Tecnologia
87% dos criadores veem a IA como motor de crescimento dos negócios, diz pesquisa
Uma pesquisa da Adobe revelou o dado e ressaltou que, ainda que a ferramenta domine, 85% entende que a decisão final é humana.
A IA passou a ocupar um papel estratégico na rotina de criadores de conteúdo em diferentes mercados. É o que mostra o relatório Creators’ Toolkit 2026, da Adobe, segundo o qual 87% dos profissionais que utilizam inteligência artificial para ampliar a criatividade afirmam que a tecnologia acelerou o crescimento de seus negócios ou de sua audiência. Além disso, 75% dos entrevistados já consideram a ferramenta essencial para o trabalho criativo.
O levantamento foi realizado com mais de 16 mil criadores dos Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha, Coreia do Sul, Japão, Índia e Austrália. O estudo analisa como a inteligência artificial está sendo incorporada ao fluxo de trabalho desses profissionais para ampliar a produção, desenvolver novas ideias e fortalecer sua atuação em um mercado cada vez mais competitivo.
A IA avança no Brasil e no mundo
O avanço da inteligência artificial acontece em um cenário de expansão da economia criativa. No Brasil, o país ocupa a terceira posição entre os maiores mercados de influenciadores do mundo, com quase 4 milhões de criadores ativos.
Juntos, eles movimentam cerca de R$ 20 bilhões por ano, de acordo com dados do Reglab, Centro de Estratégia & Regulação. Nesse contexto, a adoção de ferramentas de inteligência artificial para criadores de conteúdo pode contribuir para ampliar a capacidade de produção, ao mesmo tempo em que impõe desafios relacionados à autenticidade e à diferenciação.
Segundo o relatório, 63% afirmam sentir-se mais confiantes, mais profissionais ou mais comprometidos com a atividade criativa após adotar ferramentas de inteligência artificial. Outros 58% dizem que a tecnologia aumenta sua capacidade de competir com grandes equipes e estúdios, enquanto 40% afirmam que conteúdos produzidos com apoio dessas plataformas apresentam desempenho superior.
Apesar dos ganhos de produtividade, o estudo indica que a expansão da inteligência artificial também intensificou a concorrência pela atenção do público. Entre os criadores que consideram mais difícil se destacar atualmente do que há um ano, 53% atribuem essa dificuldade ao excesso de conteúdo disponível, enquanto 42% afirmam que o conteúdo gerado por inteligência artificial tornou mais difícil para vozes autênticas ganharem espaço.
Existe um diferencial na era da tecnologia?
A pesquisa também aponta que a identidade criativa continua sendo considerada um diferencial pelos próprios profissionais. Segundo o levantamento, 85% acreditam que os trabalhos produzidos com apoio da inteligência artificial ainda refletem sua voz única, enquanto 81% afirmam que o julgamento humano permanece essencial para definir o gosto criativo.
“O Brasil tem uma relação única com a criação de conteúdo; aqui o creator se torna uma referência cultural para sua audiência. O que os dados da pesquisa mostram e que ressoa muito com o que vemos no mercado latino-americano, é que a IA não enfraquece esse vínculo: ela libera o criador para investir mais energia exatamente no que nenhuma ferramenta consegue replicar, que é a sua perspectiva, sua voz e sua conexão com quem o acompanha”, afirmou Vivian Kuppermann, gerente sênior de Marketing da Adobe LATAM.
O relatório também mostra que a principal contribuição da inteligência artificial está relacionada à agilidade na produção. De acordo com a pesquisa, 93% dos criadores afirmam que conseguem produzir conteúdo com mais rapidez utilizando essas ferramentas. Ainda assim, a maioria dos materiais gerados exige intervenção humana antes da publicação: para 57% dos entrevistados, os resultados precisam passar por edição moderada ou extensiva.

Para o que mais a IA também é utilizada?
Além da produtividade, a inteligência artificial tem sido utilizada como ferramenta para o desenvolvimento de novas ideias. Segundo o estudo, 35% dos criadores afirmam que a tecnologia oferece maior liberdade para experimentar conceitos antes de apresentá-los ao público, enquanto 33% dizem sentir mais confiança para desenvolver projetos considerados mais ambiciosos.
Embora a inteligência artificial esteja cada vez mais integrada ao processo criativo, a pesquisa reforça que os profissionais não abrem mão do controle sobre as decisões finais. O levantamento aponta que 85% dos criadores consideram que escolhas como seleção de referências, elaboração de roteiros e planejamento de campanhas devem permanecer sob responsabilidade humana.
Os entrevistados também apontaram demandas relacionadas ao desenvolvimento das plataformas. Para 44%, é importante que as ferramentas permitam revisar, editar ou desfazer qualquer ação a qualquer momento. Outros 37% defendem maior transparência sobre o funcionamento dos agentes de inteligência artificial, enquanto 34% desejam limites mais claros sobre quais dados e ferramentas esses sistemas podem acessar.
Para Mike Polner, vice-presidente de marketing de produto para criadores na Adobe, os resultados reforçam que a tecnologia amplia possibilidades, mas não substitui aspectos considerados fundamentais no trabalho criativo. “A IA criativa está abrindo novas oportunidades para os criadores e transformando a forma como o trabalho criativo é feito, mas voz, gosto e julgamento continuam sendo o que diferencia os grandes criadores”, concluiu.
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