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Estudo do Google Cloud aponta que o uso de IA multimodal no e-commerce brasileiro ainda é limitado
A adoção de inteligência artificial no comércio eletrônico brasileiro avança, mas ainda apresenta limitações, especialmente no uso de recursos multimodais. É o que aponta a sexta edição do estudo FlashBlack, conduzido pela R/GA a pedido do Google Cloud, que analisou o desempenho tecnológico de 35 dos principais e-commerces do país durante a Black Friday.
Segundo o levantamento, nenhum dos sites avaliados ofereceu ferramentas de busca que combinassem simultaneamente imagem e texto, um dos principais exemplos de aplicação da IA multimodal. Além disso, entre os 29 chatbots analisados, apenas sete foram capazes de responder a interações que envolvem diferentes tipos de entrada, como texto e imagem.
A IA multimodal é caracterizada pela capacidade de sistemas processarem múltiplos formatos de informação ao mesmo tempo, incluindo texto, imagens, áudio e vídeo. Esse tipo de tecnologia vem sendo apontado como um dos próximos avanços no comércio digital, ao permitir interações mais naturais e intuitivas com os consumidores.

Personalização e busca ainda enfrentam limitações
O estudo também identificou restrições na personalização da experiência de compra. Embora 23 dos 35 e-commerces analisados recomendem produtos com base no histórico de navegação, apenas 10 apresentaram resultados de busca personalizados conforme o perfil do consumidor.
Outro ponto destacado foi a limitação das buscas semânticas. Em 19 dos sites avaliados, não houve retorno adequado quando o usuário utilizou termos baseados em contexto ou necessidade, em vez do nome exato do produto. Esse tipo de busca é considerado relevante para acompanhar a mudança no comportamento dos consumidores, que têm adotado interações mais conversacionais.
Problemas básicos de navegação também foram identificados. Em 14 dos e-commerces analisados, erros de digitação impediram a apresentação de resultados, enquanto 10 plataformas não ofereceram filtros de busca adequados para refinar as pesquisas.
Uso de recursos multimídia e dados de produto
Na etapa de visualização de produtos, os varejistas apresentaram melhor desempenho em relação à disponibilização de informações. De acordo com o estudo, 28 dos e-commerces analisados exibiram dados detalhados nas páginas dos itens.
No entanto, o uso de recursos mais avançados ainda é restrito. Apenas cinco plataformas utilizaram múltiplos formatos de mídia, como imagens, vídeos ou realidade aumentada, para apresentar os produtos. Além disso, 16 não ofereceram sugestões de itens complementares.
Outro ponto com potencial de evolução está no uso de avaliações de clientes. Embora 27 e-commerces permitam comentários, apenas cinco utilizam inteligência artificial para gerar resumos das opiniões, recurso que pode facilitar a decisão de compra.
Chatbots ainda atuam de forma limitada
Os chatbots também apresentam restrições no suporte ao consumidor. Entre os 29 analisados, apenas cinco conseguiram atuar de forma mais próxima a assistentes de compra, auxiliando na tomada de decisão. Outros 13 utilizaram análise de sentimento para identificar o estado emocional do cliente.
No pós-venda, as limitações continuam. Entre os 18 e-commerces que oferecem atendimento humano integrado, apenas oito mantiveram o histórico da conversa ao transferir o atendimento, o que pode comprometer a continuidade da interação.
Infraestrutura ainda é desafio
Além das questões relacionadas à inteligência artificial, o estudo aponta que problemas de infraestrutura ainda impactam a experiência do consumidor. Dos 35 e-commerces analisados, 10 apresentaram falhas de tempo de resposta durante a Black Friday.
Outro dado relevante é que 33 plataformas não conseguiram carregar o conteúdo principal dentro do tempo considerado ideal, de até 2,5 segundos. Também foram identificadas falhas durante o processo de compra em 18 sites e problemas de estabilidade visual em 23 deles, como mudanças inesperadas de layout.
Para Carol Hudson, head de varejo do Google Cloud no Brasil, a inteligência artificial pode contribuir para melhorar a experiência digital, mas depende de uma base tecnológica adequada. Já Alessandro Luz, gerente sênior de marketing da empresa no país, destaca que a evolução no uso de IA precisa ser acompanhada por investimentos em infraestrutura.
Tendência de evolução
O estudo indica que, embora a inteligência artificial seja considerada prioridade no varejo digital, sua aplicação prática ainda está em estágio inicial em diversas frentes. A adoção de recursos multimodais, em especial, aparece como um dos principais desafios e oportunidades para o setor.
Com a evolução do comportamento do consumidor e a ampliação do uso de tecnologias digitais, a tendência é que os e-commerces brasileiros avancem na incorporação de soluções mais sofisticadas, desde que acompanhadas por melhorias estruturais nas plataformas.
Imagem: Freepik
