Economia

Corte da Selic: Banco Central reduz juros para 14,25% e cita choques de oferta na inflação

Ata do Copom explica corte da Selic para 14,25% mesmo com inflação acima da meta e cenário de incerteza global.

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Corte da Selic: BC reduz juros para 14,25% e cita choques de oferta na inflação

O Banco Central (BC) manteve o ciclo de redução da taxa básica de juros mesmo diante da piora do cenário inflacionário. A justificativa foi apresentada na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada nesta terça-feira (23), na qual a autoridade monetária defende que as “melhores práticas” de política monetária recomendam não reagir integralmente a variações de preços provocadas por choques de oferta.

Na reunião realizada na semana passada, o Copom reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, passando de 14,5% para 14,25% ao ano. Foi o terceiro corte consecutivo desde março. Antes disso, a taxa permaneceu em 15% ao ano entre junho de 2025 e março de 2026, atingindo o maior patamar em quase duas décadas.

De acordo com a ata, o cenário econômico atual é marcado por elevado grau de incerteza, especialmente em função de fatores externos e climáticos que podem pressionar os preços. Entre os principais riscos citados pelo Banco Central estão os impactos do conflito armado no Oriente Médio sobre os preços internacionais do petróleo e dos combustíveis, além dos efeitos ainda incertos do fenômeno El Niño sobre a economia.

“No cenário atual, caracterizado por forte aumento da incerteza, o comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo”, diz a ata.

Decisão do Banco Central explicada

A decisão ocorre em um momento de pressão inflacionária. Em maio, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, registrou alta de 0,58%, impulsionado principalmente pelo aumento dos preços dos alimentos.

No acumulado de 12 meses, o IPCA alcançou 4,72%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado ficou acima do teto da meta de inflação, estabelecida em 4,5%, dentro de uma faixa de tolerância que vai de 1,5% a 4,5%.

Apesar desse cenário, o Banco Central argumenta que uma trajetória de juros mais alinhada às expectativas do mercado financeiro pode contribuir para reduzir oscilações excessivas nos preços dos ativos e em indicadores macroeconômicos. Na avaliação da instituição, movimentos menos discrepantes em relação às projeções dos analistas ajudam a evitar volatilidade desnecessária na economia.

A ata também destaca que o Copom analisou diferentes cenários para a condução da política monetária. Entre as alternativas avaliadas estavam combinações de pausas e retomadas no ciclo de redução dos juros. Segundo o documento, algumas dessas trajetórias apresentaram menor flutuação da atividade econômica e mostraram-se compatíveis com a convergência da inflação para o centro da meta no primeiro trimestre de 2028.

Esse período passou a ser considerado o horizonte relevante oficial para a atuação do Banco Central na condução da política monetária. A mudança permite que a autoridade monetária avalie os efeitos das decisões de juros em um prazo mais amplo, levando em consideração o tempo necessário para que as medidas produzam impacto sobre a inflação.

Embora tenha mantido o processo de flexibilização monetária, o Copom reforçou a necessidade de cautela. A ata aponta que a atividade econômica brasileira continua apresentando desempenho resiliente, o que tem dificultado a desaceleração da inflação de serviços, um dos componentes mais observados pela autoridade monetária.

Diante desse contexto, os diretores do Banco Central sinalizaram que as próximas decisões sobre a Selic dependerão da evolução dos indicadores econômicos e da leitura dos riscos para a inflação. A instituição ressalta que o ambiente continua marcado por incertezas elevadas e por riscos que podem pressionar os preços para cima.

“No contexto atual de incerteza em níveis historicamente elevados, com riscos assimétricos na direção altista para os preços, o Comitê reitera que a magnitude do ciclo de calibração será ajustada à luz da evolução do cenário, de forma a assegurar a convergência da inflação à meta”, diz o BC.

As projeções do mercado financeiro apontam inflação de 5,33% para este ano e de 4,15% em 2027. Com isso, a trajetória dos juros continuará sendo acompanhada de perto por investidores, empresas e consumidores, enquanto o Banco Central busca equilibrar o controle da inflação com os impactos da política monetária sobre a atividade econômica.

*Com informações de Agência Brasil

Imagem: Marcello Casal Jr/ Agência Brasil

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