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Open finance no varejo: guia completo

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open finance no varejo

O Open Finance Brasil completou cinco anos em fevereiro de 2026 e já reúne mais de 100 milhões de contas conectadas entre pessoas físicas e empresas, com 154 milhões de consentimentos ativos, segundo dados do próprio sistema. Entre 2024 e 2025, o número de consentimentos únicos cresceu 143%.

O open finance no varejo já tem efeito direto em três frentes: aprovação de crédito, redução de fraude no checkout e personalização de ofertas. A consultoria PwC projeta que o Open Finance pode gerar R$ 42 bilhões em receita no Brasil até o fim de 2026.

O que é open finance no varejo

Open finance no varejo é o uso, por varejistas e suas fintechs, dos dados financeiros que um cliente autoriza compartilhar entre bancos, fintechs e outras instituições. O varejista passa a enxergar histórico de pagamentos, faturamento e comportamento de consumo de forma mais completa que apenas com dados próprios.

O modelo brasileiro é considerado um dos mais completos do mundo. Diferentemente do Open Banking do Reino Unido, restrito a dados de conta e iniciação de pagamento, o Open Finance nacional inclui crédito, investimentos, seguros e previdência, segundo a Dock.

Essa abertura permite que fintechs de varejistas, como as de Magazine Luiza e Carrefour, componham um perfil financeiro do cliente sem depender exclusivamente de dados internos da própria rede.

Crédito no varejo com dados abertos

O principal uso prático do open finance no varejo hoje é a originação de crédito. Segundo a fintech Zoop, do grupo iFood, o embedded finance movimenta cerca de R$ 23 bilhões por ano no Brasil e US$ 148 bilhões no mundo, concentrado em empresas com grandes bases de clientes e dados comportamentais, caso de plataformas digitais e redes varejistas.

O Mercado Pago informa que 9 em cada 10 empreendedores que compartilham dados via Open Finance têm acesso a alguma oferta de crédito em até três meses de uso da Conta Negócio, plataforma da empresa voltada a pequenas e médias empresas.

Outro exemplo veio da Casas Bahia Pay. A seguradora CNP vinculou um seguro prestamista a empréstimo pessoal dentro do aplicativo da rede, com previsão de R$ 220 milhões em prêmios ao longo de cinco anos, segundo o Varejo Finance Report 2026, da GIRO.TECH.

Consultores da Spiralem apontam que 2026 deve marcar a consolidação do chamado guided finance, modelo em que a tecnologia orienta a oferta de crédito a partir de múltiplas fontes de dados, sem que o varejista precise se tornar uma instituição financeira regulada.

Checkout e open finance no varejo

O Varejo Finance Report 2026, da GIRO.TECH, aponta que o checkout deixou de ser apenas o momento final da compra e passou a integrar a jornada de consumo. Em 2025, os meios eletrônicos de pagamento movimentaram cerca de R$ 4,34 trilhões no país, segundo o mesmo levantamento.

A Jornada Sem Redirecionamento, que elimina o redirecionamento entre aplicativos no momento do pagamento via Pix, tornou-se obrigatória para instituições detentoras de conta do arranjo Pix em fevereiro de 2026. Para o varejo, isso reduz etapas de fricção no checkout que usam dados de Open Finance para autenticação e aprovação de crédito.

A egípcia Blnk, especializada em crédito no ponto de venda, fechou uma rodada de US$ 37 milhões para escalar a oferta de crédito no PDV e lançar um cartão próprio, após atingir a marca de 1 milhão de clientes, segundo o Varejo Finance Report 2026.

Personalização de ofertas no varejo

Segundo a Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2025, 82% das transações bancárias no Brasil já ocorrem por canais digitais, o que amplia o volume de dados disponíveis para análise. O Open Finance permite que esses dados, uma vez autorizados pelo cliente, sustentem ofertas mais aderentes ao momento de consumo de cada pessoa.

No varejo, isso significa segmentação de crédito por perfil, precificação ajustada a cada cliente e definição do canal e do momento ideais para cada oferta, conforme análise da plataforma O2O Bots. O resultado esperado é aumento de conversão e redução de inadimplência, com base em histórico financeiro e padrões de consumo.

Uma pesquisa da Lina Open X, citada pela Central do Varejo, mostrou que 75% dos brasileiros entrevistados afirmam que utilizariam ou considerariam utilizar soluções financeiras personalizadas oferecidas por meio do Open Finance.

Regulação e cronograma de 2026 para o varejo

O Banco Central publicou em novembro de 2025 a Resolução Conjunta nº 15 e a Resolução CMN nº 5.265, que regulamentam a portabilidade de crédito via Open Finance. O cronograma previsto é o seguinte:

  • Fevereiro de 2026: portabilidade para empréstimos sem garantia e sem consignação.
  • Agosto de 2026: início dos testes de portabilidade para crédito consignado do setor público federal.
  • Novembro de 2026: lançamento público da portabilidade para consignado público federal.

Também está em implementação o EPOC, sigla para Encaminhamento de Proposta de Crédito, modelo padronizado que permite a correspondentes bancários enviar dados de clientes, mediante consentimento, a diversas instituições simultaneamente para receber múltiplas ofertas de crédito.

Até recentemente, menos de 10% dos consentimentos ativos no Open Finance eram de pessoas jurídicas, segundo levantamento da Oppens. O crescimento de adesão entre empresas quase dobrou entre 2024 e 2025, ainda que CNPJs sigam em minoria no total de consentimentos.

