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Entrega com drones no varejo: como funciona no Brasil

iFood já entrega com drones em SP e Aracaju. Veja como funciona, as regras da Anac e o tamanho do mercado de entrega com drones no varejo.

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Entrega com drones no varejo

A entrega com drones no varejo já opera em escala comercial no país. Desde 1º de junho, o iFood usa aeronaves da Speedbird Aero para levar pedidos do Shopping Iguatemi Alphaville a condomínios de Barueri, na Grande São Paulo, segundo dados divulgados pela própria empresa.

O mercado global de drones de entrega deve saltar de US$ 1,47 bilhão em 2026 para US$ 6,74 bilhões em 2031, alta anual de 35,69%, segundo a Mordor Intelligence. O varejo e o e-commerce respondem por 51,83% dessa demanda.

O que é entrega com drones no varejo

Entrega com drones no varejo é o uso de aeronaves não tripuladas para transportar pedidos entre um ponto de coleta, como loja ou shopping, e um ponto de entrega próximo ao cliente final.

O modelo não substitui o entregador humano. O drone cobre o trecho aéreo até um droneport ou ponto de pouso. Dali, um entregador ou o próprio cliente conclui a última etapa até a porta.

A tecnologia é usada principalmente para superar gargalos que a entrega terrestre não resolve bem: filas de portaria em condomínios, trânsito em horário de pico e distância entre centros de distribuição e bairros afastados.

Entrega com drones no varejo

Como funciona a entrega com drones do iFood

O iFood testa drones desde 2019, em parceria com a Speedbird Aero. O primeiro piloto ocorreu em Campinas (SP) e somou 306 pedidos entregues em pouco mais de dois meses, atendendo 17 restaurantes, segundo a empresa.

A operação recebeu autorização comercial da Anac em 2022. Em outubro, o serviço estreou em Aracaju (SE), com drones operando entre dois droneportos escolhidos para evitar pontos críticos de mobilidade da cidade.

Em São Paulo, a rota conecta o Shopping Iguatemi Alphaville a condomínios de Barueri. O drone atual transporta até 5 kg, voa a até 50 km/h e opera a 60 metros de altitude, segundo o iFood.

A capacidade de carga cresceu ao longo dos anos: 2,5 kg em 2022, 3 kg em 2025 e 5 kg na aeronave usada hoje. A aeronave suporta ventos de até 55 km/h e chuva leve, de até 5 mm por hora. Acima desses limites, a operação para automaticamente e os pedidos voltam para o modal terrestre.

Em dezembro de 2025, a Anac autorizou o voo sobre áreas residenciais com até 5 mil habitantes por quilômetro quadrado, a primeira autorização desse tipo no país, segundo o iFood.

A escolha de Alphaville para o piloto paulista não foi aleatória. A região tinha taxa de recusa de pedidos por entregadores de quase 50%, por causa do acesso complicado aos condomínios, segundo dados internos do iFood citados pela imprensa.

Regulamentação da Anac

O RBAC 100, publicado pela Agência Nacional de Aviação Civil em 16 de junho de 2026, substituiu o RBAC-E 94, vigente desde 2017. A mudança trocou o critério de peso da aeronave pelo nível de risco da operação como base de classificação.

A nova norma cria três categorias operacionais, aberta, específica e certificada. A categoria específica exige da empresa uma análise de risco no modelo SORA para autorizar voos além da linha de visada, usados em rotas de entrega mais longas.

Projetos de entrega urbana por drone tendem a se enquadrar na categoria certificada, que exige processo de autorização mais denso, segundo análise da ProcTracker sobre a nova regra.

Para operações não recreativas com drones entre 250 gramas e 25 quilos na categoria aberta, a Anac mantém exigências como voo em linha de visada, altura máxima de 120 metros, distância mínima de 30 metros de pessoas e cadastro obrigatório do equipamento.

O Departamento de Controle do Espaço Aéreo também atualizou as regras de uso do espaço aéreo. A instrução ICA 100-40 entrou em vigor em 1º de julho de 2026.

Antônio Mathias Nogueira Moreira, diretor da Anac, disse durante a feira DroneShow Robotics que as novas regras vão incentivar o aumento de escala das operações comerciais com drones no país.

O crescimento da frota reflete o momento regulatório. A Anac contabilizou 111,4 mil drones registrados até 23 de julho de 2026, quase o total de 126,6 mil registrado em todo o ano de 2025.

O salto frente aos 43,3 mil de 2024 foi de 192%, segundo o diretor-presidente da agência, Tiago Faierstein. Em 2023, eram 8.843 aeronaves cadastradas. A projeção da Anac é fechar 2026 com cerca de 200 mil drones registrados no país.

Entrega com drones no varejo

Tamanho do mercado de drones de entrega no varejo

A demanda por entrega com drones cresce em ritmo mais rápido que o mercado de drones como um todo. Segundo a Mordor Intelligence, o segmento de entrega deve avançar 35,69% ao ano entre 2026 e 2031, contra 9,34% do mercado geral de drones no mesmo período.

Aeronaves de asa rotativa respondiam por 72,56% da receita do setor em 2025, mas os modelos de asa fixa devem crescer 29,15% ao ano até 2031, usados principalmente em rotas rurais mais longas.

Drones com carga abaixo de 5 kg concentravam 65,71% do mercado em 2025. Entregas em distâncias de até 25 km representavam 49,85% do total, enquanto voos acima de 50 km devem crescer 29,5% ao ano até 2031, segundo a mesma pesquisa.

A América do Norte respondia por 42,84% da receita do setor em 2025. A Ásia-Pacífico deve crescer 33,68% ao ano até 2031, a maior taxa entre as regiões cobertas pelo levantamento.

Exemplos internacionais de entrega com drones no varejo

O Walmart opera entregas por drone nos Estados Unidos em parceria com a Wing, controlada pela Alphabet. A rede anunciou expansão para sete novas regiões metropolitanas: Memphis, Nova Orleans, Filadélfia, Phoenix, San Diego, região da Baía de São Francisco e Salt Lake City.

Com a expansão, a operação conjunta de Walmart e Wing deve chegar a quase 20 mercados nos Estados Unidos. A companhia planeja superar 270 pontos de operação de drones até 2027, segundo Greg Cathey, vice-presidente sênior de transformação de fulfillment para e-commerce da rede.

Os drones da Wing atingem velocidade de até 96 km/h e usam sistema de cabo para depositar pedidos no quintal ou na garagem do cliente, sem pousar.

Desafios para escalar entrega com drones no varejo

O principal obstáculo no Brasil segue sendo regulatório, apesar do avanço do RBAC 100. Cada rota de entrega urbana exige autorização específica da Anac e coordenação com o Decea para acesso ao espaço aéreo, via sistema Sarpas.

O peso de carga também limita o alcance do modelo. Com aeronaves comerciais transportando até 5 kg, a entrega com drones funciona melhor para pedidos pequenos, como comida, farmácia e itens de conveniência, e não para o volume médio de um pedido de varejo geral.

Condições climáticas interrompem a operação. Ventos acima de 55 km/h e chuva mais forte que 5 mm por hora tiram os drones de voo e devolvem o pedido ao modal terrestre, segundo o iFood.

Por isso, empresas do setor descrevem o drone como complemento da entrega tradicional, não substituto. O modelo resolve trechos específicos, como acesso a condomínios fechados ou áreas de difícil chegada, e depende do entregador humano para a etapa final até a porta.

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Imagem: Magnific

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