Economia
Alta do IPCA e orçamento apertado levam consumidores a rever compras no supermercado
Inflação dos alimentos e orçamento apertado fazem brasileiros comparar preços, buscar promoções e substituir produtos.
A alta da inflação, especialmente nos alimentos, tem alterado o comportamento de compra das famílias brasileiras. Com o orçamento cada vez mais pressionado, consumidores passaram a adotar estratégias para reduzir os gastos, como pesquisar promoções, comparar preços entre estabelecimentos e substituir produtos por opções mais acessíveis. O cenário é reforçado pelos dados mais recentes do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Em junho, o IPCA-15 registrou alta de 0,41%, resultado inferior aos verificados em maio (0,62%) e abril (0,89%). Apesar da desaceleração mensal, a inflação acumulada em 12 meses chegou a 4,8%, acima dos 4,64% registrados no mês anterior. Pelo segundo mês consecutivo, o grupo Alimentação e Bebidas foi o principal responsável pela pressão sobre o índice, com avanço de 0,74%. Já a alimentação no domicílio apresentou alta de 0,87% no período.
Segundo Leandro Rosadas, especialista em gestão de supermercados, o aumento dos preços, e a alta do IPCA têm levado os consumidores a adotar uma postura mais planejada na hora de fazer as compras.
“As análises mais recentes sobre o comportamento de compra no varejo alimentar apontam para um consumidor mais criterioso e estratégico. Se antes a escolha dos produtos era feita pela espontaneidade, hoje as decisões são tomadas com base em uma avaliação mais cuidadosa do orçamento e do custo-benefício. Nesse contexto, a comparação de preços ganha ainda mais relevância, impulsionando a busca por produtos que se adequem à realidade financeira e às necessidades da rotina dos consumidores”, afirma.
IPCA em alta: como afeta o comportamento das famílias?
A mudança no comportamento também é explicada pela maior pressão sobre o orçamento das famílias. De acordo com levantamento da Serasa, sete em cada dez brasileiros perceberam aumento nas despesas do dia a dia nos últimos 12 meses. O estudo mostra ainda que gastos com supermercado, moradia e contas recorrentes representam, em média, 57% do orçamento familiar.
Ainda segundo a pesquisa, o custo mensal dessas despesas alcançou R$ 3.520. As regiões Sul e Sudeste concentram os maiores valores, cenário que tem levado muitas famílias a reorganizar o planejamento financeiro para manter as contas em equilíbrio.
Para Leandro Rosadas, essa realidade tem transformado a forma como os consumidores montam seus carrinhos de compras.
“Os carrinhos de compras, que antes eram montados de forma mais automática e espontânea, agora refletem um processo de decisão muito mais planejado. Embora o preço continue sendo um fator determinante, os consumidores também buscam equilibrar economia, conveniência e confiança nas marcas, especialmente na categoria de produtos de limpeza”, destaca Rosadas.
Além da comparação de preços, a busca por promoções tornou-se uma prática cada vez mais comum. Segundo a Associação de Supermercados do Estado do Rio de Janeiro (ASSERJ), consumidores passaram a acompanhar encartes, aplicativos de ofertas e campanhas promocionais antes de decidir onde realizar suas compras. A estratégia busca reduzir o impacto da inflação sobre o orçamento doméstico e aproveitar oportunidades de economia.
Outra mudança observada no varejo alimentar é a substituição de produtos considerados mais caros por marcas próprias, similares ou opções de menor preço. Esse movimento faz com que itens básicos ganhem maior participação no orçamento das famílias, enquanto produtos considerados menos essenciais perdem espaço no carrinho de compras.
Sobre essa tendência, Leandro Rosadas explica:
“Outra tendência observada no varejo alimentar é a substituição de produtos. Itens de maior valor agregado vêm sendo trocados por marcas próprias, similares e opções mais acessíveis. Com isso, categorias consideradas menos essenciais perdem espaço no carrinho, enquanto os produtos básicos passam a concentrar uma parcela maior do orçamento”, explica o especialista em gestão de supermercados.
O especialista também destaca que a relação entre preço e qualidade passou a ter peso ainda maior na decisão de compra. Em um cenário de inflação persistente e orçamento limitado, muitos consumidores deixaram de priorizar marcas específicas e passaram a avaliar o custo-benefício de cada produto.
“Os brasileiros estão cada vez mais atentos ao custo-benefício. Com maior atenção às ofertas promovidas pelas redes supermercadistas e à busca por produtos que conciliem qualidade e preço justo, muitos consumidores deixaram de priorizar marcas específicas. Em um cenário de orçamento mais apertado, a relação entre preço e valor percebido passou a ter mais peso nas decisões de compra, reduzindo a fidelidade às marcas.”
Imagem: Magnific
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