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Black Friday começa antes de novembro e o varejo também precisa estar preparado para o depois

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varejo digital; prazo; black friday

A Black Friday já não cabe mais na última sexta-feira de novembro. Para o consumidor, a jornada começa muito antes, com pesquisas, comparação de preços, listas de produtos e, cada vez mais, o uso de inteligência artificial para decidir onde e quando comprar. Para o varejo, isso significa que a preparação para a data também precisa começar antes.

Uma pesquisa da Stefanini Marketing mostra essa mudança de comportamento: 56% dos consumidores afirmam iniciar a busca por ofertas com mais de 30 dias de antecedência, contra 21% em 2021. Além disso, 71% participam de grupos ou canais para acompanhar promoções e 86% pretendem usar ferramentas de IA durante a Black Friday, principalmente para comparar preços e produtos.

Os dados do Google reforçam esse cenário. Em agosto, 48% dos consumidores já tinham uma lista de compras para a data, enquanto 44% haviam começado a acompanhar preços e 30% já sabiam em qual loja pretendiam comprar. Ou seja, quando novembro chega, uma parte importante da decisão já foi tomada.

Isso muda também a forma como o varejo deveria pensar a Black Friday. Não basta preparar campanhas, ofertas e estoque para o pico de vendas. É preciso garantir que toda a operação esteja pronta para sustentar a promessa feita ao consumidor — do momento da compra até a entrega e o atendimento depois dela.

A expectativa é de que essa pressão aumente. A Stefanini projeta 18,3 milhões de pedidos durante a semana da Black Friday de 2026, crescimento de 10,8%. Em 2025, segundo a Confi Neotrust, o e-commerce movimentou R$ 4,76 bilhões na data, com 8,69 milhões de pedidos, alta de 28%.

Em uma operação desse tamanho, pequenos problemas deixam de ser pequenos. Uma falha no pagamento, uma divergência de estoque, um atraso na entrega ou um atendimento que demora para responder podem comprometer uma experiência que começou semanas antes, durante a pesquisa e a comparação de ofertas.

O consumidor não enxerga os departamentos que existem por trás de uma compra. Para ele, existe uma única experiência com a marca. Por isso, não adianta o checkout funcionar perfeitamente se o pedido chega atrasado ou se não há informação quando surge um problema.

É nesse ponto que a operação pós-compra ganha importância. A empresa precisa ter visibilidade sobre os pedidos, identificar ocorrências rapidamente e, principalmente, agir antes que o consumidor precise procurar o atendimento para saber o que aconteceu.

Isso exige integração entre estoque, gestão de pedidos, logística, pagamentos e atendimento. Também exige comunicação clara durante toda a jornada. Quanto maior o volume de pedidos, mais difícil é fazer isso de forma manual — e maior é a importância da tecnologia para automatizar processos e antecipar situações.

Na Unlock, acompanhamos essa transformação justamente a partir dessa perspectiva: a conversão é apenas uma etapa da experiência. Uma Black Friday bem-sucedida depende da capacidade de organizar a operação para que o crescimento das vendas não resulte em uma piora da experiência depois do clique.

A Black Friday, portanto, começa muito antes de novembro e termina muito depois da confirmação do pagamento. O desafio do varejo não é apenas vender mais em um período de alta demanda, mas estar preparado para entregar aquilo que prometeu. É essa capacidade de sustentar a experiência de ponta a ponta que, cada vez mais, diferencia uma operação eficiente de uma operação realmente preparada para crescer.


Anita Bataglin é CRO da Unlock.

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