Colunistas

Quiosque da Zayara: entre, sinta e escolha

Em perfumaria, sentir é essencial. A Zayara entendeu isso e criou um quiosque pensado para o cliente entrar, experimentar e encontrar a fragrância certa.

GDesign

Publicado

on

Quiosque Zayara by GDesign

Poucas categorias do varejo de beleza cresceram tão rápido no Brasil quanto a dos perfumes árabes. Segundo levantamento da Circana, as fragrâncias árabes cresceram 64% no primeiro semestre de 2026. O país já tem mais de 40 marcas desse segmento, 15 a mais do que no ano anterior. Foi a partir dessa leitura que a GDesign, o primeiro quiosque da Zayara, marca de fragrâncias árabes que inaugurou em outubro sua operação no Shopping Ibirapuera, em São Paulo.

Boa parte desse movimento nasceu no digital. Vídeos curtos, resenhas sobre fixação e frascos ornamentados transformaram a categoria em objeto de desejo.

Mas existe um limite que nenhuma tela resolve: perfume não se escolhe pelo que se vê, e sim pelo que se sente. Com mais marcas disputando o mesmo consumidor, o ponto de venda volta a ser decisivo. É nele que o cliente experimenta, compara e decide.

Banner GDesign

Por que o cliente precisa entrar no quiosque?

A primeira decisão do projeto foi tomada ainda no briefing: o cliente não deveria apenas passar ao lado do quiosque, mas entrar nele.

A maioria dos quiosques de shopping funciona como um balcão fechado. O cliente fica do lado de fora, aponta para o produto e espera ser atendido. Para uma marca de perfumes, esse modelo limita justamente o que mais importa: experimentar, tocar, comparar e conversar com calma.

Por isso, desenhamos um quiosque que o cliente pode atravessar por dentro. O quiosque também incorpora um serviço de personalização de frascos, que depende de equipamento e supervisão. Trazer o cliente para dentro permite que essa experiência aconteça de forma próxima, mas controlada.

A operação acompanha essa lógica. Em vez de um caixa fixo e confinado, o vendedor atende, orienta e conclui a venda no próprio percurso.

Em perfumaria, atendimento é parte do produto. O layout precisava abrir espaço para ele.

Como remeter ao universo árabe sem um visual carregado?

O briefing trazia um cuidado claro: o quiosque deveria remeter ao universo árabe de forma elegante e minimalista, sem o excesso de dourado e ornamentos comum no segmento.

Em vez de recorrer a símbolos óbvios, o projeto buscou traduzir esse universo por meio da matéria.

A base da composição é uma textura clara inspirada no travertino, aplicada nas colunas e nos tampos. Ela traz a sensação de pedra natural e dá às torres de exposição uma presença quase monumental, mesmo em poucos metros quadrados.

O vinho, cor da marca, envolve a estrutura e dá profundidade e calor ao conjunto.

O dourado aparece de forma envelhecida, próxima do latão, mais nobre e discreta do que o ouro amarelo. Ele marca bases, frisos e estruturas, sempre acompanhando formas orgânicas e quinas arredondadas.

As texturas tiveram um papel que vai além da estética. Superfícies com relevo e profundidade despertam o desejo de toque, algo que combina com uma categoria em que a experiência sensorial é decisiva.

O resultado é um quiosque que comunica sua origem sem nenhuma placa explicativa. A história da marca está na matéria, e não na decoração.

Zayara Quiosque - Gdesign

Onde a experiência acontece?

Os frascos e as caixas de perfumes árabes são grandes, marcantes e, muitas vezes, quase escultóricos. Para o cliente da Zayara, eles são parte do valor do produto e do seu potencial como presente.

Isso abriu um dos principais dilemas do projeto: expor tudo ou proteger o estoque? Embalagens de vidro em um ambiente aberto aumentam o risco de furto. Por outro lado, esconder os produtos significaria perder parte do encantamento.

A equipe da Zayara optou pela experiência. Os nichos receberam iluminação embutida e nenhum fechamento em vidro, priorizando o contato direto com o produto. A segurança ficou a cargo do monitoramento por câmeras e da presença constante de pelo menos dois atendentes.

A organização do mix seguiu uma lógica de hierarquia. Dois expositores em escada, um masculino e um feminino, escalonam os frascos em níveis, com os perfumes mais importantes no topo.

Se o perfume é escolhido pelo olfato, o quiosque precisava de um lugar dedicado a isso. O coração do projeto é a estação de experiência.

