Operação
Nike avalia possível venda da Converse após queda de receita
A Nike pode estar considerando a venda da marca Converse, segundo análise divulgada na segunda-feira (5) por Laurent Vasilescu, analista sênior de Equity Research do BNP Paribas. Em nota enviada a clientes, o analista afirmou que a situação da Converse é “mais frágil do que pode parecer”.
De acordo com o relatório, a Converse registrou queda de 30% na receita no trimestre mais recente, enquanto a marca principal da Nike apresentou crescimento de 1,5% no mesmo período. Em dezembro, o CEO da companhia, Elliott Hill, afirmou que o processo de recuperação da Converse deve levar mais tempo do que o da marca Nike. Procurada, a empresa não comentou a possibilidade de venda da Converse.
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Além da retração recorrente da receita, o BNP Paribas destacou uma deterioração de 700 pontos-base na margem no segundo trimestre, após queda de 620 pontos-base no primeiro trimestre. O relatório também aponta preocupação com a redução do preço médio de venda e o aumento dos custos dos produtos, o que pode indicar maior dependência de canais off-price em detrimento de parceiros estratégicos do atacado.
“O que realmente nos surpreendeu neste formulário 10-Q foi que a criação de demanda caiu 44% na comparação anual, contra queda de 6% no primeiro trimestre”, escreveu Vasilescu. “Nunca vimos uma queda de 44% na criação de demanda para uma marca.”
Segundo o analista, esse indicador, isoladamente, pode sinalizar que a Nike está avaliando alternativas estratégicas para a Converse. Em teleconferência com analistas no mês passado, Hill não mencionou a possibilidade de venda, mas afirmou que “levará mais tempo para retornar a um crescimento saudável” na Converse. A marca, que faturou US$ 1,7 bilhão no último ano, passa por um processo de reestruturação e conta com um novo CEO desde julho.
“Uma possível alienação não seria a primeira da Nike. Pelo contrário, coroaria um longo histórico de desinvestimentos, que inclui Cole Haan, Umbro, Starter, Bauer e Hurley”, afirmou Vasilescu. “A venda da Converse finalizaria o desinvestimento de todas as marcas adquiridas pela Nike, reforçando que aquisições de marcas são difíceis de executar.”
Caso a Nike decida vender a Converse, a operação poderia representar um impacto negativo de cerca de 3% nas vendas no próximo ano, além de efeitos sobre o resultado final da companhia, embora o analista ressalte que esse impacto é mais difícil de mensurar.
A discussão ocorre em meio ao processo de reestruturação da Nike, que apresentou leve crescimento de receita nos dois trimestres mais recentes. Desde que assumiu o comando da empresa, há cerca de um ano e meio, Hill promoveu mudanças na liderança executiva, reduziu o excesso de oferta de linhas clássicas e reorganizou as equipes em torno de esportes considerados estratégicos.
Imagem: Jörg Zägel/Creative Commons
Informações: Cara Salpini para Retail Dive
Tradução livre: Central do Varejo
