Economia

GLP-1 representa 4% do varejo farmacêutico, diz levantamento

Levantamento do Itaú BBA aponta impacto da medicação no consumo e economia. Com o avanço das “canetas emagrecedoras”, mercado precisa se adaptar ao novo consumidor.

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canetas; peso; GLP-1

A expansão do uso dos medicamentos análogos de GLP-1, conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras”, começa a produzir efeitos que vão além da área da saúde. Com o crescimento da adesão ao tratamento, mudanças no comportamento dos consumidores já são observadas em setores como alimentação, varejo de moda, turismo e hotelaria, levando empresas a reavaliar produtos, serviços e estratégias de mercado.

Dados divulgados pelo Itaú BBA apontam que esses medicamentos movimentaram cerca de R$ 10 bilhões no Brasil em 2025, o equivalente a aproximadamente 4% de todo o varejo farmacêutico nacional. O volume financeiro acompanha uma transformação nos hábitos de consumo dos usuários, que passam a modificar padrões de alimentação, lazer e compras.

GLP-1 influencia comportamento do consumidor

Os medicamentos da classe GLP-1 foram inicialmente desenvolvidos para o tratamento do diabetes tipo 2 e, posteriormente, passaram a ser utilizados também no controle da obesidade, devido aos efeitos relacionados à saciedade e à redução do apetite.

Segundo estudos de mercado citados pela Triunfo Sudler, os usuários dessas medicações chegam a reduzir em até 12% os gastos com alimentação. A mudança é atribuída à menor procura por alimentos ultraprocessados, refeições de fast-food e bebidas alcoólicas, alterando o perfil de consumo dentro e fora de casa.

Esse movimento leva estabelecimentos do setor de alimentação a revisarem seus modelos de negócio, incluindo cardápios, tamanho das porções e formatos de serviço. A tendência, segundo a agência, é de maior oferta de refeições fracionadas e opções voltadas à alimentação saudável.

Moda acompanha mudanças provocadas pela perda de peso

Com a perda acelerada de peso durante o tratamento, cresce a procura por roupas em novos tamanhos e por peças de transição, utilizadas durante o processo de mudança corporal. Esse comportamento também favorece segmentos como serviços de ajustes de roupas e plataformas de revenda de peças usadas.

A mudança no perfil de consumo reforça a necessidade de adaptação por parte das empresas que atuam no setor, especialmente na gestão de estoques e na oferta de produtos alinhados às novas demandas dos consumidores.

Turismo e hotelaria também registram mudanças

Outro segmento apontado como impactado é o turismo.

Segundo a análise apresentada pela Triunfo Sudler, consumidores que utilizam medicamentos GLP-1 tendem a buscar experiências mais voltadas ao bem-estar e à prática de atividades físicas.

Esse comportamento pode ampliar a demanda por roteiros de wellness tourism, hotéis com infraestrutura para exercícios e experiências que priorizam atividades ao ar livre, substituindo parte das viagens focadas apenas em descanso ou contemplação.

Comunicação e mercado acompanham novo cenário

Diante das mudanças observadas no comportamento dos consumidores, a Triunfo Sudler anunciou a criação da GET (GLP-1 Experts Team), unidade voltada à análise dos impactos do GLP-1 sobre saúde, comportamento, consumo e comunicação.

Segundo a empresa, a iniciativa reúne especialistas para apoiar marcas de diferentes segmentos na compreensão das transformações provocadas pela popularização dessas medicações.

A proposta é conectar informações técnicas sobre saúde metabólica com análises de comportamento e tendências de mercado, auxiliando empresas na adaptação de estratégias de comunicação e relacionamento com o consumidor.

Mudanças vão além do setor farmacêutico

Para Janaína Rosas, CEO da Triunfo Sudler, o avanço do GLP-1 representa uma transformação que ultrapassa o segmento da saúde e passa a influenciar decisões de consumo em diferentes áreas da economia.

“O impacto do GLP-1 na sociedade não é uma tendência passageira de saúde, é uma reconfiguração cultural e econômica. O desafio atual das marcas, sejam elas de saúde, varejo ou serviços, não é apenas vender um produto, mas entender como apoiar e se comunicar com um consumidor que mudou suas prioridades, seus hábitos biológicos e sua relação com o excesso”, afirma.

Imagem: Divulgação

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