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Maioria dos funcionários será fracionada ou agente de IA até o fim da década, diz Tobaccowala

No Universo TOTVS 2026, o ex-chief growth officer do Publicis Groupe disse que o trabalho mudará entre 2020 e 2029 mais do que nos 50 anos anteriores.

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Rishad Tobaccowala

A maior parte dos funcionários das empresas será composta por profissionais fracionados e agentes de inteligência artificial até o fim da década, projetou Rishad Tobaccowala.

A projeção foi apresentada nesta quarta-feira (14), em palestra no Universo TOTVS 2026, no Expo Center Norte, em São Paulo. Tobaccowala é autor do livro Rethinking Work, lançado em 2025, e foi chief growth officer do Publicis Groupe.

As falas citadas nesta matéria foram traduzidas do inglês pela redação.

Funcionário fracionado e agentes de IA

Tobaccowala definiu o funcionário fracionado como aquele que tem vínculo com a empresa, mas trabalha menos dias. “Um funcionário fracionado é alguém que trabalha como empregado em uma empresa. Ele recebe participação acionária, bônus, tudo. Mas trabalha só três ou quatro dias por semana. Apenas 60% ou 80%”, afirmou.

Ele citou três motivos para esse modelo crescer. O primeiro é o envelhecimento, já que profissionais mais velhos têm julgamento e experiência, valorizados na era da IA, e podem não querer jornada integral.

O segundo é o custo de creche. Em Nova York, segundo Tobaccowala, são US$ 125 por dia por criança, o que dá cerca de US$ 33 por hora para duas crianças, contra salário mínimo de US$ 17 por hora na cidade.

O terceiro é a produtividade. Para o palestrante, uma empresa que ganha 20% de eficiência com IA pode pedir que todos trabalhem 80% do tempo, em vez de demitir 20% da equipe.

Sobre os agentes, Tobaccowala disse que a McKinsey tinha 45 mil funcionários humanos no início da década e hoje tem 40 mil humanos e 20 mil agentes de IA. Ele afirmou ainda que um terço das conversas no Google ocorre entre humanos e agentes.

Mais trabalho, menos empregos

Tobaccowala separa trabalho de emprego. Segundo ele, 68% das pessoas que geram renda no mundo têm trabalho sem ter emprego. As empresas, porém, se organizam em torno de empregos, e a IA executa trabalho.

A previsão dele é de mais trabalho e mais oportunidades de renda, com menos empregos em tempo integral. O palestrante apontou dois riscos. Um é a organização da sociedade em torno do emprego, como nos Estados Unidos, onde o plano de saúde depende dele. O outro é que a IA elimine empregos mais rápido do que surgem novos, no curto prazo.

Ele afirmou que o trabalho vai mudar entre 2020 e 2029 mais do que nos 50 anos anteriores.

Demografia e mentalidade

Antes de chegar à IA, Tobaccowala descreveu mudanças demográficas. Com exceção de sete países, a população mundial está em queda ou estável, segundo ele. A reposição exige 2,1 filhos por mulher, e a taxa citada por ele é de 1,5 nos Estados Unidos, 1,3 na Europa, 1,0 na China e 0,8 na Coreia do Sul.

Ele disse que, nos Estados Unidos, uma pessoa de 60 anos tinha em 1975 oito vezes a riqueza de uma de 30 anos. Em 2025, a diferença chegou a 47 vezes.

Sobre mentalidade, Tobaccowala afirmou que 66% dos jovens no mundo querem trabalhar por conta própria. Nos Estados Unidos, segundo ele, dois em cada três empregados em tempo integral têm outra atividade que gera renda.

IA como colaboradora

Para Tobaccowala, a capacidade da IA dobra a cada sete semanas. Segundo ele, surgem ao menos dois modelos de fronteira por dia, entre China e Estados Unidos.

Ele tratou a IA como colaboradora, e não como ferramenta. Citou o termo “inteligência alienígena”, que atribuiu a Mustafa Suleyman, ex-DeepMind e hoje na Microsoft.

O que resta aos humanos

Tobaccowala disse que a sigla HI, no seu uso, significa intuição, imaginação, inovação, interação e inventividade humanas. Segundo ele, três traços protegem as pessoas. Elas são confusas, têm falhas e decidem com o coração.

Ele atribuiu a Blaise Pascal a ideia de que “os humanos escolhem com o coração e usam números para justificar o que acabaram de fazer”.

O palestrante listou seis competências para jovens e profissionais. Criatividade, curiosidade e cognição servem ao crescimento individual. Comunicação, colaboração e convencimento servem ao trabalho com outras pessoas e com agentes.

Sobre cognição, Tobaccowala recomendou uma hora diária de estudo. “O dia em que você para de aprender é o dia em que começa a morrer”, disse.

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Imagem: Victor Cortez/Central do Varejo

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