Colunistas
Você abriria uma franquia hoje? A resposta pode te surpreender
Você abriria uma franquia hoje? Essa pergunta parece simples. Mas ela carrega um peso enorme quando olhamos para o cenário atual
A taxa Selic segue em patamares elevados, encarecendo crédito e financiamentos. O cenário econômico global continua instável. E, no Brasil, ainda temos pela frente dois eventos que historicamente mudam o comportamento do consumidor e travam decisões importantes: Copa do Mundo e eleições presidenciais.
Diante disso, muita gente escolhe esperar. Esperar o “momento ideal”. Esperar a economia melhorar. Esperar o mercado estabilizar.
O problema é que, na prática, o momento perfeito quase nunca chega.
Enquanto muitos enxergam apenas risco, outros observam oportunidade. E isso acontece porque períodos de retração também costumam abrir portas importantes para quem está preparado para empreender. Com menor movimentação do mercado, surgem mais oportunidades de locação, proprietários ficam mais dispostos a negociar valores e condições, fornecedores passam a ter maior disponibilidade de agenda e os custos operacionais tendem a ficar menos pressionados. Já em momentos de mercado aquecido, a lógica muitas vezes se inverte: aumenta a concorrência por pontos comerciais, serviços ficam mais caros e até demandas simples se tornam difíceis de executar pela alta procura. Ou seja, cenários desafiadores também podem representar excelentes janelas de oportunidade para quem consegue olhar o mercado de forma estratégica.
E os números mostram isso. O setor de franquias encerrou 2025 com faturamento recorde de R$ 301,7 bilhões, crescimento de 10,5% e a primeira vez na história que o franchising brasileiro ultrapassa a marca dos R$ 300 bilhões, segundo a Associação Brasileira de Franchising. Hoje, são mais de 200 mil unidades em operação e quase 1,8 milhão de empregos formais gerados no país. Isso acontece porque, em períodos mais desafiadores, o modelo de franquias tende a ganhar ainda mais relevância.
Empreender sozinho em um cenário de incerteza exige estrutura, experiência e capacidade de adaptação. Já no franchising, o empreendedor entra em um modelo validado, com processos estruturados, suporte operacional e uma marca que já conquistou espaço no mercado. O risco não desaparece, mas ele se torna muito mais calculado.
E existe um ponto importante nessa conversa: muita gente ainda acredita que abrir uma franquia exige investimentos milionários. Não é verdade.
As microfranquias vêm crescendo justamente por oferecerem uma porta de entrada mais acessível ao empreendedorismo. Pela definição da própria ABF, são operações com investimento inicial de até R$ 135 mil.
No Kumon, por exemplo, é possível iniciar uma unidade a partir de R$ 50 mil, em uma marca presente há mais de 45 anos no Brasil, com mais de 1.600 unidades distribuídas em mais de 630 municípios e cerca de 200 mil alunos atendidos no país. Além disso, a rede projeta a abertura de 135 novas unidades ao longo de 2026, reforçando sua expansão em grandes centros e cidades do interior, unindo educação, propósito e um modelo de negócio consolidado.
O mercado oferece oportunidades para diferentes perfis, objetivos e realidades financeiras. O que muitas vezes falta não é oportunidade, é clareza para escolher com segurança.
O momento pede cautela? Sem dúvida. Mas cautela não significa paralisia. Significa entender o cenário, fazer contas realistas, escolher modelos sólidos e investir dentro daquilo que realmente cabe no seu planejamento. Porque, no fim, quem constrói resultados consistentes não é quem espera o cenário perfeito. É quem aprende a tomar boas decisões mesmo em cenários imperfeitos.
E você: está esperando o momento ideal ou está construindo as condições para ele?

(*) Julio Segala. Atua no franchising há 29 anos, graduado em Engenharia Elétrica, Matemática e Física, Mestre em Engenharia, Pós-Graduado em Gestão de Negócios, atualmente Vice-presidente de Operações no Kumon América do Sul, membro dos comitês de Microfranquias & Novos Modelos e Educação da ABF e instrutor dos programas de capacitação da ABF.
Imagem: Divulgação
