Economia
Americanas redefine estratégia de varejo após pedido de fim da recuperação judicial
A Americanas afirmou que não pretende realizar novos fechamentos massivos de lojas após o processo recente de reestruturação e passa a concentrar sua estratégia no fortalecimento da operação física, com unidades funcionando também como pontos logísticos de entrega. A sinalização foi feita pelo presidente da companhia, Fernando Soares, ao detalhar os próximos passos após a fase mais intensa de ajustes no negócio.
De acordo com o executivo, a base atual de cerca de 1.470 lojas deve permanecer estável, com apenas ajustes pontuais. Em 2025, a varejista fechou aproximadamente 300 unidades como parte do processo de reorganização, movimento que impactou diretamente a base de clientes. Segundo Soares, essa retração não está associada a uma queda estrutural da demanda, mas sim à redução temporária da presença física da empresa.
Com o encerramento desse ciclo, a expectativa é de normalização da base de consumidores e retomada gradual do crescimento. A empresa já iniciou a abertura seletiva de novas unidades e avalia que o fluxo de clientes deve voltar a crescer nos próximos meses. Atualmente, a Americanas está presente em mais de 800 cidades e registra cerca de 95 milhões de visitas mensais, somando lojas físicas, site e aplicativo.

Nesse contexto, iniciativas voltadas ao aumento da frequência de compras e do tíquete médio ganham prioridade. Programas de relacionamento, como o Cliente A, são apontados como ferramentas para estimular a recorrência e fortalecer o vínculo com o público, em vez de focar exclusivamente na aquisição de novos consumidores.
Outro ponto central da nova estratégia é a utilização das lojas como hubs logísticos. A capilaridade da rede física abre espaço para parcerias com plataformas digitais interessadas em ampliar sua presença no Brasil.
Segundo Soares, a estrutura existente pode funcionar como uma rede de aproximadamente 1.500 pontos de entrega distribuídos pelo país.A empresa já vem avançando nesse modelo por meio de parcerias, como a integração com o marketplace do Magazine Luiza, que permite maior sinergia operacional entre as plataformas.
No campo financeiro, a companhia mantém foco na expansão da massa de lucro, priorizando ganhos sustentáveis em vez de aumentos pontuais de margem. Segundo o presidente, reajustes de preços podem comprometer a competitividade, o que reforça a necessidade de equilíbrio entre rentabilidade e posicionamento de mercado.
A mudança de direcionamento ocorre em paralelo ao pedido de saída da recuperação judicial, protocolado pela empresa. O movimento ainda depende de aprovação, mas marca o encerramento de um ciclo de reestruturação operacional e financeira. De acordo com a companhia, o avanço foi possível após o cumprimento das obrigações previstas no plano, além da melhora consistente dos resultados ao longo de 2025.

Durante esse período, a Americanas promoveu uma reformulação relevante no modelo de negócios, integrando as operações física e digital. Até 2022, havia maior equilíbrio entre os canais, mas o cenário mudou significativamente: em 2025, cerca de 95% da receita passou a vir das lojas físicas, consolidando o novo foco estratégico.
Além disso, a empresa revisou sua atuação no marketplace e descontinuou iniciativas como a fintech Ame, concentrando esforços em parcerias consideradas estratégicas. A integração entre canais passa a ter como objetivo oferecer uma experiência omnicanal mais consistente, com a loja física como principal ponto de contato.
O diretor financeiro, Sebastien Durchon, destacou que a companhia encerrou o período com posição de caixa superior à dívida e registrou melhora operacional relevante. Segundo ele, o processo de reestruturação foi concluído em prazo considerado curto para esse tipo de operação, com avanços na reorganização interna e no relacionamento com fornecedores.
Imagem: Tânia Rêgo/Agência Brasil
*Com informações de Estadão de Conteúdo (Júlia Pestana)

