Colunistas
Inovação em um final de semana
Se você tivesse apenas 56 horas para construir e validar um negócio inovador, seria possível?
No último final de semana, entre 14 e 16 de agosto, participei do Startup Weekend, em Xanxerê (SC). A proposta era justamente essa: provocar os participantes a identificar problemas, desenvolver ideias e transformá-las em soluções de negócio, tendo o agronegócio como foco, pensando em inovação.
Confesso que ainda não conhecia o Oeste de Santa Catarina e voltei impressionado com a força da região e sua relação com o agro. Da recepção na cidade à energia dos participantes, foi uma experiência extremamente gratificante.
Meu papel foi o de mentor, ao lado de uma banca fantástica de profissionais. Mas há algo curioso nesses eventos: embora eu esteja na cadeira de mentor, muitas vezes me sinto ocupando também a cadeira de aprendiz. Porque, enquanto compartilhamos experiências, aprendemos muito observando pessoas sendo desafiadas a construir algo praticamente do zero.
Acompanhar a evolução dos grupos, desde os primeiros palpites até o pitch final diante da banca, me fez lembrar das grandes gincanas de colégio das quais eu participava na adolescência. Há pressão, competição, colaboração, ansiedade e, principalmente, aquela vontade coletiva de chegar ao final com algo relevante.
Só que aqui existe um ingrediente adicional: resolver um problema real.
E talvez essa seja uma das maiores provocações que o Startup Weekend deixa para quem participa — e também para quem já está dentro de uma empresa.
Olhando para Inovação
Quantas organizações param, de verdade, para analisar aquilo que estão oferecendo e perguntar: isso ainda resolve uma necessidade real do meu cliente?
Inovação não significa necessariamente inventar algo que nunca existiu. Muitas vezes, inovação é fazer de maneira diferente aquilo que já fazemos há muito tempo. Durante uma das conversas, o mentor Pablo trouxe o exemplo da Uber: o diferencial não estava simplesmente em colocar mais carros nas ruas, mas em encontrar uma nova maneira de conectar pessoas que precisavam se locomover com pessoas dispostas a oferecer esse deslocamento.
O pensamento inovador começa dentro de casa antes de aparecer como solução do lado de fora da empresa.
Outro aspecto que me chamou atenção foi perceber o quanto uma experiência como essa desenvolve habilidades que ultrapassam o empreendedorismo. Em 56 horas, as pessoas precisam exercitar resiliência, trabalhar sob pressão, conviver com opiniões diferentes, falar em público, defender ideias, ouvir críticas, mudar de direção e aprender a vender aquilo em que acreditam.
Por isso, fiquei pensando no quanto experiências assim poderiam fazer parte da formação dos nossos jovens, inclusive no Ensino Médio. Empreender, nesse contexto, não é apenas aprender a abrir uma empresa. É aprender a observar problemas, construir soluções, trabalhar em equipe e transformar ideias em ação.
No fim, talvez as 56 horas não sejam suficientes para construir uma empresa pronta.
Mas são suficientes para mudar a maneira como enxergamos um problema.
E, muitas vezes, é exatamente assim que começa uma grande inovação.
Se você tiver a oportunidade de participar de um Startup Weekend, não pense duas vezes. Participe.
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(*) Elifas de Vargas é formado em Marketing, com especialização em Quality Service pela Disney Institute na Flórida-USA. É criador do método FastVideos, produção rápida e versátil de vídeos para web, utilizando apenas o smartphone. Responsável por fundar a primeira webtv privada do Rio Grande do Sul, em 2006, dentro da incubadora tecnológica da Univates, possui ampla experiência em comunicação e é Terapeuta Comportamental pela Escola de Executivos e Negócios Instituto Albuquerque, certificada pela Fundação Napoleon Hill. Empresário, Co-Founder da Agência de Marketing Kreativ desde 2010, com sede em Lajeado/RS e filiais em POA/RS e Rio de Janeiro/RJ, está sempre em busca de experiências que impactem os negócios de seus clientes. Assim, também é curador de diversos eventos, entre eles, o Rio Innovation Week (maior evento de inovação e tecnologia da América Latina) no Rio de Janeiro, e a NRF, em Nova York. Acompanhe o autor no LinkedIn.
