Economia

Pix reduz inadimplência em condomínios e reduz espaço dos boletos

A forma de pagamento reduz o espaço para dívidas e diminui a inadimplência em diversos espaços, segundo estudo da Multi Pagamentos.

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Celular com acesso ao Pix, do Banco Central; Ebanx projeta que modalidade de pagamento representará 40% do mercado até 2026; pagamentos digitais; pix mei; ClearSale; pix automático

A cobrança condominial passa por uma transformação impulsionada pelo avanço dos meios de pagamento digitais. O boleto bancário, durante décadas o principal formato utilizado para o pagamento das taxas de condomínio, vem dividindo espaço com soluções como Pix, cartões e pagamentos por aproximação.

A mudança acompanha novos hábitos dos consumidores e ocorre em um momento em que síndicos e administradoras buscam alternativas para reduzir a inadimplência e melhorar a gestão financeira dos condomínios.

De acordo com avaliação da Multipagamentos, a digitalização dos pagamentos pode contribuir para diminuir atrasos nas cobranças e simplificar o processo de quitação das taxas mensais. O cenário é reforçado pelos indicadores de inadimplência registrados no setor.

Levantamento da plataforma uCondo, com base em dados de aproximadamente 7 mil condomínios brasileiros, mostra que a taxa de inadimplência superior a 30 dias atingiu 11,95% no primeiro semestre de 2025, o maior percentual desde o início da série histórica, em 2022. A projeção para 2026 é que o índice permaneça próximo de 11%.

Os dados do Censo Condominial 2025/2026, elaborados a partir de informações do IBGE, da Receita Federal e da própria uCondo, apontam que o Brasil possui 327.248 condomínios ativos, reunindo cerca de 39 milhões de moradores. Segundo o levantamento, esse volume torna a inadimplência um desafio para a previsibilidade financeira dos condomínios, podendo afetar contratos, obras e a administração dos recursos.

O avanço do Pix e o sucesso da ferramenta de pagamento

Ao mesmo tempo, os meios de pagamento digitais seguem em expansão no país. Segundo a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), os pagamentos por aproximação representaram 73,6% de todas as compras realizadas com cartão em 2025. Em dezembro de 2020, essa participação era de 5,4%.

O Pix também ampliou sua presença na rotina dos brasileiros. No primeiro semestre de 2025, o sistema registrou 36,9 bilhões de transações, consolidando-se como a principal infraestrutura de pagamentos do país. Parte desse crescimento já alcança o setor condominial, com administradoras e sistemas de gestão passando a oferecer boletos híbridos que incluem QR Code Pix, permitindo que o pagamento seja realizado diretamente pelo aplicativo bancário.

Segundo Rodrigo Graça de Melo, vice-presidente de Produtos e Negócios da Multipagamentos, a facilidade no processo pode contribuir para reduzir atrasos.

“O condomínio é uma das despesas mais recorrentes na vida do brasileiro, e qualquer atrito no momento do pagamento aumenta o risco de atraso. Quando o morador consegue quitar a taxa em segundos, pelo celular, sem boleto para imprimir e sem fila, a tendência natural é pagar em dia”, afirma.

Novas ferramentas facilitam

Outra novidade apontada como tendência para a cobrança condominial é o Pix Automático, lançado pelo Banco Central em junho de 2025. A funcionalidade permite que cobranças recorrentes sejam autorizadas uma única vez pelo pagador, tornando os débitos automáticos nas datas de vencimento.

Na prática, o recurso funciona de maneira semelhante ao débito automático tradicional, eliminando a necessidade de o morador repetir o processo de pagamento todos os meses e oferecendo maior previsibilidade ao fluxo de caixa dos condomínios.

“Ferramentas como o Pix Automático mudam a lógica da inadimplência no setor condominial”, explica o executivo. “Em vez de depender de o morador lembrar do vencimento todo mês, o pagamento acontece de forma automática, com uma única autorização. Isso traz regularidade para o caixa do condomínio e elimina um ponto de atrito desnecessário para quem mora lá.”

Além da adoção de novas tecnologias, especialistas destacam que a digitalização das cobranças exige cuidados relacionados à governança. Entre as recomendações está a utilização de chaves Pix vinculadas ao CNPJ do condomínio, e não ao CPF do síndico, garantindo maior rastreabilidade das operações e reduzindo riscos jurídicos.

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