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Agentes de IA mudam a forma de descobrir produtos e exigem adaptação do varejo, diz CEO da GDR

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O avanço dos agentes de inteligência artificial está alterando a forma como consumidores pesquisam produtos e realizam compras online, segundo análise de Kate Ancketill, CEO e fundadora da consultoria GDR. A executiva abordou o tema em apresentação no D-Congress, realizado em Gotemburgo, na Suécia.

De acordo com Ancketill, uma das mudanças ocorre no processo de descoberta de produtos no comércio eletrônico. “Uma das principais questões que os varejistas estão me perguntando no momento é o impacto que os agentes de IA terão no varejo e na forma como as pessoas compram”, afirmou.

Segundo ela, o uso dessas ferramentas está modificando a maneira como consumidores navegam e pesquisam produtos na internet. “As maiores mudanças estão acontecendo na forma como navegamos e pesquisamos online, com agentes de IA disruptando o processo de descoberta no e-commerce”, disse.

A executiva afirma que, em vez de navegar por sites e analisar diversas opções manualmente, consumidores estão utilizando agentes de IA para realizar comparações e selecionar produtos. “Em vez de navegar por sites e percorrer inúmeras opções, as pessoas estão pedindo aos agentes que façam por elas o processo de descoberta e comparação.”

Ancketill acrescenta que o uso de agentes também pode evoluir para a conclusão da compra dentro das próprias plataformas, embora considere que a principal transformação esteja no processo de busca. “Eles podem até ser usados para realizar a compra, embora isso talvez esteja um pouco mais distante e seja menos relevante do que a disrupção no processo de descoberta.”

A mudança também afeta as estratégias digitais das empresas. “Para marcas e varejistas, o principal ponto é que a natureza do SEO, a forma como você otimiza seus produtos para busca online, está mudando rapidamente”, afirmou. “É hora de se adaptar rapidamente a essas mudanças ou ficar para trás.”

Segundo ela, o uso de inteligência artificial no processo de compra já está em curso. “Isso não é mais sobre planejar o futuro. As pessoas já estão usando IA para ajudar nas compras online.”

Pesquisa realizada pela Liveops em novembro de 2025 indicou que 78% dos adultos nos Estados Unidos utilizaram algum tipo de inteligência artificial para auxiliar nas compras de Natal. Entre integrantes da geração Z, o índice chegou a 89%, enquanto entre baby boomers a taxa foi de 60%.

Nos últimos meses, plataformas digitais também passaram a incorporar recursos voltados ao comércio eletrônico. A OpenAI lançou novas funcionalidades de compras no ChatGPT, incluindo um carrinho para acompanhar produtos mencionados nas conversas. Em outubro de 2025, a empresa apresentou o recurso Instant Checkout, que permite concluir compras diretamente a partir da interface do chatbot.

Grandes varejistas também passaram a estabelecer parcerias com a plataforma. Em novembro de 2025, a Target anunciou o lançamento de um GPT personalizado para a rede.

Ancketill afirma que as interações com agentes de IA também passam a incorporar elementos contextuais e conversacionais. Além de informações técnicas como tamanho, peso ou medidas, consumidores utilizam termos ligados a preferências, humor e percepções ao descrever produtos durante conversas com chatbots.

No setor de moda, por exemplo, fatores como tipo de tecido, presença de logotipos, formato da gola e características de modelagem podem influenciar a escolha de uma peça. Segundo a executiva, empresas precisarão estruturar melhor as informações de seus produtos para que sistemas de IA consigam interpretá-las.

“Marcas e varejistas precisarão garantir que as informações dos produtos online sejam facilmente acessíveis e legíveis pelas ferramentas de IA que estarão pesquisando e comparando resultados na internet”, disse.

Plataformas especializadas em determinados setores também têm incorporado agentes de IA para orientar decisões de consumo. No mercado de moda, a plataforma Daydream utiliza um chatbot que atua como consultor de estilo. Os usuários interagem com o sistema por meio de linguagem conversacional e recebem recomendações com base em informações como tecidos, modelagem e contexto social. A plataforma reúne mais de 2 milhões de produtos de cerca de 8,5 mil marcas.

No setor de turismo, a plataforma Boop utiliza inteligência artificial para transformar publicações de influenciadores ou amigos em itinerários de viagem reserváveis. O sistema analisa dados de localização e metadados de imagens para reconstruir roteiros a partir de viagens registradas nas redes sociais, permitindo que os usuários adaptem os itinerários.

Ancketill afirma que o nível de detalhamento das informações tende a crescer com a evolução dessas tecnologias. “Podemos esperar que esse nível extremamente granular e contextual de detalhe se torne uma parte ainda mais importante do processo de descoberta de compras”, afirmou.

Segundo ela, a qualidade das recomendações também depende do volume de dados disponíveis. “Os resultados que recebemos dos agentes de IA ficam melhores quanto mais os usamos, e quanto mais dados fornecemos, mais eles conseguem atender às nossas necessidades.”

A executiva também citou o desenvolvimento de dispositivos que ampliam o acesso a dados contextuais. Entre eles está o Project Ava, apresentado pela Razer, um assistente holográfico para desktops capaz de analisar atividades realizadas na tela. Ela também mencionou um dispositivo em desenvolvimento pela OpenAI, conhecido pelo codinome Gumdrop, que deve integrar recursos de escuta contínua e interface sem tela para incorporar a inteligência artificial ao cotidiano dos usuários.

Imagem: Reprodução
Informações: GDRUK
Tradução e adaptação: Central do Varejo

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