Operação
Fim das bets: quanto pode voltar ao consumo das famílias
Fabrício Tonegutti, da Mix Fiscal, projeta que supermercados e farmácias sentiriam o alívio primeiro, e móveis e eletrodomésticos dependem de crédito e juros
O fim das bets pode devolver ao orçamento das famílias cerca de R$ 31 bilhões por ano se as perdas com apostas caírem pela metade, calcula Fabrício Tonegutti, diretor da Mix Fiscal, consultoria tributária para o varejo. O cálculo é hipotético e parte de estimativa de terceiros.
A MP que proíbe as apostas, assinada em 25 de setembro, precisa ser aprovada pelo Congresso em até 120 dias.
Fim das bets: estimativas sobre o dinheiro das famílias são contestadas
A conta usa os R$ 62,5 bilhões que as famílias teriam transferido às plataformas em 2025, em termos líquidos, segundo estudo do Comsefaz com o Centro Celso Furtado. A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) contestou o número, e a Fazenda aponta receita bruta de cerca de R$ 37 bilhões das apostas no ano.
Sobre essa base, o Made, da USP, estimou que a queda do consumo retirou de R$ 120 bilhões a R$ 141 bilhões da atividade em 2025. Com perdas pela metade, Tonegutti projeta efeito de R$ 60 bilhões a R$ 70 bilhões.
Segundo ele, o comerciante pode sentir o efeito no caixa sem nunca ter apostado, pois parte do dinheiro de alimentação, remédios e roupas foi para as apostas.
Quem sente primeiro: supermercado, farmácia ou móveis
Para Tonegutti, o comércio de itens essenciais tende a sentir o alívio mais cedo, com compras de supermercado e medicamentos adiadas. Roupa, calçado e lazer vêm depois, e móveis e eletrodomésticos dependem de crédito, juros e confiança.
A primeira melhora pode vir em contas pagas em dia. “Essa é uma leitura econômica, não um ranking de ganhos já comprovados”, ressalva.
Ele vê risco de migração parcial para plataformas ilegais. Pesquisa da CNDL com o SPC Brasil mostra que 37% dos apostadores já tentaram parar ou reduzir e não conseguiram, número que, para ele, não prevê migração. O efeito dependerá dos bloqueios de sites e pagamentos.
O setor de apostas pediu ao Supremo Tribunal Federal a suspensão da MP, segundo o portal Movimento Econômico.
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Imagem: Magnific
