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Quatro em cada dez empresas de varejo e consumo passaram a competir em novos setores, aponta Global CEO Survey

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Chief Experience Officer CEO; empresa

Quatro em cada dez CEOs do setor de varejo e consumo no Brasil afirmam que suas empresas passaram a competir em novos setores nos últimos cinco anos. Os dados fazem parte do recorte setorial da 29ª edição da Global CEO Survey, pesquisa realizada pela consultoria PwC e que ouviu mais de 4.400 líderes empresariais em 95 países, incluindo o Brasil.

Segundo o levantamento, 42% das empresas do setor no país passaram a disputar espaço em novas áreas de atuação, movimento associado à reconfiguração econômica global. Apesar do número, o percentual está abaixo da média geral brasileira, que alcança 51%.

Para Luciana Medeiros, sócia e líder de Varejo e Consumo da PwC Brasil, o fenômeno reflete mudanças estruturais no mercado. “A fronteira entre indústrias está desaparecendo. Quando 4 em cada 10 dos CEOs do setor afirmam que passaram a abrir novas avenidas de crescimento, observamos que o varejo vem se transformando em um ecossistema ainda mais diversificado”, explica.

Principais preocupações dos CEOs

Entre os principais riscos apontados pelos executivos do setor no Brasil, 42% citaram a falta de mão de obra qualificada, a inflação e a instabilidade macroeconômica como as maiores ameaças aos negócios. Na sequência aparecem os riscos cibernéticos e a disrupção tecnológica, mencionados por 30% dos entrevistados.

O estudo também indica redução na confiança dos executivos em relação ao crescimento de receita de suas empresas no curto prazo. A parcela de CEOs que demonstram confiança no avanço das receitas nos próximos doze meses caiu de 51% para 39%.

Em um horizonte de três anos, os níveis de confiança se mantêm próximos. A proporção passou de 47% em 2024 para 49% em 2025 e 48% em 2026.

De acordo com a pesquisa, 62% do tempo dos líderes do setor é dedicado a temas com horizonte inferior a um ano, percentual acima da média nacional, que é de 57%.

Segundo Luciana Medeiros, esse comportamento está ligado ao contexto econômico. “Esta concentração reflete um cenário de curto prazo desafiador e tende a estreitar o espaço para discussões mais estratégicas do médio e longo prazo, ainda que o setor mantenha uma presença relevante desses temas menos imediatos”.

Uso de inteligência artificial

A pesquisa também analisou a adoção de inteligência artificial no setor de varejo e consumo. Nos últimos 12 meses, 34% das empresas registraram aumento de receita atribuído ao uso da tecnologia.

Ainda assim, a maioria das empresas avalia que o impacto da inteligência artificial permanece limitado. Cerca de 55% apontam impacto pequeno nos custos e 66% relatam efeito reduzido nas receitas.

De acordo com Luciana Medeiros, o setor ainda passa por um processo de adaptação. “O setor ainda passa por um estágio de adaptação à nova tecnologia, tendência que pode se consolidar nos próximos anos”.

Inovação e riscos climáticos

A pesquisa indica que a inovação em negócios e tecnologia é considerada relevante por mais da metade dos líderes do setor, percentual próximo à média nacional. No entanto, o levantamento aponta diferenças na implementação dessas iniciativas.

A prática de testar novas ideias rapidamente com clientes ou usuários finais é adotada por 18% das empresas do setor, abaixo da média brasileira de 28%.

O estudo também mostra que 30% das empresas de varejo e consumo possuem processos definidos para avaliar riscos climáticos em suas cadeias de suprimentos e compras, percentual superior à média nacional, de 18%.

Segundo Luciana Medeiros, o impacto das mudanças climáticas se manifesta diretamente nas operações do setor. “O varejo sente o impacto climático diretamente na gôndola e na entrega, o que explica por que o setor lidera a média nacional na gestão de riscos climáticos na cadeia de suprimentos. No entanto, a reinvenção completa exige mais: precisamos levar essa maturidade operacional para a mesa de investimentos, onde a integração de critérios climáticos na alocação de capital ainda é incipiente”, finaliza.

Imagem: Freepik

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