Tecnologia
IA gera ganhos financeiros e amplia eficiência em empresas brasileiras
Casos apresentados no Integrity Forum 2026 por Afya, Saga e Grupo Fleury mostram como analytics e IA estão sendo utilizados para reduzir custos, acelerar auditorias, otimizar processos e apoiar decisões de negócio.
Projetos baseados em analytics e inteligência artificial (IA) estão deixando de ter foco exclusivo na automação de tarefas para assumir um papel mais estratégico dentro das organizações. Casos apresentados durante a 20ª edição do Integrity Forum, realizado no Amcham Brasil pela Quality Digital, mostram como empresas de diferentes setores vêm utilizando essas tecnologias para gerar resultados financeiros, aumentar a eficiência operacional e fortalecer a gestão de riscos.
De acordo com os projetos apresentados no evento, o uso de analytics avançado e inteligência artificial tem contribuído para acelerar processos ligados às áreas de auditoria, riscos e compliance. Os resultados incluem ganhos de velocidade entre 50% e 70% nos ciclos de gestão de riscos e até 60% de redução no tempo necessário para atividades de auditoria.
A adoção dessas ferramentas reflete uma mudança na forma como as organizações utilizam a tecnologia. Em vez de concentrar esforços apenas na otimização de processos internos, as empresas passam a empregar recursos analíticos para apoiar decisões de negócio, identificar oportunidades de melhoria e ampliar a capacidade de resposta diante de desafios operacionais e estratégicos.
Projetos apresentam impactos em diferentes áreas
Entre os casos apresentados durante o fórum está o da Afya, que desenvolveu um projeto de FinOps voltado à otimização de sua infraestrutura tecnológica. A iniciativa analisou a utilização de ambientes de computação em nuvem e outros recursos de tecnologia para identificar oportunidades de racionalização de custos.
Segundo os dados divulgados durante o evento, o projeto apontou potencial de economia de aproximadamente R$ 650 mil por mês por meio de ajustes relacionados ao uso da infraestrutura tecnológica.
Outro exemplo foi apresentado pela Saga, que implementou um sistema de monitoramento do ciclo de venda de veículos nos segmentos de varejo e atacado. O objetivo da iniciativa foi acompanhar indicadores relacionados à rentabilidade das operações e à geração de receitas associadas a serviços agregados.
De acordo com executivos envolvidos no projeto, uma melhora de apenas 0,6% na margem operacional pode representar uma recuperação financeira de bilhões de reais para a companhia. O monitoramento também permitiu acompanhar os ganhos de margem previstos e ampliar a visibilidade sobre oportunidades de receita.
No setor de saúde, o Grupo Fleury apresentou uma solução baseada em autoavaliação de controles internos. O projeto foi desenvolvido para ampliar a visibilidade sobre riscos estratégicos, apoiar a governança corporativa e reduzir perdas relacionadas a glosas e ineficiências operacionais.
Além disso, a iniciativa contribuiu para melhorar processos ligados à auditoria e à gestão de riscos, ampliando a capacidade de monitoramento e controle das operações.
Analytics e IA apoiam decisões de negócio
Durante o evento, especialistas destacaram que as empresas estão migrando de modelos baseados principalmente em relatórios e indicadores tradicionais para abordagens apoiadas por analytics avançado e inteligência artificial.
A proposta é transformar grandes volumes de dados em informações que possam ser utilizadas de forma prática pelas lideranças empresariais, contribuindo para decisões mais rápidas e alinhadas aos objetivos estratégicos das organizações.
“Realizamos o programa Hackathon para avaliar, dentro de uma jornada, os processos e resultados de parceiros. Criteriosamente, analisamos caso a caso para compreender, de fato, a relevância do impacto gerado diretamente nos negócios. Para isso, o uso do analytics apresentou um peso de 40% nas avaliações”, afirma Felipe Romano, GRC Operations Manager da Quality Digital.
Segundo Romano, a evolução tecnológica também está alterando o papel das áreas de auditoria, riscos e compliance dentro das empresas. Historicamente associadas a atividades de supervisão e controle, essas estruturas passam a contribuir de forma mais direta para a geração de valor e para o desempenho dos negócios.
Tendência acompanha avanço do uso de dados
O movimento observado pelas empresas apresentadas no Integrity Forum acompanha uma tendência mais ampla do mercado. Com o aumento da disponibilidade de dados e o avanço das ferramentas analíticas, organizações de diversos segmentos vêm ampliando o uso da inteligência artificial para identificar oportunidades, antecipar riscos e aprimorar processos.
Nesse cenário, a capacidade de analisar informações em larga escala passa a ser um diferencial para empresas que buscam maior eficiência operacional e suporte qualificado para a tomada de decisões.
“Estamos vendo a transição da IA como ferramenta de produtividade para a tecnologia como instrumento de geração de valor concreto. O diferencial competitivo passa a estar na capacidade de transformar dados em decisões melhores e mais rápidas. Os cases que mais ganham relevância são aqueles capazes de realmente reduzir custos, aumentar receita, mitigar riscos e apoiar decisões estratégicas”, conclui.
Imagem: Divulgação