Sobre uma bancada clara, uma estrutura em dourado envelhecido sustenta frascos de fragrância invertidos, que funcionam como ponto de experimentação. A peça organiza o teste, cria um pequeno ritual em torno da escolha e, ao mesmo tempo, atrai o olhar de quem passa pelo corredor.

Ao lado dela fica uma impressora 3D, usada na personalização dos frascos. Ela imprime nomes ou símbolos em relevo, que são aplicados no vidro sem desgastá-lo. O equipamento fica protegido por uma cúpula: o cliente acompanha a impressão de perto, mas sem acesso direto à máquina.

Sob a estação, o projeto reserva espaço para as caixas de presente personalizadas, funcionando como uma gift station. A experiência que começa no teste da fragrância termina com um presente pronto para ser entregue.

O quiosque também foi pensado como um ponto omnichannel. Ele mantém um número limitado de SKUs em estoque imediato, mas o vendedor pode vender o estoque do e-commerce, ampliando o mix sem ocupar mais espaço.

Completam a operação uma tela para conteúdos de marca e áreas fechadas sob os expositores, que guardam estoque, equipamentos e itens de manutenção longe da vista do cliente.

A experiência não foi tratada como acessório. Ela ocupa o centro do layout porque é nela que a curiosidade gerada pelas redes se transforma em decisão de compra.

BANNER GDESIGN

Como um quiosque sai do papel e é montado em uma noite?

Em shopping center, a obra de um quiosque acontece no corredor, fora do horário de funcionamento e sob regras rígidas. Por isso, a execução foi pensada desde o primeiro estudo.

O quiosque foi projetado como um sistema modular, que pode ser montado e desmontado em uma única noite. Na revisão do projeto, os pilares passaram a ter formato quadrado com quinas arredondadas. A mudança manteve a linguagem orgânica, simplificou a fabricação, reduziu o custo de mão de obra e facilitou a instalação de portas de manutenção, como a do espaço da impressora.

As escolhas de material seguiram o mesmo critério. As bases receberam acabamento metálico dourado, mais resistente ao uso intenso. Os tampos da área de experiência ganharam proteção em vidro, que facilita a limpeza dos respingos de perfume. E o piso, sobre um tablado baixo com rampas, é vinílico, com um padrão quadriculado que remete de forma sutil aos ladrilhos da arquitetura árabe.

Para o período em que o shopping está fechado, o projeto prevê uma lona de proteção travada no piso, além de câmeras de monitoramento.

Do kick-off, em abril, à aprovação unânime do design, no fim de maio, foram duas rodadas de projeto 3D. A visita presencial para aprovação dos materiais, os desenhos executivos e a fabricação levaram o quiosque até a inauguração, em 1º de outubro.

Um bom conceito só vira resultado quando pode ser fabricado, montado e operado com segurança.

O que esse projeto ensina para o varejo físico?

Tendências nascidas nas redes sociais criam demanda rapidamente. Mas também atraem concorrência na mesma velocidade.

Quando dezenas de marcas disputam o mesmo consumidor, o que diferencia uma da outra não é apenas o produto. É a capacidade de contar uma história coerente e de oferecer uma experiência que a tela não entrega.

No caso da Zayara, a arquitetura cumpre esses dois papéis ao mesmo tempo. Os materiais contam a origem da marca, a cor a diferencia no corredor, e o layout coloca a experimentação e a personalização no centro da operação.

Esse raciocínio vale para beleza, moda, acessórios e qualquer categoria em que o cliente precise tocar, sentir ou experimentar antes de decidir.

Antes de perguntar quanto espaço ocupa, existe uma pergunta mais estratégica:

O que o cliente precisa viver nesse espaço para escolher a sua marca?

É nessa lógica que a GDesign estrutura sua atuação em arquitetura comercial: partindo do negócio, do comportamento de consumo e dos objetivos comerciais para transformá-los em decisões de espaço, layout e experiência.

Porque, em um mercado cheio de opções, a marca que vende mais não é necessariamente a mais vista.

É a mais lembrada.

Leia também: Quando o prazo também faz parte do projeto

Imagens: Divulgação/GDesign

Banner GDesign

Graciane Santos é arquiteta e supervisora de projetos na GDesign, especialista em rollout, gestão e tecnologia de sistemas construtivos. Atua na liderança de projetos estratégicos para grandes redes de varejo. Saiba mais sobre as soluções da GDesign aqui.

Continue Reading
Comente aqui

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *