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Walmart afirma que, em 2026, experimentação com IA dá lugar à transformação

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A Walmart afirmou que 2026 marca a transição da fase de testes para a transformação efetiva do uso de inteligência artificial em sua operação e na experiência de compra dos clientes. A avaliação foi apresentada por Daniel Danker, vice-presidente executivo de aceleração em IA, produto e design da empresa, durante a ICR Conference, realizada em Orlando, na Flórida.

Segundo Danker, após um período de um a dois anos de experimentação, a companhia passou a operar a tecnologia com maior domínio e começou a desenvolver soluções voltadas diretamente a problemas enfrentados pelos consumidores. “Nos últimos um ou dois anos, estávamos experimentando. Este é o ano em que a experimentação se transforma em transformação. É o ano em que construímos um nível de domínio sobre isso e começamos a criar coisas que tratam de forma profunda os problemas dos clientes”, afirmou.

Ao longo de 2025, a Walmart anunciou um framework de IA baseado em quatro agentes principais, habilitou compras dentro do ChatGPT e divulgou uma parceria com o Gemini, modelo de IA do Google. De acordo com Danker, o ritmo acelerado é intencional.

Entre os exemplos citados pelo executivo estão a automação de compras recorrentes de supermercado, com a IA aprendendo a frequência ideal de reposição de itens, e o uso de imagens geradas por IA para que consumidores visualizem roupas em si mesmos antes da compra. Ele também mencionou recomendações baseadas no guarda-roupa do cliente. “Penso em todos nós como carpinteiros que usavam apenas chaves de fenda, até que alguém aparece com uma furadeira. Existem coisas que não podem ser construídas sem ferramentas elétricas e que passam a ser possíveis com elas. A IA é uma ferramenta elétrica para nós”, disse.

Danker afirmou ainda que a personalização proporcionada pela IA deve reduzir a necessidade de navegação extensa. A tecnologia poderá identificar quais produtos o cliente prefere pagar mais e quais busca opções de menor preço, além de refinar resultados de busca e sugerir itens complementares. “Quando você já colocou no carrinho o extrato de tomate, a carne moída e a muçarela, temos bastante certeza de que você está fazendo lasanha e não precisamos que você pesquise oito vezes e role por muitas páginas só para adicionar o manjericão, o molho de tomate e a ricota”, explicou. “Essas experiências vão se tornar mais humanas e conectadas. Elas vão entender sua intenção e atendê-la com muito mais facilidade.”

O agente de IA da Walmart voltado ao consumidor, chamado Sparky, já identifica padrões de compra semanais e sugere novos pedidos quando o cliente acessa o aplicativo. A ferramenta também responde a perguntas de atendimento ao cliente, orienta sobre remoção de manchas, lembra compromissos no centro automotivo da rede e avisa sobre a retirada de prescrições médicas.

No longo prazo, a empresa avalia integrar a interface de chat do Sparky ao sistema tradicional de busca. Segundo Danker, essa convergência não deve ocorrer de forma imediata. “Isso não vai acontecer da noite para o dia e também não vai acontecer tudo de uma vez, mas acredito que este é um ano em que vamos entregar experiências transformadoras no comércio”, disse. “Daqui a um ano, você vai olhar para trás e dizer: ‘Nossa, isso é bem diferente de como eu costumava usar a Walmart’.”


O executivo também destacou a importância de a Walmart aparecer em interações realizadas em plataformas de IA generativa, como o ChatGPT e o Gemini, mesmo quando as perguntas dos usuários não estejam diretamente ligadas a compras. De acordo com ele, dúvidas sobre escolha de produtos, cuidados domésticos ou situações do dia a dia podem evoluir para decisões de consumo se a varejista estiver presente nesses ambientes.

A integração com o Gemini permite que usuários mantenham benefícios de programas da Walmart mesmo ao realizar pedidos via a plataforma de IA, além de adicionar itens diretamente ao carrinho de compras online da empresa. Embora a Walmart não controle se seus produtos aparecem nas respostas dessas ferramentas, Danker afirmou que o foco da companhia em preço e velocidade tende a favorecer sua posição em seleções feitas por agentes de IA.

O uso da tecnologia também se estende às lojas físicas e aos centros de distribuição. Funcionários já utilizam agentes de IA para apoiar o reabastecimento de prateleiras, priorizar ocorrências operacionais e prever quais produtos devem ser armazenados nos centros de fulfillment. A empresa planeja digitalizar gradualmente a experiência em loja e integrar soluções de IA ao ambiente físico.

Danker reconheceu que nem todas as iniciativas terão sucesso, mas avaliou que o risco de não avançar é maior. “O risco é construirmos algumas coisas que não se sustentem. Mas existe um risco muito maior em não estar na linha de frente”, afirmou. “Vamos liderar porque acreditamos que isso pode fazer coisas pelos clientes que realmente não conseguíamos fazer antes.”

Imagem: Divulgação
Informações: Cara Salpini para Retail Dive
Tradução livre: Central do Varejo

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