%.
Receita e rede da Chilli Beans antes da recuperação extrajudicial
De acordo com a Exame, o faturamento da rede passou de R$ 890 milhões em 2023 para R$ 1 bilhão em 2025, alta de 12,36%. Para 2026, a expectativa é de R$ 940 milhões, queda de 6% sobre o ano anterior.
A Chilli Beans tem cerca de 900 franquias no Brasil e opera em mais de 14 países, segundo a revista. Em outubro, abriu nove unidades no mercado brasileiro e quatro na América do Sul.
Para 2027, ano do 30º aniversário da marca, Maia disse à Exame que pretende dar mais foco a qualidade e eficiência do que à quantidade de lojas, em um cenário de juros elevados.
O pedido se junta a outros do varejo em 2026. A Ri Happy, que busca renegociar R$ 827,4 milhões por recuperação extrajudicial, teve o processamento deferido pela Justiça de São Paulo em 23 de outubro, como informou a Central do Varejo.
A Casas Bahia soma R$ 17,3 bilhões em dívidas no processo de recuperação judicial aberto em agosto.
Com informações de: Exame, Estadão Conteúdo para InfoMoney e Meio & Mensagem.
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