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Confiança do consumidor no varejo: o que os índices mostram
Dados do FGV IBRE e da CNC mostram consumidor ainda pessimista e lojista em recuperação, com inadimplência recorde pressionando o consumo das famílias
A confiança do consumidor no varejo mede a disposição das famílias para gastar e é apurada por dois levantamentos distintos no Brasil. Um mede o consumidor, outro mede o empresário do comércio. Os dois orientam decisões de estoque, crédito e comunicação de preço no varejo.
O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) da FGV IBRE fechou junho de 2026 em 88,06 pontos. No mesmo mês, o volume de vendas do varejo cresceu 0,5% frente a maio, segundo a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) do IBGE, divulgada em 13 de agosto de 2026.
O que mede a confiança do consumidor no varejo
O ICC é calculado mensalmente pelo FGV IBRE (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas). O levantamento entrevista famílias sobre a situação financeira atual e as expectativas para os próximos meses.
O índice varia de 0 a 200 pontos, com 100 pontos como linha neutra entre otimismo e pessimismo.
O ICC se divide em dois componentes. O Índice de Situação Atual (ISA) capta a percepção sobre o presente. O Índice de Expectativas (IE) capta a projeção para o futuro. Em junho de 2026, o ICC ficou em 88,06 pontos, abaixo da marca neutra de 100 pontos.
Há também o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (ICEC), calculado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O ICEC entrevista cerca de seis mil empresas de varejo em todas as capitais do país e mede a percepção do lojista.
Em março de 2026, o ICEC atingiu 107,0 pontos, quinta alta mensal consecutiva, segundo a CNC.
Como a confiança do consumidor afeta as vendas do varejo
A relação entre confiança e vendas aparece nos dados mensais do IBGE. O volume de vendas do varejo restrito subiu 0,5% em junho de 2026 ante maio, após alta de 0,3% em maio, segundo a PMC.
Na comparação com junho de 2025, o crescimento foi de 2,9%. No acumulado de janeiro a junho de 2026, o varejo cresceu 1,9% frente ao mesmo período de 2025.
Famílias mais confiantes tendem a antecipar compras de bens duráveis, categoria que reage primeiro a variações no ICC. Famílias menos confiantes reduzem o consumo discricionário e priorizam o pagamento de dívidas, o que retrai o giro de categorias como moda, eletrodomésticos e móveis.
O ICEC segue lógica parecida do lado da oferta. Quando o empresário do comércio projeta melhora nas condições de crédito e consumo, ele antecipa reposição de estoque e investimento.
A CNC registrou queda de 6,1% no ICEC em janeiro de 2026 na comparação anual. A entidade atribuiu o recuo à Selic mantida em 15% ao ano, o que encarece o crédito ao consumidor e ao lojista.
Confiança do consumidor no varejo em 2026
O ano começou com o ICEC pressionado. Em janeiro de 2026, a percepção dos empresários sobre as condições atuais da economia e do setor caiu 6,1% na comparação com janeiro de 2025, segundo a CNC.
O segmento de bens duráveis, como eletrônicos, eletrodomésticos e veículos, registrou queda de 7,6% na percepção presente no mesmo mês.
A partir de fevereiro, o indicador passou a subir. Em março de 2026, o ICEC chegou a 107,0 pontos, avanço de 2,2% frente a fevereiro e quinta elevação mensal seguida, no maior patamar desde janeiro de 2025, segundo a CNC.
Do lado do consumidor, o FGV IBRE registrou 86,1 pontos em fevereiro de 2026, queda de 1,2 ponto frente a janeiro e o menor nível desde agosto de 2025. Em junho de 2026, o ICC estava em 88,06 pontos, ainda abaixo da marca neutra de 100 pontos, segundo o FGV IBRE.
Fatores que pressionam
A inadimplência é o principal fator citado pelas instituições que calculam os índices. O Brasil atingiu 74,82 milhões de consumidores inadimplentes em abril de 2026, novo recorde histórico, segundo a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e o SPC Brasil.
Em março de 2026, cada inadimplente devia em média R$ 5.044,65, com dívidas registradas junto a 2,31 credores, segundo a mesma fonte.
O ciclo de reincidência amplia o problema. Em abril de 2026, 85,95% dos consumidores que entraram na inadimplência já haviam sido negativados nos 12 meses anteriores, segundo a CNDL e o SPC Brasil.
O intervalo médio entre o vencimento de uma dívida e a próxima pendência para o devedor reincidente foi de 71 dias no mesmo mês, segundo a mesma fonte.
A Selic em 15% ao ano também pesa. Segundo a CNC, a taxa encarece o crédito e reduz o consumo de bens de maior valor, com efeito direto sobre o segmento de duráveis, o mais sensível a variações na confiança.
Como o varejo pode responder às variações na confiança do consumidor
Varejistas de crédito têm ajustado a oferta ao cenário de inadimplência elevada. A Top One Financeira registrou alta de 6,8% nas vendas financiadas no fim de 2025 frente ao mesmo período de 2024, mesmo com juros elevados.
Entre os consumidores com CPF regular que buscaram financiamento nos pontos de venda atendidos pela empresa, 45% tiveram o crédito aprovado, segundo a Top One Financeira.
O acompanhamento mensal do ICC e do ICEC permite ao varejista antecipar ajustes de estoque e de comunicação comercial. Categorias de duráveis reagem primeiro a mudanças na confiança.
Isso torna o indicador de compras previstas de bens duráveis, componente do ICC, uma referência para o planejamento de reposição nesses segmentos.
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Imagem: Magnific
