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Kodak aposta em filme analógico e redução de dívida para sustentar recuperação

Empresa busca reverter dificuldades financeiras com foco em operações centrais, nova liderança e engajamento de consumidores mais jovens

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A Eastman Kodak tem avançado em um plano de reestruturação liderado pelo CEO Jim Continenza, com foco na redução de dívidas, retomada do negócio de filmes e reposicionamento da marca no mercado.

A companhia, que entrou com pedido de falência em 2012, voltou a alertar no último ano que sua situação financeira levantava “dúvidas substanciais” sobre a continuidade das operações. Ainda assim, afirmou estar confiante na capacidade de honrar seus compromissos financeiros.

Desde que assumiu a liderança em 2019, Continenza tem conduzido uma série de mudanças estruturais. Entre elas, o pagamento de mais de US$ 400 milhões em dívidas, a reorganização das prioridades do negócio e a reformulação da equipe executiva, com substituição de cerca de 90% da liderança.

A estratégia também inclui o reforço das operações ligadas ao core business da empresa, como impressão comercial, materiais avançados e produção de filmes fotográficos. A retomada do interesse por filmes analógicos tem sido um dos pilares dessa abordagem, impulsionada tanto por diretores de cinema quanto por consumidores mais jovens.

Segundo Continenza, a decisão de manter a produção de insumos para filmes foi influenciada por demandas do setor audiovisual. O diretor Christopher Nolan chegou a alertar a companhia sobre a importância estratégica desse segmento, o que levou à revisão de planos de descontinuação.

Nos últimos anos, produções cinematográficas de grande porte voltaram a utilizar película, refletindo um movimento de valorização estética e técnica do formato.

Os resultados financeiros recentes indicam melhora. No quarto trimestre, o lucro bruto da empresa atingiu US$ 67 milhões, crescimento de 31% em relação ao ano anterior. A Kodak também reduziu suas despesas anuais com juros em cerca de US$ 40 milhões.

A companhia ainda enfrenta desafios estruturais, especialmente após décadas de impacto da fotografia digital sobre seu modelo de negócios. Após sair da recuperação judicial em 2013, a Kodak passou a concentrar suas operações em segmentos industriais e de impressão.

Segundo o CEO, a recuperação exige mudanças graduais e foco no longo prazo. “Você precisa investir, ser metódico e ajustar as operações. É isso que estamos fazendo há sete anos”, afirmou.

A estratégia também envolve maior transparência com investidores e adaptação da empresa a um novo perfil de consumo. A Kodak tem buscado atrair a geração mais jovem, apostando no apelo do analógico e na autenticidade das imagens em filme.

No mercado financeiro, o movimento já teve reflexos. As ações da companhia registraram valorização próxima de 100% nos últimos 12 meses.

Para Continenza, o objetivo é consolidar a empresa em bases mais estáveis e garantir sua continuidade no longo prazo, apoiando-se no reconhecimento global da marca e em ajustes operacionais contínuos.

Imagem: TRexEditorNJ/Creative Commons
Informações: Laya Neelakandan para CNBC
Tradução livre: Central do Varejo

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