NRF2026

Alo Yoga e Tailored Brands mostram como a IA passou a orientar decisões críticas de merchandising

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Executivos da Alo Yoga e da Tailored Brands subiram ao palco da NRF 2026 para discutir como a inteligência artificial vem sendo aplicada de forma prática na evolução do planejamento de merchandising. O debate teve como eixo central a substituição de processos altamente manuais por modelos orientados por otimização financeira e previsões baseadas em dados.

A sessão foi mediada por Gurhan Cook, fundador e CEO da iman.ai, plataforma de IA especializada em planejamento de estoque, sortimento e precificação. O executivo iniciou dizendo que grande parte das soluções utilizadas historicamente pelo varejo se apoia em regras fixas e automações derivadas de decisões humanas prévias. Segundo ele, a proposta da empresa é tratar cada unidade de estoque como um investimento financeiro, cujo posicionamento inadequado pode gerar perdas relevantes.

Representando a Alo Yoga, Casey Khan, vice-presidente de planejamento, alocação e S&OP, descreveu um ambiente operacional marcado por alta complexidade. A marca trabalha com ciclos acelerados de lançamentos, introduzindo novos produtos a cada duas semanas, o que afeta tanto lojas físicas quanto o e-commerce. “Temos muita arte no que fazemos, mas precisávamos de mais ciência para sustentar esse ritmo”, afirmou, ao explicar a busca por uma solução capaz de acompanhar a velocidade do negócio.

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A executiva destacou que a principal dificuldade estava em prever demanda para produtos inéditos, distribuídos globalmente em um curto espaço de tempo. A implementação da IA começou pelos processos de alocação e reposição, permitindo ganhos rápidos. Segundo Khan, o projeto piloto foi implementado em cerca de seis semanas e resultou em impacto positivo de vendas em dois dígitos, mantendo os mesmos níveis de estoque: “Não foi apenas um indicador que melhorou. Os resultados apareceram de forma consistente em vários KPIs”.

Na Tailored Brands, grupo responsável por marcas como Men’s Wearhouse e Joseph A. Bank, o desafio era distinto. Jamie Bragg, Chief Supply Chain Officer, explicou que a empresa opera um modelo híbrido, combinando varejo tradicional e um negócio relevante de aluguel de trajes formais. Esse formato gera uma cadeia logística circular, com milhões de unidades em trânsito durante os períodos de pico: “Tínhamos um sistema que eu mesmo ajudei a desenhar há mais de 20 anos, baseado essencialmente em extrações de Excel”.

O primeiro uso da IA no grupo ocorreu justamente no negócio de aluguel, onde não havia uma ferramenta estruturada de planejamento. A partir dos resultados obtidos, a solução passou a ser adotada também no varejo. Bragg relatou que a organização buscava reduzir o volume total de estoque sem comprometer vendas, além de melhorar a disponibilidade de itens considerados críticos. “Nossos SKUs ‘never out’ passaram de cerca de 60% para mais de 90% de disponibilidade, o que gerou aproximadamente US$ 60 milhões adicionais em receita”, disse.

Um ponto recorrente na discussão foi a confiança das equipes nos sistemas. Bragg destacou que, quando os resultados gerados por ferramentas não fazem sentido para os times, surgem planilhas paralelas e ajustes manuais: “O grande diferencial foi que os resultados começaram a fazer sentido para os merchants desde o início”. Esse fator reduziu a dependência de processos manuais e aumentou a produtividade das equipes.

Ambas as empresas destacaram que a ordem de implementação foi decisiva para o sucesso. A Alo Yoga iniciou por reposição e alocação para capturar ganhos rápidos, enquanto a Tailored Brands priorizou categorias core com alta recorrência. Em ambos os casos, os resultados iniciais ajudaram a criar adesão interna antes da expansão para sortimento e otimização de compras.

A discussão também abordou os riscos associados a projetos de IA. Bragg afirmou que iniciativas desse tipo exigem clareza de objetivos e processos bem definidos. “Se a organização apenas ordena que todos usem IA, os resultados não aparecem”, avaliou, ressaltando que o aprendizado contínuo faz parte do processo. Khan complementou que visão de longo prazo e colaboração entre fornecedor e varejista foram determinantes para a evolução do projeto na Alo Yoga.

*A missão NRF 2026 é uma realização da Central do Varejo, com patrocínio da TOTVS e Getnet.


(*) Elifas de Vargas é formado em Marketing, com especialização em Quality Service pela Disney Institute na Flórida-USA. É criador do método FastVideos, produção rápida e versátil de vídeos para web, utilizando apenas o smartphone. Responsável por fundar a primeira webtv privada do Rio Grande do Sul, em 2006, dentro da incubadora tecnológica da Univates, possui ampla experiência em comunicação e é Terapeuta Comportamental pela Escola de Executivos e Negócios Instituto Albuquerque, certificada pela Fundação Napoleon Hill. Empresário, Co-Founder da Agência de Marketing Kreativ desde 2010, com sede em Lajeado/RS e filiais em POA/RS e Rio de Janeiro/RJ, está sempre em busca de experiências que impactem os negócios de seus clientes.

Imagens: Elifas de Vargas

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