Riscos do open finance no varejo

O uso de dados abertos para crédito no varejo exige governança desde a origem da operação. Segundo o executivo Uilan, da Zoop, a tecnologia precisa automatizar a esteira de crédito, integrar múltiplas fontes de dados e atender exigências regulatórias sem que o varejista precise se transformar em instituição financeira.

Ferramentas de biometria, OCR e validação documental reduzem fraude na etapa de originação. Motores de decisão auditáveis dão transparência ao processo de aprovação de crédito, o que se tornou exigência de reguladores em mercados que adotaram o Open Finance, incluindo o Brasil.

O Banco Central também endureceu o monitoramento sobre qualidade dos dados compartilhados, com previsão de multas para instituições que falharem no alinhamento aos padrões técnicos exigidos pelo sistema, segundo a Oppens.

Como o varejo pode se preparar

Varejistas que avaliam entrar ou ampliar a presença no open finance no varejo podem considerar os seguintes passos:

  1. Mapear qual parte da jornada de crédito hoje depende de dados manuais, como upload de extratos ou conciliação por planilha.
  2. Avaliar parceria com uma fintech própria, um Banking as a Service ou uma Iniciadora de Transação de Pagamento autorizada pelo Banco Central, em vez de buscar licença bancária própria.
  3. Adequar sistemas de checkout à Jornada Sem Redirecionamento e ao Pix Automático, já obrigatórios para instituições do arranjo Pix.
  4. Estabelecer processos de governança de dados e auditoria de decisão de crédito antes de escalar ofertas personalizadas.
  5. Acompanhar o cronograma de portabilidade de crédito de 2026, que deve intensificar a disputa por clientes entre bancos, fintechs e varejistas com braço financeiro próprio.

Perguntas frequentes

O que é open finance no varejo? É o uso, por redes varejistas e suas fintechs, de dados financeiros que o cliente autoriza compartilhar entre bancos e outras instituições. Esses dados incluem histórico de pagamentos, faturamento e padrões de consumo. Com essas informações, o varejista consegue avaliar crédito com mais precisão, reduzir fraude no checkout e personalizar ofertas. A adesão depende sempre de consentimento explícito do cliente, revogável a qualquer momento, sob regras do Banco Central e da LGPD.

Quantas contas já estão conectadas ao Open Finance no Brasil? O sistema reunia mais de 100 milhões de contas conectadas entre pessoas físicas e empresas em fevereiro de 2026, com 154 milhões de consentimentos ativos, segundo dados do Open Finance Brasil. Entre 2024 e 2025, o número de consentimentos únicos cresceu 143%, o que indica expansão acelerada da adesão ao sistema no país, hoje considerado um dos ecossistemas mais completos do mundo nesse formato.

Como o open finance ajuda o varejo a conceder crédito? Com dados financeiros compartilhados e autorizados pelo cliente, o varejista analisa histórico de pagamentos e faturamento de forma mais completa do que usando apenas dados próprios. Isso melhora a aprovação de crédito e reduz inadimplência. O Mercado Pago informa que 9 em cada 10 empreendedores que compartilham dados via Open Finance recebem alguma oferta de crédito em até três meses de uso da plataforma da empresa.

O que muda com a portabilidade de crédito em 2026? A portabilidade de crédito via Open Finance passa a permitir que o cliente transfira dívidas entre instituições de forma digital, sem burocracia presencial. O cronograma do Banco Central prevê início em fevereiro de 2026 para empréstimos sem garantia e sem consignação, testes em agosto de 2026 para consignado público federal e lançamento público em novembro de 2026. A medida tende a aumentar a competição por taxas entre bancos, fintechs e varejistas com fintech própria.

O que é a Jornada Sem Redirecionamento e por que ela importa para o varejo? A Jornada Sem Redirecionamento, ou JSR, elimina a troca entre aplicativos no momento do pagamento via Pix, tornando a transação mais direta. A regra ficou obrigatória para instituições detentoras de conta do arranjo Pix em fevereiro de 2026. No varejo, isso reduz etapas de fricção no checkout, especialmente em fluxos que usam dados de Open Finance para autenticação e aprovação de crédito no momento da compra.

Quais varejistas brasileiros já usam Open Finance para crédito próprio? Magazine Luiza e Carrefour mantêm braços financeiros que usam dados abertos para compor perfil de crédito de clientes. A Casas Bahia Pay integrou seguro prestamista a empréstimo pessoal dentro do próprio aplicativo, em parceria com a seguradora CNP, com previsão de R$ 220 milhões em prêmios ao longo de cinco anos, segundo o Varejo Finance Report 2026, da GIRO.TECH.

Empresas de pequeno porte também podem usar Open Finance no varejo? Sim. Até recentemente, menos de 10% dos consentimentos ativos do sistema eram de pessoas jurídicas, mas a adesão entre empresas quase dobrou entre 2024 e 2025, segundo levantamento da Oppens. Pequenos e médios varejistas podem autorizar o compartilhamento de dados de diferentes contas bancárias para obter score de crédito mais completo e negociar condições melhores com bancos e fintechs.

Qual a diferença entre open finance no varejo e open banking? Open banking se limita ao compartilhamento de dados de conta e meios de pagamento entre instituições financeiras. Open finance é mais amplo e inclui crédito, investimentos, seguros e previdência, segundo a Dock. Para o varejo, essa diferença importa porque o open finance permite compor um perfil de crédito completo do cliente, não apenas seu histórico bancário básico. É por isso que o modelo brasileiro, batizado de Open Finance desde o início, vai além do formato adotado no Reino Unido.

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Imagem: Reprodução

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