Operação
Gap registra alta nas vendas no terceiro trimestre
A Gap registrou crescimento de 5% nas vendas comparáveis no terceiro trimestre fiscal, impulsionada pelo desempenho da marca homônima após a campanha “Better in Denim”, que ficou conhecida pela peça “Milkshake” com o grupo pop Katseye.
Desconsiderando picos relacionados ao período da pandemia, o avanço representa o maior crescimento nas vendas comparáveis desde o trimestre de fim de ano fiscal de 2017 e superou a projeção de 3,1% estimada por analistas da StreetAccount.
Em entrevista à CNBC, o CEO Richard Dickson afirmou que a empresa tem reduzido a necessidade de aplicar descontos para vender produtos, observado a entrada de consumidores de todas as faixas de renda e registrado um “ótimo começo” para a temporada de compras de fim de ano.
“Embora dados externos apontem para pressão macroeconômica, particularmente sobre consumidores de baixa renda, nossos clientes estão identificando nosso valor de preço, nossas coleções estão se destacando no cenário competitivo”, afirmou Dickson. “Nosso produto está repercutindo. Estamos muito confiantes à medida que entramos na temporada de festas.”
As ações da Gap subiram 5% no after-hours na quinta-feira.
De acordo com levantamento de analistas da LSEG, a companhia apresentou no trimestre lucro por ação de 62 centavos, acima dos 59 centavos esperados. A receita somou US$ 3,94 bilhões, ante expectativa de US$ 3,91 bilhões.
O lucro líquido caiu quase 14% no trimestre encerrado em 1º de novembro, para US$ 236 milhões, ou 62 centavos por ação, ante US$ 274 milhões, ou 72 centavos por ação, no mesmo período do ano anterior. As vendas subiram 3%, de US$ 3,83 bilhões para US$ 3,94 bilhões.
Para o ano fiscal, que se encerra no início de fevereiro, a empresa passou a projetar o limite superior de sua previsão de vendas, esperando alta entre 1,7% e 2%, em linha com as estimativas dos analistas. Antes, a projeção variava entre 1% e 2%.
A Gap prevê margem operacional anual de cerca de 7,2%, acima da faixa anterior, entre 6,7% e 7%. A estimativa considera o impacto das tarifas, calculado entre 1 e 1,1 ponto percentual.
As vendas comparáveis das marcas Gap, Old Navy, Athleta e Banana Republic vêm registrando resultados positivos há sete trimestres. Sob a gestão de Dickson, a companhia tem buscado elevar a rentabilidade e aprimorar operações, além de recuperar relevância cultural, o que reforçou o crescimento de vendas.
A margem bruta da empresa recuou 0,3 ponto percentual, para 42,4%, ainda acima da estimativa de 41,2% da StreetAccount. A CFO Katrina O’Connell afirmou que a queda de 14% no lucro líquido está relacionada principalmente às tarifas.
Os resultados acima do esperado ocorrem em um cenário de desaceleração do setor de vestuário, em que consumidores têm priorizado itens essenciais.
Dickson disse que a diversidade do portfólio da empresa funciona como proteção em um ambiente econômico incerto. “Nosso portfólio atrai uma ampla variedade de consumidores, o que nos dá grande flexibilidade no ambiente atual”, declarou.
Desempenho das marcas
Gap
A marca homônima, foco da estratégia de reestruturação desde que Dickson assumiu o comando há pouco mais de dois anos, registrou alta de 7% nas vendas comparáveis no trimestre, acima dos 3,2% estimados pela StreetAccount. A receita cresceu 6%, para US$ 951 milhões.
A campanha “Milkshake”, com música de Kelis e participações do grupo Katseye, contribuiu para o resultado, mas Dickson afirmou que o avanço é “uma história sobre consistência”, combinando melhorias em produto, marketing e parcerias.
Old Navy
Maior marca do portfólio em receita, a Old Navy teve alta de 5% nas vendas, para US$ 2,3 bilhões, com avanço de 6% nas vendas comparáveis, acima da projeção de 3,8%. A empresa registrou crescimento em categorias como denim, moda ativa, infantil e bebê.
Banana Republic
A Banana Republic, ainda em processo de reestruturação, registrou alta de 1% na receita, para US$ 464 milhões, e crescimento de 4% nas vendas comparáveis, superando a expectativa de 3,2%. Este foi o segundo trimestre consecutivo com vendas comparáveis positivas, resultado atribuído a melhorias em marketing e produto.
Athleta
A Athleta apresentou queda de 11% na receita e nas vendas comparáveis, para US$ 257 milhões. Dickson afirmou que a marca vive um ano de “redefinição”, mas não detalhou quanto tempo o processo deve durar. “Temos estado desapontados com a tendência. Entendemos que há muito trabalho a ser feito, mas acredito na marca”, disse. “Acredito na liderança e continuaremos a desenvolver essa marca no longo prazo. Ela merece isso.”
Imagem: Divulgação
Informações: Gabrielle Fonrouge para CNBC
Tradução livre: Central do Varejo
