Inovação
Best Buy aposta em mídia, IA e novos formatos de loja para impulsionar crescimento
Futuro CEO afirma que companhia quer ir além do varejo tradicional e ampliar receitas com publicidade, marketplace e tecnologia
A Best Buy registrou crescimento de receita e lucro no primeiro trimestre de 2026 e aproveitou a divulgação dos resultados para apresentar a estratégia que deverá orientar a próxima fase da companhia sob a liderança de seu futuro CEO, Jason Bonfig.
A empresa reportou receita de US$ 8,9 bilhões no período, alta de 2% na comparação anual. As vendas em mesmas lojas também cresceram 2%, enquanto o lucro líquido avançou quase 37%, para US$ 276 milhões.
Apesar dos resultados positivos, analistas apontam que a varejista segue crescendo abaixo do mercado de eletrônicos dos Estados Unidos. Segundo dados da GlobalData, o setor avançou 3,6% no primeiro trimestre.
Bonfig, atual diretor de experiência do cliente, produtos e fulfillment, assumirá o comando da companhia em novembro, substituindo a atual CEO, Corie Barry.
Durante a teleconferência de resultados, o executivo apresentou uma visão mais ampla para o futuro da empresa. “Não somos mais apenas um varejista”, afirmou Bonfig.
A estratégia passa pela expansão de fontes de receita além da venda de produtos, com destaque para publicidade, retail media, marketplace e iniciativas ligadas à inteligência artificial.
O movimento segue uma tendência observada em grandes empresas do setor, que buscam monetizar dados, audiência e canais próprios para complementar os resultados das operações tradicionais.
Entre as prioridades da nova gestão está o fortalecimento do marketplace lançado pela companhia em 2025, além da ampliação de categorias como colecionáveis e do avanço em iniciativas de comércio assistido por inteligência artificial.
A empresa também pretende aprofundar parcerias com companhias como OpenAI e Google para desenvolver novas experiências de compra baseadas em IA.
Outro pilar da estratégia envolve a expansão da presença física por meio de novos formatos de loja.
A Best Buy pretende abrir mais unidades de pequeno e médio porte voltadas a mercados menores e regiões urbanas.
As lojas médias terão cerca de 1.850 metros quadrados, enquanto os formatos compactos variarão entre 1.100 e 1.400 metros quadrados, com sortimento mais enxuto e direcionado ao perfil local de consumo.
A companhia também está revisando o uso do espaço em parte de sua rede atual.
Em 70 lojas, áreas consideradas subutilizadas estão sendo transformadas em novos ambientes de experiência. Cinquenta unidades receberão espaços dedicados a produtos de realidade virtual e inteligência artificial da Meta, enquanto outras 20 passarão a contar com áreas voltadas para produtos outdoor da Yardbird.
Segundo Bonfig, centenas de lojas da rede possuem potencial para receber iniciativas semelhantes nos próximos anos.
Para Neil Saunders, diretor-geral da consultoria GlobalData Retail, a Best Buy enfrenta o desafio de recuperar diferenciais competitivos que perderam relevância com a evolução do comércio digital.
Segundo o analista, atributos historicamente associados à rede, como atendimento especializado e descoberta de produtos em loja, hoje competem com vídeos online, ferramentas de IA e melhorias na experiência oferecida por outros varejistas.
Mesmo assim, a companhia acredita que investimentos em experiência, serviços, retail media e inteligência artificial podem abrir novas frentes de crescimento e reduzir a dependência do mercado tradicional de eletrônicos.
Imagem: Divulgação
Informações: Cara Salpini para Retail Dive
Tradução livre: Central do Varejo
