Economia

Ticket médio de usados e seminovos supera R$ 90 mil em maio e alcança recorde no ano

A procura por veículos seminovos e usados teve sua busca aumentada e o ticket médio, em maio de 2026, chegou a 90%.

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Ticket médio de usados e seminovos supera R$ 90 mil em maio e alcança recorde no ano

O mercado de usados e seminovos registrou um novo marco em maio de 2026. Segundo o Estudo Megadealer de Performance de Veículos Usados (PVU), elaborado com dados da plataforma Auto Avaliar, o ticket médio de venda dos veículos chegou a R$ 90.082, o maior valor registrado no ano. O resultado foi acompanhado por um aumento na atividade das concessionárias, que atingiram recordes anuais em avaliações e captações de veículos.

De acordo com o levantamento, foram realizadas 293.163 avaliações em maio, volume 22,6% superior ao registrado no mesmo período de 2025. As captações chegaram a 51.609 unidades, crescimento de 15,56% na comparação anual. Ambos os indicadores alcançaram seus maiores níveis de 2026 até o momento.

“Ver o ticket médio superar R$ 90 mil mostra que o usado ganhou ainda mais relevância econômica dentro das concessionárias. Mas esse valor por si só não garante rentabilidade. O desafio é comprar bem, precificar corretamente e girar o estoque com velocidade”, afirma Braga.

Seminovos e usados seguem sendo buscados pelo consumidor

Apesar da valorização dos veículos, a margem bruta média ficou em 10,3%, o equivalente a R$ 9.247 por unidade. Segundo o estudo, o resultado representa uma retomada aos níveis observados entre outubro de 2025 e janeiro de 2026, indicando um ambiente de maior pressão sobre os preços praticados no segmento.

Outro indicador que apresentou desempenho positivo foi o giro de estoque. O prazo médio de permanência dos veículos caiu para 37 dias em maio, contribuindo para elevar o retorno sobre investimento (ROI) anualizado dos seminovos para 72%.

Para Braga, a velocidade de comercialização dos veículos tem papel decisivo na rentabilidade do negócio.

“O giro é hoje um dos maiores motores de rentabilidade no usado. Não adianta buscar margem alta se o veículo fica parado no pátio por muito tempo. O bom resultado vem do equilíbrio entre preço de compra, margem e velocidade de venda”, afirma Braga.

Embora o volume de avaliações tenha avançado de forma significativa, a taxa de captação sobre avaliações permaneceu em 17% no mês. O indicador mostra que existe espaço para ampliar a conversão das avaliações realizadas nas concessionárias em veículos efetivamente incorporados ao estoque.

Segundo o CEO da Auto Avaliar, J. R. Caporal, a diferença entre os dois indicadores representa um dos principais desafios operacionais do setor.

“A avaliação é a porta de entrada do usado, mas a rentabilidade está na qualidade da captação. Uma concessionária pode avaliar muito e ainda assim perder oportunidade se não tiver processo, velocidade de decisão e política clara de compra. Converter melhor é um diferencial competitivo”, diz.

Renault Kwid lidera ranking de retorno

Entre os seminovos dos anos-modelo 2023 a 2025 com melhor retorno em maio, o Renault Kwid ocupou a primeira posição. O modelo apresentou preço médio de R$ 53,8 mil, margem bruta de 13,5% e giro médio de 43 dias.

Na sequência apareceram o Peugeot 208, com preço médio de R$ 74,9 mil, margem de 11,9% e giro de 38 dias, e o Caoa Chery Tiggo 5x, que registrou preço médio de R$ 106,7 mil, margem de 11,6% e giro de 37 dias.

O levantamento também identificou os veículos com maior velocidade de venda. O Tiggo 7 apresentou giro médio de 33 dias, enquanto o Toyota Corolla registrou 34 dias. Já entre os modelos com maior margem bruta, além do Kwid, destacaram-se Citroën C3, Fiat Argo, Peugeot 208 e Hyundai HB20.

Eletrificados chineses apresentam maior ROI

Na análise por segmentos, os veículos elétricos e híbridos de marcas chinesas, especialmente BYD e GWM, registraram o melhor desempenho em retorno sobre investimento, alcançando ROI de 113%.

Para Braga, o resultado indica mudanças no comportamento do mercado de seminovos.

“Os elétricos e híbridos chineses já aparecem com força no indicador de ROI. Isso mostra que o varejo precisa acompanhar de perto a mudança no comportamento do consumidor e entender quais modelos têm liquidez real no usado, não apenas apelo no zero-quilômetro”, avalia.

O segmento A-Hatch também apresentou resultado expressivo, com ROI de 107%. Em contrapartida, os segmentos B Pickup e D SUV registraram os menores desempenhos do levantamento, impactados por prazos mais longos de permanência em estoque e margens mais reduzidas.

Os SUVs compactos seguiram como uma das principais categorias do mercado de usados e seminovos. Em maio, o segmento B-SUV respondeu por 30% do mix de vendas, avanço de 0,6 ponto percentual em relação a abril. Já os veículos elétricos e híbridos atingiram participação de 3,2%, crescimento de 0,1 ponto percentual no mesmo período.

Para Caporal, os resultados mostram um mercado aquecido, mas que exige cada vez mais eficiência operacional das concessionárias.

“Mais do que vender caro, o desafio é comprar bem. O usado exige método, dado e disciplina. As redes que conseguem olhar para captação, preço, margem e giro de forma integrada tendem a capturar melhor esse momento de mercado”, conclui.

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