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Apps de bancos são principal canal financeiro, mas planilhas predominam organização
Uma pesquisa da Lina Open X apontou que, embora os apps de banco sejam o principal canal financeiro dos brasileiros, as planilhas ainda predominam a organização.
Os aplicativos de bancos se consolidaram como o principal canal de relacionamento entre brasileiros e instituições financeiras. No entanto, apesar da ampla utilização dessas ferramentas, grande parte dos usuários ainda recorre a métodos paralelos para organizar as finanças pessoais.
É o que mostra a pesquisa “Do PIX ao planejamento financeiro: como a tecnologia está mudando nossa relação com o dinheiro”, realizada pela Lina Open X por meio da plataforma de consumer insights da MindMiners. Segundo o levantamento, 81% dos brasileiros utilizam aplicativos como principal meio de interação com bancos e demais instituições financeiras.
Embora a presença dos apps bancários seja cada vez maior na rotina dos consumidores, a pesquisa revela que a digitalização não necessariamente resulta em uma gestão financeira mais estruturada. De acordo com os dados, 48% dos entrevistados ainda utilizam planilhas, anotações ou outros recursos externos para acompanhar despesas e organizar o orçamento. Além disso, 16% afirmam não realizar nenhum tipo de controle financeiro.
Apps de bancos e planilhas disputam espaço
O estudo aponta que o uso dos aplicativos permanece concentrado em atividades operacionais do dia a dia, como pagamentos, transferências e consultas de saldo. Para especialistas do setor, isso demonstra que existe uma diferença entre a adoção das ferramentas digitais e a utilização de recursos voltados ao planejamento financeiro.
“O aplicativo hoje concentra praticamente toda a jornada financeira do cliente. Muito além de ser exclusivamente um canal de atendimento, é o ambiente em que a relação com o banco de fato acontece. Isso tende a elevar o nível de exigência do usuário, porque qualquer fricção ali impacta diretamente a percepção dele”, afirma o diretor de Negócios da Lina Open X, Murilo Rabusky.
A pesquisa também mostra que a maioria dos brasileiros reconhece o potencial da tecnologia como ferramenta de apoio dentro dos apps dos bancos.
Segundo o levantamento, 72% dos entrevistados consideram que os recursos digitais ajudam na organização financeira. Apesar dessa percepção positiva, os hábitos de uso ainda estão voltados principalmente para demandas imediatas.
Para a Lina Open X, esse cenário indica que os aplicativos conquistaram espaço definitivo na rotina dos consumidores, mas ainda possuem margem para ampliar funcionalidades relacionadas ao acompanhamento de gastos, educação financeira e planejamento de longo prazo.
“Existe um hábito já consolidado de usar para resolver o imediato, como pagar, transferir e consultar saldo. Mas ainda há espaço para ampliar esse uso para algo mais contínuo e integrado, que apoie todos os aspectos da jornada financeira do usuário no dia a dia”, diz Rabusky.

PIX no dia a dia
Outro ponto destacado pela pesquisa é o impacto do PIX na centralização da vida financeira dentro do celular. Desde sua implementação, o sistema de pagamentos instantâneos ampliou a frequência de uso dos aplicativos financeiros e reforçou o smartphone como principal ferramenta para movimentações bancárias.
Segundo o estudo, 73% dos brasileiros utilizam o PIX com frequência e 76% já substituíram total ou parcialmente o cartão físico pelo sistema de transferências instantâneas. A praticidade e a rapidez da ferramenta contribuíram para aumentar a expectativa dos consumidores em relação às experiências oferecidas pelos aplicativos.
Nesse contexto, a disputa entre bancos tradicionais e fintechs ocorre cada vez mais dentro do ambiente digital, especialmente na capacidade de oferecer soluções alinhadas ao perfil e às necessidades dos usuários.
“O app que ganha a preferência é o que melhor conhece o perfil financeiro do cliente e antecipa suas necessidades. Quando o usuário sente que a solução foi desenhada especificamente para ele, a interação deixa de ser pontual e passa a ser contínua”, afirma.

Open Finance
A pesquisa também analisou a percepção dos brasileiros sobre o Open Finance, sistema que permite o compartilhamento de informações financeiras entre diferentes instituições mediante autorização do cliente. Segundo os dados, 75% dos entrevistados afirmam que utilizariam ou considerariam utilizar uma solução capaz de centralizar contas e serviços financeiros em um único ambiente digital.
Apesar do interesse demonstrado, a adesão prática ainda é limitada. Embora 76,8% dos participantes afirmem já ter ouvido falar sobre Open Finance, apenas 37,1% autorizaram o compartilhamento de seus dados financeiros entre os bancos.
Para Rabusky, o principal desafio para ampliar a utilização do modelo está relacionado ao entendimento dos consumidores sobre seus benefícios e funcionamento.
“A proposta de centralização já é clara para o usuário, mas a adesão ainda está diretamente ligada ao nível de entendimento sobre o Open Finance. O avanço passa por tornar esse modelo mais tangível e acessível no dia a dia”, conclui.
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