Economia
Varejo projeta alta nas vendas até maio, mas inflação limita crescimento real
O varejo brasileiro deve manter trajetória de crescimento nos próximos meses, ainda que em ritmo moderado e com pressões macroeconômicas no radar. Projeções do Instituto para Desenvolvimento do Varejo indicam avanço nas vendas até maio de 2026, sustentado por indicadores recentes de consumo, mas com sinais de desaceleração quando considerados os efeitos da inflação.
De acordo com o Índice Antecedente de Vendas (IAV-IDV), a expectativa nominal é de crescimento de 7,3% em março, 2,7% em abril e 2,3% em maio, sempre em comparação com os mesmos meses de 2025. O desempenho dá continuidade ao resultado de fevereiro, quando o varejo registrou alta de 2,3% nas vendas nominais.
Quando ajustados pela inflação medida pelo IPCA, os números indicam um cenário mais cauteloso. A projeção aponta crescimento real de 3,8% em março, seguido por retrações de 0,8% em abril e 1,2% em maio. Em fevereiro, o varejo já havia apresentado queda real de 1,5% na comparação anual, evidenciando o impacto dos preços sobre o consumo.

Segundo o presidente do IDV, Jorge Gonçalves Filho, o desempenho recente foi influenciado pelo aumento da intenção de consumo das famílias, indicador acompanhado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo. Em fevereiro, esse índice avançou 0,6%, atingindo o maior nível desde maio de 2024, o que contribuiu para o resultado positivo do período.
Apesar disso, fatores externos e internos seguem no radar das empresas. Entre eles, estão os conflitos no Oriente Médio, que podem pressionar custos globais e impactar cadeias de suprimento. Esse movimento tende a influenciar os preços no mercado doméstico, com reflexos sobre a inflação e o poder de compra das famílias.
Além disso, há expectativa de que o ritmo de redução da taxa básica de juros seja mais lento do que o inicialmente projetado. Esse cenário pode limitar a expansão do crédito e reduzir o estímulo ao consumo, afetando diretamente o desempenho do varejo ao longo do ano.
No campo macroeconômico, as projeções para 2026 indicam crescimento moderado da economia brasileira. A estimativa para o Produto Interno Bruto (PIB) é de alta de 1,83%, refletindo os efeitos da política monetária restritiva adotada nos últimos anos e uma normalização gradual da demanda doméstica.
O mercado de trabalho também deve acompanhar esse ritmo mais contido. A expectativa é de desaceleração gradual, sem sinais de queda abrupta no nível de ocupação, o que contribui para manter certa estabilidade no consumo, ainda que sem grandes expansões.

Já a inflação, medida pelo IPCA, deve encerrar o ano em 4,10%, dentro de um cenário de controle, porém ainda pressionando o orçamento das famílias. A taxa básica de juros, por sua vez, é projetada em torno de 12,25% ao final de 2026, indicando uma transição cautelosa na condução da política monetária.
As projeções do IAV-IDV são baseadas em dados fornecidos por empresas associadas ao IDV, que representam cerca de 20% do varejo nacional. O levantamento contempla diferentes segmentos, o que permite uma visão abrangente do comportamento do setor.
Nesse contexto, o varejo brasileiro deve seguir operando em um ambiente de crescimento moderado, com avanços pontuais nas vendas, mas sob influência de variáveis macroeconômicas que exigem atenção. A combinação entre inflação, juros e cenário externo continuará sendo determinante para o desempenho do consumo ao longo de 2026.
*Com informações de Mercado & Consumo
