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Americanas deixa a recuperação judicial 1.369 dias depois do pedido

Decisão da 4ª Vara Empresarial do Rio reconhece cumprimento do plano aprovado em 2023; varejista sai do processo com mais de 1.400 lojas e ação penal em curso

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Americanas se pronuncia após operação da PF prender ex-CEO; recuperação judicial da Americanas

A Justiça do Rio de Janeiro encerrou na segunda-feira (19) a recuperação judicial da Americanas e das demais empresas do grupo. A decisão da 4ª Vara Empresarial da capital reconhece que a varejista cumpriu as obrigações do plano aprovado pelos credores em dezembro de 2023. Ainda cabe recurso.

O processo durou 3 anos e 9 meses. A companhia protocolou o pedido em 19 de janeiro de 2023, oito dias depois de revelar inconsistências contábeis estimadas em R$ 20 bilhões, com cerca de R$ 43 bilhões em créditos listados.

A administração judicial e o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) deram pareceres favoráveis ao encerramento.

O juiz também rejeitou contestações de credores sobre critérios de pagamento, entre eles detentores de títulos de dívida em moeda estrangeira (bondholders), que questionavam a conversão de créditos de dólar para real.

Recuperação judicial da Americanas: o que muda com o encerramento?

Com a sentença, a expressão “em recuperação judicial” sai do nome das empresas do grupo nos registros oficiais. O administrador judicial tem 15 dias para apresentar relatório sobre a execução do plano e 30 dias para prestar contas.

O encerramento também não equivale à quitação de todas as dívidas. Os pagamentos com vencimento futuro previstos no plano continuam exigíveis, agora sem fiscalização do juízo. Além disso, disputas com credores ainda podem ser levadas à Justiça.

Em fato relevante assinado pelo diretor financeiro e de Relações com Investidores, Sebastien Durchor, a Americanas tratou a decisão como o início de uma nova etapa dos negócios.

A própria companhia havia pedido o encerramento em março de 2026, conforme noticiou a Agência Brasil.

recuperação judicial da Americanas


Linha do tempo da recuperação judicial da Americanas

11 de janeiro de 2023. O então presidente-executivo Sergio Rial comunica ao mercado inconsistências contábeis ligadas principalmente a operações de risco sacado. Rial deixa o cargo.

13 de janeiro de 2023. A Justiça concede tutela de urgência que suspende cobranças e bloqueios de credores enquanto a empresa avalia o pedido de recuperação.

19 de janeiro de 2023. A Americanas pede recuperação judicial à 4ª Vara Empresarial do Rio, com créditos de cerca de R$ 43 bilhões. No dia seguinte, a B3 retira as ações da companhia de todos os seus índices, incluindo o Ibovespa.

Junho de 2023. A empresa aponta a diretoria anterior como responsável pelas fraudes contábeis.

19 de dezembro de 2023. A assembleia geral de credores aprova o plano de recuperação. Segundo o NeoFeed, o plano teve o apoio de 91% dos credores.

26 de fevereiro de 2024. A Justiça homologa o plano.

27 de junho de 2024. A Polícia Federal deflagra a Operação Disclosure com o Ministério Público Federal (MPF) e apoio da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

A 10ª Vara Federal Criminal do Rio expede mandados de prisão contra o ex-CEO Miguel Gutierrez e a ex-diretora Anna Saicali e determina o bloqueio de mais de R$ 500 milhões em bens. Gutierrez é detido em Madri no dia seguinte e liberado em 29 de junho.

25 de julho de 2024. O conselho de administração homologa aumento de capital de R$ 24,5 bilhões. Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira aportam R$ 12 bilhões, e os bancos credores convertem outros R$ 12 bilhões em ações. A fatia do trio sobe de 30,1% para 49,2%, segundo a Folha de S.Paulo.

Agosto de 2024. O Tribunal Regional Federal da 2ª Região revoga a prisão preventiva de Gutierrez.

Março de 2025. O MPF denuncia 13 ex-executivos e ex-funcionários da Americanas.

Março de 2026. A Americanas pede o encerramento da recuperação judicial. No mesmo mês, a Fan Store Entretenimento (BandUP!) vence o leilão da Uni.Co, dona das marcas Imaginarium e Puket, com preço final de R$ 162,05 milhões.

14 de maio de 2026. A varejista acerta a venda de 10 lojas deficitárias do Hortifruti Natural da Terra ao Grupo Fartura, dono do Oba Hortifruti, por R$ 69,3 milhões. O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprova a operação em junho, sem restrições.

16 de outubro de 2026. A Justiça Federal do Rio aceita a denúncia contra 12 ex-executivos, que passam à condição de réus.

19 de outubro de 2026. A 4ª Vara Empresarial decreta o fim da recuperação judicial.

A operação que sai do processo

A Americanas deixa a recuperação judicial com mais de 1.400 lojas e foco em categorias de giro rápido e conveniência, segundo o NeoFeed. Com base em dados da empresa, o veículo informa ganho operacional de cerca de R$ 500 milhões nos últimos dois anos.

No primeiro semestre de 2026, as vendas nas mesmas lojas cresceram 9,3%, e a receita bruta por metro quadrado avançou 10,3%. No primeiro trimestre, a companhia teve prejuízo líquido de R$ 329 milhões, 34% menor que no mesmo período de 2025.

A venda de ativos prevista no plano segue em andamento. Uni.Co, Parati e as lojas do Hortifruti Natural da Terra somam R$ 265,4 milhões em preços acordados. Parte desse valor ainda será paga em parcelas, e o saldo segue para amortização de debêntures da 22ª emissão. Até 7 de outubro, cinco das 10 lojas do Natural da Terra já haviam passado ao Oba Hortifruti.

A frente criminal segue aberta

Na esfera penal, o caso continua. Entre os 12 réus estão Miguel Gutierrez, apontado pelos investigadores como líder do esquema, e Anna Saicali. Eles responderão por associação criminosa, falsidade ideológica e manipulação de mercado, e parte do grupo também por uso de informação privilegiada.

Segundo a Polícia Federal, ex-executivos venderam R$ 287 milhões em ações antes do anúncio das inconsistências. A defesa de Gutierrez afirma que ele nunca esteve envolvido nas fraudes. A Americanas sustenta que foi vítima de ex-executivos e diz colaborar com as autoridades.

O desfecho ocorre em um ano de pedidos em série no setor. Em agosto, a Casas Bahia pediu recuperação judicial com passivo declarado de R$ 17,3 bilhões. Segundo a Serasa Experian, o país fechou 2025 com 977 processos de recuperação judicial abertos, alta de 5,5% sobre 2024.

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Com informações de Agência Brasil, Poder360, NeoFeed e Economic News Brasil
Imagem: Divulgação

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