Tecnologia
Web Summit Rio 2026: relatório aponta impacto de IA e deep techs
Relatório, denominado de “O mapa da inovação na América Latina”, apontou como a tecnologia domina diversos setores e quais são os passos para o futuro.
Um relatório elaborado pela consultoria IMMA – Inteligência Antecipatória analisou 1.391 startups participantes do Web Summit Rio 2026 para identificar características, tendências e diferentes níveis de maturidade do ecossistema de inovação na América Latina. Dentre os insights, é revelado a dominância da IA e o dado de apenas 5% de deep techs representarem presença em empresas.
O estudo, intitulado “O mapa da inovação na América Latina“, utiliza dados públicos das empresas para apresentar um retrato do setor e apontar movimentos que podem influenciar sua evolução nos próximos anos.
Entre os principais resultados, o relatório mostra uma concentração significativa das startups em poucas categorias. A inteligência artificial lidera a lista, com 314 empresas, seguida por SaaS, com 215, healthtech, com 157, e fintech, com 114 startups. Juntas, essas quatro categorias representam cerca de 57% da base analisada.
Quando são consideradas as oito maiores categorias do levantamento, elas passam a concentrar aproximadamente 75% das empresas avaliadas, enquanto outras 21 categorias menores dividem o restante da amostra.
Das 1.572 startups presentes na edição de 2026 do evento, a consultoria selecionou aquelas cujas informações puderam ser verificadas em fontes públicas. A partir desse conjunto de empresas, a análise foi organizada em diferentes camadas, considerando aspectos como categoria de atuação, tipo de inovação, estágio de maturidade, público-alvo, capacidade de permanência dos modelos de negócio e presença de elementos voltados à antecipação de tendências.
Presença da IA e a inovação rumo ao futuro
Segundo o futurista e CEO da IMMA, Augusto Carminati, o objetivo do estudo foi sintetizar um grande volume de informações sobre o ecossistema de inovação latino-americano.:“Nosso objetivo foi transformar um grande volume de empresas em uma leitura mais clara sobre o momento da inovação latino-americana. O relatório procura mostrar onde há concentração, onde há amadurecimento e onde começam a aparecer sinais mais fortes do que pode ganhar relevância nos próximos anos”, afirma.
Além do volume de empresas por segmento, o estudo também analisa o estágio de maturidade de cada categoria. Nesse recorte, a inteligência artificial aparece como uma área ainda em fase exploratória, apesar de ser a maior categoria entre as startups analisadas. Já o segmento de SaaS é apresentado como um mercado mais consolidado, com ampla presença e menor espaço para disrupção. Healthtech e fintech ocupam uma posição intermediária, caracterizada por um processo de consolidação.
De acordo com o relatório, essa diferença de maturidade entre os setores permite identificar quais áreas ainda oferecem maior espaço para experimentação e quais apresentam modelos de negócio mais estabelecidos. Para Carminati, a coexistência desses diferentes estágios indica um ambiente diversificado “como uma floresta com brotos e árvores grandes”. Segundo ele, o mapeamento contribui para compreender onde ainda existem oportunidades de crescimento e em quais segmentos a competição já é mais intensa.
Na classificação por tipo de inovação, o levantamento aponta predominância de soluções incrementais e aplicadas a demandas específicas do mercado. Apenas cerca de 5% das startups analisadas apresentam características relacionadas às chamadas deep techs, que envolvem tecnologias de fronteira. Na maior parte da base estudada, predominam empresas voltadas à aplicação de tecnologias já existentes para resolver problemas concretos ou aumentar a eficiência de processos.
“Este recorte nos mostrou que nosso ecossistema ainda se move muito pela execução e pela capacidade de resolver dores concretas de mercado”, explica o futurista.
Novas iniciativas da tecnologia
O relatório também identifica alguns segmentos associados à fronteira da inovação. Entre eles estão sistemas de IA agêntica, capazes de executar tarefas completas de forma autônoma, além de iniciativas nas áreas de biotecnologia, genômica, robótica, satélites, computação quântica e descarbonização. Nesse grupo, as cleantechs aparecem como um segmento ainda reduzido em número de empresas, mas com potencial de desenvolvimento e atração de investimentos.
Outro eixo da pesquisa analisa a capacidade de permanência dos modelos de negócio ao longo do tempo. Nessa etapa, são observados fatores como exposição à concorrência, facilidade de replicação de soluções e riscos relacionados à popularização de ferramentas baseadas em inteligência artificial. Em contrapartida, o estudo também identifica empresas que apresentam sinais de maior sustentabilidade de valor.
“A ideia do que chamamos Future Market Sizing é oferecer uma lente complementar para entender, por exemplo, por quanto tempo o negócio entrega valor e se ainda será possível capturá-lo quando a concorrência chegar”, afirma Carminati.
A análise inclui ainda uma avaliação sobre a chamada densidade antecipatória, conceito utilizado para medir o grau em que as startups trabalham com projeções, cenários futuros e decisões orientadas por sinais de mudança. De acordo com o relatório, a maior parte do ecossistema está concentrada em uma faixa intermediária, refletindo um mercado ainda fortemente voltado para eficiência operacional e aplicações práticas.
Entre as empresas analisadas, 311 alcançaram as notas mais altas nesse indicador, formando um grupo em que a leitura de futuro ocupa papel mais relevante nas estratégias de negócio. Dentro desse universo, apenas 15 startups atingiram o nível máximo da escala utilizada pelo estudo.
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