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Estudo aponta Copa do Mundo 2026 como maior operação de gestão de fornecedores da história

O mundial, que ocorre de 4 em 4 anos, registrou a maior operação de gestão registrada na história, segundo uma análise da CIAL Dun & Bradstreet.

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A Copa do Mundo de 2026 reúne números inéditos dentro e fora dos gramados. Com 48 seleções, 104 partidas, sedes distribuídas em três países e uma audiência estimada em mais de 5 bilhões de pessoas, o torneio também passou a ser considerado a maior operação de gestão de fornecedores já registrada.

A avaliação faz parte de uma análise publicada pela CIAL Dun & Bradstreet, que destaca como compras, compliance e análise de crédito sustentam a realização do maior evento esportivo do planeta.

Segundo o levantamento, antes mesmo do início das partidas, milhares de fornecedores passaram por processos de avaliação, contratos foram firmados com base em dados verificados e cadeias de fornecimento foram mapeadas e aprovadas.

Para a empresa, a realização da Copa do Mundo depende de uma extensa operação de dados e de monitoramento de riscos, modelo que também pode servir de referência para organizações de diferentes setores.

Copa do Mundo: estrutura, logística e mais em campo

A estrutura comercial do torneio ilustra a dimensão da operação. Atualmente, a FIFA conta com sete parceiros globais, entre eles Adidas, Coca-Cola, Visa e Lenovo, além de nove patrocinadores oficiais do torneio e mais de dez apoiadores e fornecedores regionais. Todas as cotas globais de patrocínio foram preenchidas. Paralelamente, cada uma das 16 cidades-sede desenvolve seus próprios processos de seleção, qualificação e validação de fornecedores locais.

A logística é outro ponto de destaque. Conforme a análise, a Rock-it Cargo, fornecedora oficial de logística da FIFA, coordena o transporte de mais de 9 mil toneladas de equipamentos, incluindo sistemas de árbitro de vídeo (VAR) e materiais das seleções participantes.

A operação envolve cerca de 5 mil veículos e 93 mil metros quadrados de área de armazenagem, distribuídos entre as cidades que recebem as partidas.

Todo esse processo ocorre simultaneamente ao longo de mais de dois meses, envolvendo três sistemas regulatórios distintos, três moedas e diferentes redes de transporte. De acordo com a CIAL Dun & Bradstreet, o impacto econômico do torneio supera R$ 200 bilhões em países que, juntos, representam aproximadamente 30% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial.

Outras áreas que tiveram operações alteradas

Além da logística, o estudo chama atenção para o papel das áreas de compras, compliance e crédito na organização do evento. Essas equipes são responsáveis pela análise de fornecedores, verificação de conformidade regulatória e avaliação de riscos antes da assinatura de contratos.

“Os atletas entram em campo, mas quem garante que a operação existe são as equipes de compras, compliance e crédito. É a gestão de risco de fornecedores em sua forma mais exigente”, afirma Carlos Butori, Country Manager da CIAL no Brasil.

Segundo a análise, a própria FIFA mantém um programa estruturado de compliance que inclui rastreamento de sanções e processos de due diligence aplicados aos parceiros de negócios, com o objetivo de garantir conformidade com restrições internacionais de comércio.

Nos comitês organizadores locais, fornecedores também precisam atender a critérios relacionados a direitos humanos, desempenho ambiental e práticas de sourcing responsável antes da formalização de contratos.

Impactos no Brasil durante a Copa do Mundo 2026

O estudo destaca ainda que, no Brasil, a Lei Anticorrupção (Lei nº 12.846/2013) estabelece responsabilidade objetiva para empresas beneficiadas por atos ilícitos praticados por terceiros em seu nome. Nesse cenário, a gestão da cadeia de fornecedores deixa de ser apenas uma atividade operacional e passa a integrar as estratégias de governança corporativa.

Outro aspecto apontado pela CIAL Dun & Bradstreet é a necessidade de ampliar a visibilidade sobre toda a cadeia de suprimentos. Segundo a empresa, conhecer apenas os fornecedores diretos, classificados como Tier 1, não é suficiente para identificar riscos. Fornecedores de segundo e terceiro níveis também podem gerar impactos financeiros, regulatórios e de compliance capazes de afetar toda a operação.

“O risco mora nas camadas invisíveis da cadeia, nos fornecedores dos seus fornecedores. Mapear essa profundidade exige dados confiáveis e atualizados em escala global”, explica Butori.

A análise cita ainda dados do relatório McKinsey Global Supply Chain Leader Survey, segundo o qual 60% das empresas afirmam ter visibilidade sobre seus fornecedores diretos. Em contrapartida, apenas 30% informam possuir transparência adequada sobre os níveis seguintes da cadeia de suprimentos, índice que representa queda de sete pontos percentuais em relação ao levantamento anterior.

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