Economia
Inflação brasileira desacelera e fecha 2025 abaixo do teto da meta oficial
A inflação oficial do Brasil desacelerou em 2025 e encerrou o ano em 4,26%, abaixo do teto da meta de 4,5% estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional. O resultado representa o menor índice anual desde 2018, quando o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou 3,75%, e mostra recuo em relação a 2024, quando o indicador fechou em 4,83%.
Em dezembro, o IPCA apresentou variação de 0,33%. O resultado mensal foi influenciado principalmente pelo grupo Transportes, que avançou 0,74%, com destaque para os aumentos no transporte por aplicativo, de 13,79%, e nas passagens aéreas, que subiram 12,61% no período.

Em sentido oposto, o grupo Habitação registrou deflação de 0,33%, contribuindo para conter uma alta mais acentuada do índice no mês. A principal influência veio da queda de 2,41% no custo da energia elétrica residencial. Já o grupo Alimentação e Bebidas, de maior peso na cesta de consumo das famílias, apresentou alta de 0,27% em dezembro.
Segundo análise do Sindilojas SP, o comportamento mais favorável da inflação no segundo semestre foi determinante para que o índice acumulado em 12 meses recuasse da faixa de 5,50% para 4,26%, retornando ao intervalo da meta perseguida pelo Banco Central do Brasil, cuja referência é de 3% ao ano, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

Para o presidente do Sindilojas SP, Aldo Nuñez Macri, o resultado representa um alívio parcial. “Fechar 2025 com inflação abaixo do teto da meta é uma notícia positiva e mostra um processo mais claro de desaceleração dos preços. No entanto, é importante lembrar que isso não significa queda generalizada de preços, mas sim um ritmo menor de aumento, o que ainda pressiona o orçamento das famílias”, afirma.
O desempenho mais contido da inflação ao longo do ano esteve associado ao grupo Alimentação e Bebidas, que acumulou alta de 2,95% em 2025, influenciado pela maior oferta de produtos no mercado doméstico. Por se tratar do grupo de maior peso na cesta de consumo, especialmente das famílias de menor renda, esse comportamento contribuiu para um resultado mais moderado do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).
Em dezembro, o INPC avançou 0,21% e encerrou o ano com variação acumulada de 3,90%. O indicador mede a inflação para famílias com rendimento de até cinco salários mínimos e reforça a leitura de um cenário inflacionário menos pressionado no fim de 2025.

De acordo com o Sindilojas SP, a desaceleração da inflação abre espaço para a discussão sobre o início de um ciclo de redução da taxa básica de juros já no primeiro trimestre de 2026. Atualmente, a taxa Selic está em 15% ao ano, no maior patamar desde 2020.
“A trajetória da inflação é um fator central para as decisões de política monetária. Um ambiente de preços mais controlados devolve ao Banco Central a possibilidade de iniciar uma redução gradual dos juros, algo muito aguardado por consumidores e, principalmente, pelo varejo, que sofre diretamente com o encarecimento do crédito e a retração do consumo”, destaca Aldo Nuñez Macri.
Segundo o presidente da entidade, apesar do alívio inflacionário, o cenário ainda exige cautela. “A desaceleração é real, mas não garante um 2026 tranquilo. Juros elevados continuam sendo um entrave relevante para o consumo agregado e para o financiamento das empresas. O desafio agora é transformar esse avanço no controle da inflação em condições mais favoráveis para a atividade econômica”, conclui.
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