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NR-1 e o avanço da saúde preventiva nas empresas

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Ao longo da última década, tornou-se cada vez mais evidente uma mudança no comportamento das pessoas em relação à saúde e ao bem-estar. Se antes o mais comum era uma ação reativa diante de diagnósticos de condições como o estresse e a ansiedade, hoje a incorporação de hábitos saudáveis à rotina diária é uma prática preventiva, que passou a assumir um papel importante no enfrentamento de transtornos de saúde mental.

À medida que esse movimento ganhou força, cresceu a busca por alternativas complementares à medicina tradicional. Atividades físicas, práticas de meditação, alimentação equilibrada e terapias corporais passaram a fazer parte do dia a dia de um número cada vez maior de pessoas. Algo que a pandemia acelerou de forma contundente. O isolamento social, a ruptura das rotinas e a sobreposição entre vida pessoal e profissional evidenciaram um problema latente: a dificuldade de lidar com a saúde mental em um mundo permanentemente conectado.

No ambiente de trabalho, essa transformação também aconteceu de maneira gradual. As empresas começaram a perceber que a ausência de bem-estar impacta diretamente os resultados do negócio. Aumento do absenteísmo, elevação do turnover, queda de produtividade e perda de engajamento passaram a ser sintomas recorrentes de ambientes organizacionais que não olham para a saúde de forma holística e estruturada.

O avanço da tecnologia ampliou esse desafio. O trabalho deixou de ter fronteiras claras e passou a ocupar um espaço contínuo na vida das pessoas. Com essa fusão, muitos profissionais perderam a capacidade de administrar limites, descanso e recuperação. Nesse contexto, tornou-se inevitável que as empresas ampliassem sua responsabilidade: cuidar da saúde dos colaboradores não apenas de forma reativa, por meio de planos de saúde, mas de maneira preventiva, integrada e contínua.

É exatamente nesse ponto que a atualização da NR-1, com vigência prevista para 2026, se insere. A norma não cria um movimento novo, mas formaliza uma mudança que já está em curso. Ela reconhece que a saúde e o bem-estar no trabalho precisam ser tratados de forma sistêmica, com exigências claras para que as organizações identifiquem riscos, previnam adoecimentos e promovam ambientes mais saudáveis — física e emocionalmente.

Esse cenário tem impulsionado uma nova demanda por soluções de bem-estar no contexto corporativo. Terapias, experiências de relaxamento como a massagem, práticas integrativas e iniciativas voltadas à saúde preventiva passaram a fazer parte das estratégias de empresas que entendem que cuidar das pessoas é também cuidar da sustentabilidade do negócio.

No nosso caso, observamos um crescimento expressivo da procura por soluções corporativas nos últimos anos. A venda de vouchers para empresas — utilizados como reconhecimento, premiação ou benefício recorrente — cresceu mais de 120% em 2025 em relação ao ano anterior. Além disso, atendimentos realizados dentro das empresas, por meio de iniciativas estruturadas, vêm ganhando espaço como ferramentas de promoção do bem-estar no ambiente de trabalho. 

Outra frente que notamos crescimento foi a demanda por massagens através de plataformas de benefícios e bem-estar corporativo, como Wellhub e TotalPass.

Mais do que números, esses movimentos revelam uma mudança de mentalidade. As empresas começam a entender que saúde preventiva não é um custo adicional, mas um investimento estratégico. A NR-1 reforça essa visão ao estabelecer diretrizes que ajudam a transformar boas intenções em práticas consistentes.

O desafio que se impõe agora não é apenas cumprir uma norma, mas compreender seu espírito. Organizações que enxergarem a NR-1 como uma oportunidade — e não apenas como uma obrigação — estarão mais preparadas para construir ambientes de trabalho mais humanos, produtivos e sustentáveis no longo prazo.

Leia também: Expandir sem perder o foco: quando abrir novas frentes de negócio

* Gustavo Albanesi é cofundador e CEO do Buddha Spa, a maior rede de spas urbanos da América Latina.

Imagem gerada com o auxílio de inteligência artificial

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